Química

2 de abril de 2004

Desodorização: Guerra ao mau cheiro estréia novas armas

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Novas tecnologias de eliminação de odores alcançam ótimos resultados, mas a pressão da sociedade ainda é o motor do segmento

    Química e Derivados: Desodorização: odor_abertura. ©QDA indústria química é pródiga em odores. Curtumes, indústrias de celulose e papel, fábricas de pneus ou de borracha, estações de tratamento de esgoto ou de efluentes produzem ou manejam substâncias fétidas, que causam desconforto a quem trabalha, visita ou vive próximo a essas instalações.

    O problema nasceu junto com os empreendimentos químicos industriais e por muito tempo não teve solução tecnicamente eficiente e economicamente viável, quando as opções não eram muitas além de lavadores de gases, filtros de carvão ativado e técnicas de mascaramento. Mas uma nova geração de tecnologias de eliminação de odores está tornando mais confortável a vida de operadores e de moradores, a um custo compatível com as possibilidades das empresas.

    A Glotec, de São Paulo, é representante da canadense Ecolo no Estado desde 1999, e opera com tecnologia de neutralização de odores baseada no fato de que grande parte dos compostos odoríferos (gás sulfídrico, compostos organossulfurosos, hidrocarbonetos, compostos carboxilados, mercaptanas e amônia) é composto por combinações de nitrogênio, enxofre, oxigênio, carbono e hidrogênio. Os produtos da Glotec são misturas de óleos essenciais, compostos orgânicos capazes de reagir quimicamente com as moléculas odoríferas e degradá-las até formas estáveis e inodoras: os átomos de oxigênio, carbono e hidrogênio se recombinam formando água e dióxido de carbono, e os compostos nitrosos e sulfetos são transformados em nitratos e enxofre elementar. Desse modo, diz o gerente de operações da Glotec Aurélio Nunes de Oliveira, o neutralizador não mascara odores, mas os destrói.

    Mesmo assim, muitos dos produtos da empresa possuem leves fragrâncias. Contradição? Não, explica Oliveira: “A eliminação de odor é uma tarefa ingrata. Se a eliminação do cheiro não é completa, qualquer traço de odor compromete o tratamento. As fragrâncias impedem que isso aconteça, pois o produto que não é consumido nas reações químicas libera um odor agradável.”

    O neutralizador também engloba em sua composição tensoativos, que mantêm os óleos essenciais em solução, e um carrier que provoca o arraste do produto, entre outros componentes. Para essa função, é muito utilizado o álcool isopropílico, cuja elevada pressão de vapor proporciona uma velocidade de dispersão muito alta. O álcool, por si só, também tem certa capacidade de eliminação de odores.

    A neutralização, segundo Oliveira, é adequada para baixos níveis de concentração dos contaminantes. Em níveis elevados o preço do tratamento é impeditivo, pois o consumo de produto é muito grande. “Nesses casos, a neutralização pode ser associada às outras tecnologias disponíveis. Um lavador de gases pode reduzir o nível do contaminante em até 80% a 90%, e o neutralizador faz o ajuste fino se a concentração remanescente ainda causa incômodo às pessoas”, diz Oliveira.

    A aplicação dos produtos é feita nos arredores do local de emissão do odor, e requer bombas, um sistema de distribuição com tubos e bicos atomizadores. A seleção do neutralizador correto se vale da experiência acumulada pela Ecolo no seu maior mercado, o norte-americano, cuja diversidade de indústrias e desafios propiciou o acúmulo de informações e a possibilidade de analogias com os problemas enfrentados pelos clientes da Glotec no Brasil. Dessa feita, como o produto para cada tipo de odor já é definido, o ajuste do tratamento para cada demanda específica é feito pela diluição do produto concentrado, pela freqüência de pulverização, pela duração de cada pulverização e pela quantidade de bicos atomizadores.

    O principal filão para a Glotec tem sido o de produtos alimentícios, em geral, e o de alimentos para pets, em particular. Mas as aplicações são inúmeras. Na Alemanha, segundo Oliveira, caminhões de lixo utilizam o sistema. Pás carregadeiras, muito utilizadas em usinas de compostagem de lixo, também podem ser equipadas (o compressor da própria pá é utilizado para aplicar o produto). Mas, para ele, nem por isso esse é um mercado fácil, pois as iniciativas para a solução do problema de odor, no País, em geral surgem quando há manifestação negativa da comunidade próxima ao gerador dos odores.

    A Glotec importa seus óleos essenciais e os mistura no Brasil. O equipamento de aplicação também é montado pela empresa, mas os bicos atomizadores são importados. Segundo Oliveira, os similares nacionais não produzem gotículas com o diâmetro requerido, e necessitariam de ar misturado ao líquido para que diâmetros menores fossem atingidos, mas um compressor associado ao sistema de aplicação o encareceria a ponto de inviabilizar a tecnologia.

    A GE Betz também possui eliminadores de odor à base de óleos essenciais (neutralizantes), que completam uma linha de produtos com outras duas famílias, as de seqüestrantes e de inibidores. Conforme explicou Fernando Uebel, gerente de marketing, os seqüestrantes, usados no controle de odores derivados do gás sulfídrico, reagem com o gás e sulfetos em solução, produzindo compostos estáveis e solúveis organossulforados, e impedem que o gás sulfídrico contamine o meio ambiente. Essa linha de produtos está em sua segunda geração (na primeira era usada triazina) e pode ser aplicada tanto diretamente em efluentes quanto em etapas de processo. “Esse produto é muito utilizado na extração de petróleo”, afirma Uebel.


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