Tecnologia Ambiental

15 de maio de 2012

Desmineralização de água – Osmose reversa e troca iônica dividem obras e amenizam disputa

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    química e derivados, desmineralização de água

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    mercado de sistemas para desmineralização de água está mais maduro, tecnologicamente falando. Discussões que no passado recente eram comuns no Brasil, sobretudo as que envolviam a escolha entre unidades de membrana de osmose reversa ou colunas de resinas de troca iônica, começam a ficar para trás. De forma geral, hoje fornecedores dos sistemas e os grandes consumidores de água desmineralizada têm mais noção de quando optar por um ou outro sistema, sabendo adequar seus limites e vantagens às condições das águas de entrada e ao perfil operacional da indústria em questão.

    O amadurecimento é resultado da experiência acumulada em muitas unidades instaladas pelo país. Erros na escolha de tecnologias, problemas com a operação e dificuldades na manutenção ajudaram no aprendizado do mercado. Uma das primeiras grandes usuárias de unidades de osmose reversa, a Petrobras, por exemplo, repensou sua adesão em algumas recentes ampliações de refinarias, voltando à tecnologia de troca iônica depois de ter problemas na operação das unidades (ver QD-496, abril de 2010). As resinas, no entendimento dos especialistas, aceitam mais erros operacionais, ao contrário das membranas, delicadas, e cujas estações têm certo grau de sofisticação. E os operadores da petroleira, na área de gestão de utilidades, são famosos no mercado por não serem dos “mais bem qualificados”.

    As descobertas no dia a dia das estações de desmineralização levaram os clientes e as empresas de engenharia a ter maior discernimento na hora dos projetos. No geral, a osmose reversa passou a ser mais recomendada para locais em que há muita salinidade, acima de 1.000 mS/cm, ou em que não há muita contaminação orgânica, um agravante para a operação nas membranas, afetadas pela formação de biofilme (biofouling ou bioincrustação) nas camadas reativas. Também consta como recomendação inicial para a escolha saber se o cliente tem limitação no uso de produtos químicos na unidade, por questão ambiental ou logística. Nesse caso, as resinas de troca iônica não são as mais indicadas, por demandarem regeneração constante, ao se saturarem, com soda cáustica e ácidos.

    “O determinante para a escolha é a análise do capex [custo de investimento] e do opex [custo operacional] do projeto, levando em conta as duas tecnologias”, disse André Belarmino Sousa, o gerente de conta da Dow Water & Process Solutions, empresa com portfólio extenso de resinas de troca iônica e de membranas. E essas análises nada mais serão do que a confirmação do aprendido, ao longo dos anos, na prática das estações. “A osmose reversa precisa da garantia de uma água de entrada com melhor qualidade, caso contrário ela pode sofrer no longo prazo com a contaminação microbiológica ou no curto prazo com a ação de oxidantes. Já a resina aceita mais desaforo operacional e inconstância na qualidade da água, qualquer problema basta aumentar as regenerações”, explicou.

    O cuidado com a osmose reversa, aliás, faz a Dow colocar como foco nos seus fornecimentos de componentes para tratamento de água as membranas de ultrafiltração, incluídas em seu portfólio desde a aquisição da chinesa Omex em 2006, cuja fábrica em Zhejiang já está adaptada ao padrão do grupo norte-americano, segundo afirmou o especialista em marketing da Dow, Felipe Pinto. “Estamos totalmente envolvidos, globalmente, em promover a ultrafiltração como pré-tratamento da osmose, porque ela garante a integridade do sistema com uma substancial redução de custos com químicos”, disse Felipe.

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    Ultrafiltracao da Dow: membranas interconectadas

    Prova maior da aposta da Dow na ultrafiltração é o fato de a garantia de suas membranas de osmose reversa Filmtech ser ampliada de três para cinco anos se a tecnologia for empregada como pré-tratamento. “É o ideal. Nos países desenvolvidos, nem se discute. Antes da osmose reversa, não tem sentido ter uma ETA convencional. É como colocar gasolina adulterada em uma Mercedes”, comparou Sousa.

    As membranas oriundas da Omex são do tipo espaguete de PVDF de fibra oca com poros de 0,03 mícrons, dispostas em três linhas (33 m2, 51 m2 e 77 m2 de área ativa). A fabricação desse polímero garante alta resistência a oxidantes, suportando até 5 mil ppm de cloro. “Isso permite o uso antes da ultrafiltração de produtos para precipitar metais e oxidar matérias orgânicas”, explicou Sousa, completando que após a passagem da ultrafiltração basta colocar filtro de carvão ativado para remoção do cloro, prejudicial à osmose reversa. Antes da ultrafiltração, a Dow recomenda pré-filtro para remoções de 150 a 300 mícrons (aliás, a Dow comprou recentemente a empresa especializada em macrofiltração CFT, fabricante do filtro Turboclone, apropriado para essa etapa).

     


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