Química

24 de maio de 2010

Distribuição – Resistência à crise mundial atesta a maturidade do setor e prenuncia consolidações

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    distribuição de produtos químicos no Brasil mantém expectativas de recuperação de negócios em 2010, considerando superada a tormenta mundial iniciada em outubro de 2008. Essa crise afetou o setor, derrubando os faturamentos das companhias, embora a maioria delas tenha conseguido se ajustar à situação e ainda preservar a rentabilidade. Em contrapartida, as dificuldades econômicas da Grécia colocam o setor em estado de alerta, temendo por um rebote na crise mundial.

    O suprimento mundial dos produtos químicos espelha a transição de uma forte baixa para uma recuperação. A eclosão da crise de 2008 pegou todas as cadeias produtivas altamente estocadas, com as fábricas operando a plena carga. Nesse quadro, fazia sentido manter funcionando unidades pequenas e antigas, geralmente com altos custos e baixa eficiência, para aproveitar ao máximo a fase de preços estratosféricos.

    A crise obrigou a pressionar ao máximo o pedal do freio. Vários casos de fechamento temporário ou definitivo de capacidades produtivas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, foram efetivados. Ao mesmo tempo, os projetos que estavam sendo encaminhados para substituir as velhas fábricas por novas e maiores unidades sofreram atrasos. Houve a recuperação de vários mercados, a começar pelos países emergentes do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), já em 2009, sendo seguidos até pelos Estados Unidos, de forma ainda tímida.

    Seria de se esperar uma recuperação da produção química. Porém, alguns processos são lentos para entrar em marcha com a qualidade desejada, como é o caso do dióxido de titânio (ver QD-495, de março). Houve também acidentes em alguns grandes produtores mundiais de derivados de propeno, especialmente do ácido acrílico e acrilatos, além de paradas imprevistas em vários outros produtores, atingindo, por exemplo, a cadeia dos epóxis. Somados todos esses fatores, o vetor resultante indica alta de preços e escassez de muitos itens.

    “O setor químico passou por uma série de fusões e aquisições, que sempre geram a separação de alguns negócios na forma de empresas pequenas, e tudo isso ainda precisa se acomodar”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), também presidente da Makeni Chemicals. Segundo ele, o setor já conseguiu aumento de faturamento entre 8% e 9% de janeiro a abril. Porém, é preciso salientar que a base de comparação, o ano de 2009, é muito fraca, tendo registrado queda média de mais de 9% em vendas.

    Embora se declare otimista, Medrano considera que a economia nacional, inclusive a distribuição química, passou 2009 vivendo do mercado interno, que recebeu crédito farto e barato por decisão do governo. “Isso tem limite, não dá para trocar de carro e de casa todos os anos, e o endividamento da população já está muito elevado”, alertou.

    Ao mesmo tempo, Medrano vê na alta dos juros decretada em maio pelo Banco Central um freio para o ambiente de negócios do segundo semestre deste ano. É exatamente o melhor período de vendas do comércio químico. “Creio que voltaremos aos níveis de vendas de 2008, mas não conseguiremos ir além”, lamentou. Ele aponta a notória deficiência nacional em infraestrutura e o aumento do déficit público como preocupações adicionais, sem chance de melhorar a curto prazo.

    O início de novos governos federais e estaduais em 2011 não muda muita coisa nesse cenário. Para a distribuição química, isso significa brecar projetos de investimento até o final de 2011 ou 2012. “Ainda temos muita ociosidade no setor, fruto dos investimentos dos últimos anos”, comentou.

    Como ponto positivo, ele cita a consolidação da distribuição como peça integrante e fundamental para todas as cadeias produtivas. Consequência da maturidade do setor, as respostas para o período de crise foram rápidas e eficazes, com poucas exceções registradas entre as empresas do setor. “Ficou claro que o controle dos custos é primordial e as empresas conseguiram readequar suas operações e, com isso, conseguir aumento de rentabilidade mesmo com queda de faturamento”, explicou.

    A crise obrigou as distribuidoras a ajustar o foco de seus negócios para as linhas de produtos mais rentáveis, nas quais são mais competentes. Foi um período de revisão do mix de produtos, fechando um pouco o leque de itens. Outro sinal de profissionalismo e de compromisso com a cadeia produtiva pode ser visto pela pequena entrada de importações oportunistas. “Produtores que perderam mercado nos Estados Unidos e na Europa tentaram colocar produtos no Brasil com preço baixo, mas tiveram pouco sucesso porque não são confiáveis, podendo sumir a qualquer instante, prejudicando os clientes e os distribuidores”, afirmou.

    Medrano salienta que o governo não deve barrar a importação de insumos químicos e, ao mesmo tempo, liberar a entrada de produtos acabados. “Isso é letal para toda a indústria brasileira e, por tabela, quebra os distribuidores e os seus clientes”, explicou. Ele também defende que todos os produtos, de todas as origens, deveriam seguir as regras de produção e comercialização impostas ao produto local.


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