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5 de outubro de 2004

Distribuição: Perfil retrata os desafios do comércio químico

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Ao tornar público o Perfil do Setor Atacadista de Produtos Químicos referente a 2003, as entidades representativas do setor (Associquim e Sincoquim) salientaram os êxitos alcançados na qualificação e profissionalização das empresas associadas e a maior inserção do comércio brasileiro no panorama internacional, ombreandose a entidades congêneres do porte da NACD (EUA) e FECC (Europa). No entanto, o levantamento setorial evidenciou o principal desafio da atividade: o nível de faturamento registrado pelas empresas do ramo estacionou no mesmo patamar durante os dez últimos anos.

    “A terceira distribuidora do ranking norteamericano fatura mais do que toda a distribuição química do Brasil”, lamentou Rubens Medrano, presidente das entidades. O perfil registrou para 2003 vendas totais de US$ 1,7 bilhão, contra US$ 1,6 bilhão em 2000. “Até o Canadá, cuja indústria química não é tão grande como a americana, obtém US$ 4 bilhões em faturamento na distribuição”. Medrano admite que as empresas brasileiras até têm motivos para justificar o fraco desempenho, entre eles a falta de crescimento econômico do País, os impostos elevados e acumulativos, e o fato de o comércio ser mais onerado que a atividade industrial. “Mas, daqui para a frente, todos devem se questionar sobre o que é preciso fazer para melhorar o próprio desempenho, e discutir as idéias no encontro setorial, o EBDQuim”, afirmou.

    Química e Derivados: Distribuição: noticias_capa. ©QDA comparação entre os dados de 2003 com os de 2002 mostram clara recuperacão de negócios. As vendas internas sem importados cresceram de US$ 617 milhões para US$ 706 milhões, apenas referentes aos segmentos atendidos pelo comércio químico. “No entanto, a participação do setor no total comercializado caiu de 5,99% para 5,13%”, apontou o economista Leonel Tinoco Netto, assessor das entidades da classe e coordenador do perfil. A lucratividade das empresas de comércio encolheu significativamente. A média chegava a 5,03% (líquido) em 2000, decrescendo em 2002 para 3,11%. Já em 2003, a média só alcançou 2,6%. O economista explica essa tendência pelo aumento da concorrência nos vários mercados atendidos, associado à elevação dos custos de vendas, principalmente tarifas públicas. O setor tentou compensar a majoração cortando despesas e buscando reestruturar-se.

    A partir dos dados elencados no perfil, emerge o retrato de um segmento importante da economia, responsável pela ligação entre produtores de produtos químicos e vários segmentos consumidores desses insumos, em especial as pequenas e médias empresas. O comércio químico no Brasil mantém elevada concentração de negócios no Estado de São Paulo (51,7% das vendas, em 2003), embora ofereça cobertura nacional, dado evidenciado pelo fato de 54% das empresas consultadas manterem filiais. O grau de participação de distribuidoras de capital estrangeiro é reduzido em número, porém expressivo em faturamento. “Cerca de 70% das empresas contam com menos de cem empregados, o que as caracteriza como sendo de pequeno porte, pelos critérios do Sebrae”, comentou.

    Expectativas animadoras – Dados preliminares coletados pela Associquim junto aos seus associados apontam para o crescimento das vendas até agosto, da ordem de 24% sobre igual período de 2003. Esse percentual deve ser mantido para todo o exercício. “Vivemos uma fase de recuperação, depois de dois anos muito ruins, mas os indicadores ainda estão abaixo do potencial da economia nacional”, afirmou Medrano. Os negócios estão sendo liderados por companhias exportadoras, enquanto o consumo doméstico de bens ainda segue fraco.

    A analista de economia do banco ABN Amro, Andressa Terzine, aponta problemas para o próximo ano. “O Brasil ganhou mercados com manufaturados porque a economia mundial estava em momento de expansão; mas a tendência para 2005 é de retração, com possibilidade de prejudicar o desempenho exportador do País”, afirmou. Também do ponto de vista das commodities agrícolas, as tendências internacionais indicam redução de preços.

    Para a analista, a economia brasileira deve fechar 2004 com crescimento de 4% sobre 2003, resultado superior ao projetado no início do ano. “O Brasil vive a fase do cobertor curto: quando começa a crescer, começam a surgir problemas, exigindo políticas de contenção”, disse. As deficiências de infraestrutura, principalmente de energia e transportes, limitarão o crescimento de 2005 ao máximo de 5%. Nos dois anos seguintes, o limite cai para 4%, se não forem tomadas medidas urgentes de eliminação de gargalos.

    No quadro macroeconômico, ela elogia o desempenho nacional na formação de superávit primário (receita menos despesa), embora lamente o fato de o País pagar juros muito elevados, que se refletem no elevado déficit nominal. “O governo não consegue formar uma poupança, porque os resultados servem apenas para bancar os juros”, lamentou.

    Em 2005, o câmbio deve manterse comportado. A analista prevê valor médio do dólar em R$ 2,98 durante o período, inclusive nos meses finais. “Caso não apareçam fatores exógenos, não há motivos para flutuações”, comentou. Já em 2006, o real tende a perder valor, chegando a picos de R$ 3,30, movimento justificado por se tratar de ano de eleições.



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