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15 de outubro de 2016

Distribuição: Comércio químico resiste à crise e planeja ações para crescer no futuro

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Distribuição: Comércio químico resiste à crise e planeja ações para crescer no futuro

    A distribuição de produtos químicos no Brasil, escaldada pela sobrevivência a outros períodos econômicos difíceis, consegue superar a atual crise político-econômica e se prepara para a próxima fase de recuperação. Ainda é cedo para apontar a reversão do mau humor para os negócios locais, mas é muito provável que o Produto Interno Bruto estanque a atual sangria e volte a crescer em exercícios fiscais futuros, pois a economia brasileira é muito grande e diversificada para permanecer mais tempo em retração.

    Ressalte-se que o país vivencia sua pior crise econômica, mais grave ainda que a registrada em 1930-31, única outra ocasião em que houve retração por dois anos consecutivos. Naquela época, em plena hecatombe mundial, iniciada pelo crack da Bolsa de Nova York, em 1929, o biênio resultou em encolhimento de 5% do PIB. Em 2015-16, sem crise global, a retração chegará a 8%. O impacto é inegável, em todas as atividades produtivas.

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    No entanto, o comércio se destaca pela capacidade de adaptação. Na área química, as distribuidoras revisam a cada dia seu portfólio e políticas internas, buscando oferecer o melhor atendimento aos clientes com o maior resultado econômico possível. A sobrevivência depende dessa capacidade de adaptação e, também, de conseguir elaborar um plano de negócios de longo prazo compatível com o momento.

    “As expectativas atuais dos empresários do setor são melhores hoje do que antes do afastamento de Dilma Rousseff, mas todos sabem que não haverá milagres e uma recuperação sensível deve demorar”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim). Em conversas com seus pares, ele identificou que o setor espera a acomodação dos interesses políticos envolvidos, condição para permitir a retomada da economia.

    Como avaliou, há muito capital disponível no exterior para investimentos produtivos. No quadro atual, os países mais desenvolvidos operam com taxas básicas de juros negativas ou próximas a zero e, por se tratar de economias maduras, há poucas oportunidades para novos projetos de fôlego. “Os países emergentes, como Índia, China, Malásia, Vietnã e Brasil, entre outros, disputam esses recursos. Os ativos brasileiros até estão baratos, mas a instabilidade política afugenta os potenciais interessados”, explicou.

    O desempenho do comércio químico reflete o mau momento econômico nacional. “Em 2015, o setor amargou uma queda de 20% de faturamento em dólares; para 2016, espera-se a estabilização desse indicador, com acréscimo de 10% quando cotado em reais”, apontou Medrano. Para ele, a estabilização já seria um bom resultado.

    Como explicou, os empresários do ramo não fixam o olhar apenas no curto prazo, mas miram o futuro. “Os distribuidores fizeram sua lição de casa: reorientaram seu mix de produtos, cortaram custos, tornaram-se mais cuidadosos no controle dos estoques; a crise obrigou a rever negócios e redimensionar operações”, comentou. Em 2015, o setor promoveu pesados ajustes e deve colher os frutos neste ano. “Até o momento, as empresas associadas estão sólidas, não há risco de quebras ou de saída dos negócios”, comentou. Isso é confirmado pelos registros do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo (Sincoquim), entidade sindical patronal de filiação compulsória. Os dados do sindicato não revelam muitos movimentos de abertura e fechamento de distribuidores.

    Na avaliação de Medrano, o número de fechamentos é baixo pela expertise acumulada pelos empresários do ramo ao longo dos anos. E poucos novos concorrentes surgem porque o comércio químico depende de uma infinidade de licenças e regulamentações, cuja obtenção é demorada e cara. Até por esse motivo, o ingresso de companhias estrangeiras no mercado local é mais fácil mediante a aquisição de um player estabelecido.

    Nos últimos anos, Medrano notou um aumento dos investimentos do setor em sistemas de tecnologia da informação. Esses recursos permitem aos empresários acompanhar em tempo real as principais operações de suas empresas, como compras, vendas e aspectos financeiros. “Em tempos de crise, os clientes se preocupam mais com os prazos de pagamento do que com o preço dos produtos, mas a concessão de crédito exige alta capacitação dos profissionais e sistemas que ofereçam respostas rápidas”, salientou. A tecnologia da informação também acelerou os contatos por meios eletrônicos, em detrimento do contato direto entre partes, exigindo capacitar o pessoal de vendas.


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