Economia

25 de junho de 2014

Distribuição: Ampliação do portfólio de produtos e serviços garante vendas e margens

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Carregamento de caminhão adequado para cargas químicas

    Carregamento de caminhão adequado para cargas químicas

    Depois de quase uma década de euforia, a economia brasileira entrou na ressaca, com forte redução na atividade industrial em 2013. Como o setor de transformação é o maior cliente da distribuição química, a dor de cabeça chegou à atividade que, por sua vez, conta com remédios simples e eficazes, como a diversificação de segmentos atendidos, reestruturação de procedimentos e revisão da estratégia de atuação.

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    Além dessas reações internas, soluções mais amplas podem ser aplicadas. É o caso das aquisições, que se tornaram frequentes desde 2012 no setor, com a chegada da Univar ao Brasil, pela compra da Arinos Química, interrompendo uma letargia de muitos anos. Em 2013, a IMCD absorveu participação majoritária na Makeni, agora renomeada IMCD do Brasil, e a mexicana Pochteca adquiriu o controle da Coremal. Neste começo de ano, a Brenntag comprou a distribuição química da Gafor, reforçando a posição em solventes especiais.

    “A vinda de mais distribuidoras estrangeiras ao Brasil é uma tendência natural, mas demorou a acontecer porque há uma complexidade muito grande para desenvolver negócios no nosso país, a começar pela demora do setor público em dar respostas aos pedidos das empresas”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos e do sindicato estadual da categoria, além de vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio).

    Na avaliação de Medrano, o Brasil possui um mercado de tamanho considerável para insumos químicos, contando com amplo território habitado por pessoas que falam a mesma língua e possuem costumes ocidentalizados, com instituições de caráter democrático. Aumenta a atratividade o bom relacionamento histórico com os Estados Unidos e a Europa. “Nenhum distribuidor pode se afirmar global sem contar com uma presença forte no Brasil”, salientou. A Associquim estimou em US$ 6,4 bilhões o faturamento setorial no país em 2012, valor que deve ter sido ampliado entre 1% e 2% em 2013, embora o levantamento econômico ainda não tenha sido concluído.

    De um lado, a chegada das grandes companhias internacionais contribui para melhorar a governança corporativa setorial, trazendo novos modelos de gestão, com grande respeito ao meio ambiente e à segurança. Porém, como efeito colateral, fica patente a concentração de negócios no setor, fato já conhecido de outros ramos da atividade econômica.

    Na análise de Medrano, esse movimento de internacionalização e concentração fará a distribuição química repensar seus negócios. Há mudanças em curso, como informou. Atualmente, os fabricantes exigem que os distribuidores prestem serviços aos clientes, contando com laboratórios próprios para desenvolvimento de aplicação. Além disso, o distribuidor precisa contar com uma estrutura de tecnologia de informação (TI) capaz de interagir com o sistema das distribuídas. “Tudo isso exige investimentos e impõe custos, portanto, deve ser adequadamente remunerado”, recomendou.

    Mesmo a dinâmica da produção química mundial vai acabar afetando a distribuição. “O número de fabricantes de químicos no mundo caiu e a China, que era a fonte de produtos baratos, passou a atender mais o seu mercado interno, levando a um aperto na oferta global de insumos”, avaliou. Ao mesmo tempo, a demanda final ganhou sofisticação, exigindo produtos químicos mais modernos. Para os distribuidores isso é muito bom, pois conduz a um mercado mais qualificado.

    O dirigente setorial lamenta que os distribuidores brasileiros ainda não tenham empreendido exportações, aproveitando a expertise em comércio exterior acumulada com as importações. “A legislação brasileira só dá incentivos para as exportações de fabricantes e não favorece a atuação internacional dos comerciantes, isso precisa ser revisto”, defendeu. A mudança legislativa nesse sentido é uma das reivindicações atuais da Associquim.

    Entre os percalços enfrentados pelo setor, Medrano destaca os eternos problemas com tributos elevados e complicados, deficiências logísticas e custos trabalhistas crescentes. “Os salários estão crescendo muito mais do que a produtividade do trabalho, a conta não fecha, é insustentável”, avaliou. Por mais que se invista em automação e na terceirização de atividades, o peso da folha de pagamento permanece elevado. O Sincoquim participa das negociações salariais da categoria.


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