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9 de maio de 2017

Distribuição: Depois de aquisições e adequação de portfólio, setor está pronto para suprir retomada econômica

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados,

    Criativa e flexível, a distribuição química consegue se adaptar rapidamente aos humores do mercado. Como todo o setor produtivo nacional, a atividade comercial enfrentou dificuldades nos últimos anos, acompanhando a vertiginosa queda acumulada de 8% no Produto Interno Bruto (PIB). Mas ela sofre menos que outros setores. Há casos de crescimento de vendas no ano passado, resultado de mudanças de portfólio, prestação de serviços e relacionamento com clientes.

    Química e Derivados, Medrano: ainda há espaço para novas concentrações no setor

    Medrano: ainda há espaço para novas concentrações no setor

    Enquanto uma indústria química se limita a vender os produtos que fabrica para um número pequeno de clientes, os distribuidores podem oferecer uma pletora de itens a uma quantidade muito maior de compradores, atuantes em variados segmentos de atividade. Dessa forma, possuem um “paraquedas” bem grande, capaz de amortecer alguns tombos do mercado. Em 2015 e 2016, porém, poucos segmentos compradores tiveram desempenho positivo. Até o irrefreável mercado dos cosméticos perdeu o fôlego e exibiu um crescimento tíbio (até retração, em alguns casos) de vendas em 2016, contrastando com um histórico de mais de 20 anos de evolução positiva na casa dos dois dígitos anuais.

    A resiliência da distribuição ficou demonstrada em 2016, quando o setor obteve um aumento de vendas da ordem de 2% (em dólares), depois de amargar uma sensível retração em 2015, da ordem de 20%, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim). “Estamos verificando, em 2017, que o mercado parou de cair, e isso é um bom sinal”, avaliou Rubens Medrano, presidente da associação.

    Na sua visão, a crise atualmente está instalada no setor político do país. “É fundamental que as reformas propostas pelo executivo federal sejam concluídas ainda este ano, porque 2018 é ano eleitoral e ninguém votará nada que possa ser interpretado como impopular”, salientou. A possibilidade de atrair investimentos produtivos para o Brasil anda a reboque dessas reformas.

    O quadro macroeconômico de 2017 é muito mais animador que o dos anos anteriores, apresentando redução da inflação e da taxa primária de juros, ambas decorrentes do período recessivo atual. “Há uma expectativa de melhora na venda de bens duráveis dentro desse cenário, mas o desemprego muito elevado, atingindo mais de 13 milhões de pessoas, é um obstáculo”, comentou Medrano. A liberação de recursos das contas inativas do FGTS não se refletiu nas vendas de produtos finais e esse dinheiro deve ter sido direcionado para abater dívidas anteriores.

    Apesar das dificuldades conhecidas, o investimento estrangeiro voltou ao país, concentrando-se em obras de infraestrutura, mas ainda ficam distantes da produção industrial. “Na distribuição química, houve a compra da quantiQ pela GTM, controlada pelo fundo Advent, mas há espaço para novas negociações desse tipo, ou de consolidações”, comentou Medrano.

    Na sua avaliação, os ativos produtivos brasileiros estão sendo cotados a valores muito baixos, atraentes para investidores estrangeiros. “O Brasil voltará a crescer, com certeza, agora é o momento para entrar nesse mercado pagando um ingresso barato”, afirmou. Mas o fator político pesa nessa decisão.

    As empresas internacionais de distribuição que já estão instaladas no país tendem a se interessar pela compra de empresas pequenas, porém especializadas em mercados definidos que façam parte dos planos da adquirente. “Distribuidores nacionais de maior porte são mais interessantes para grandes companhias globais que ainda não tem atuação direta no país, caso, por exemplo, da Azelis”, considerou. A presença no Brasil é fundamental para quem deseja ter uma participação relevante na América Latina. “Tanto aqui, quanto lá fora, o mercado está sendo conservador, ninguém está fazendo loucuras.”

    No plano global, merecem destaque iniciativas de consolidação entre grandes players da indústria química, como Dow e DuPont, Syngenta e ChemChina, entre outros. “Depois desses movimentos, a tendência é de transferir mais negócios e serviços para os distribuidores”, salientou. Mesmo assim, ele recomenda cautela ao pensar em crescimento da estrutura comercial, evitando aumentar demais os custos.

    Notável é o uso crescente da chamada Tecnologia da Informação (TI) na distribuição química, facilitando o relacionamento com fornecedores e clientes, além de permitir a redução de custos mediante o gerenciamento mais racional das operações. “Nesse campo, porém, as distribuidoras de maior parte e mais capitalizadas levam vantagem, porque o investimento necessário para implantar sistemas de TI ainda é elevado”, observou.


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