Tecnologia Ambiental

15 de abril de 2011

Desinfecção – Alternativas ao cloro melhoram qualidade da água, com segurança

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Desinfecção, radiação UV, tratamento de água e efluentes

    A

    firmar que o cloro, até então o grande agente de desinfecção de água empregado no Brasil e no mundo, esteja com os dias contados é algo ainda longe de se tornar realidade. Seu baixo custo aliado à eficiência e à praticidade para manter protegida a água potável devem mantê-lo como opção tecnológica corrente. Mas também não é exagero acreditar que há uma procura por alternativas ao halogênio em várias etapas do tratamento de água e efluentes ou esgotos, tanto por razões técnicas como ambientais. O fenômeno é mais visível em países desenvolvidos, é bom lembrar, onde há controles – ambiental e de segurança ocupacional – mais rigorosos nas estações de tratamento, e mais tímido no Brasil e nos demais países em desenvolvimento, ainda um pouco atrasados em tão importante tema.

    As primeiras grandes reviravoltas para o mundo correr atrás de alternativas de desinfecção e oxidação para além do cloro vieram das descobertas sobre seus subprodutos gerados na água. Em contato com matéria orgânica que contenha ácidos fúlvicos e húmicos (por exemplo, resíduos de solos e de plantas), o cloro reage formando os trihalometanos (THMs), acusados de serem cancerígenos e de causarem outros efeitos maléficos à saúde. Além disso, também formam os ácidos haloacéticos (HAA5), que comprovadamente causam certos tipos de cânceres em animais de laboratório.

    Mas não foi só isso que fez o cloro ser visto com outros olhos. Um problema da mesma forma grave é o fato de o oxidante também não ter provado eficiência contra alguns microrganismos que chegaram a causar mortes por infecção nos Estados Unidos e no Canadá e que envolvem riscos generalizados por serem agentes comuns de diarreia infecciosa. Além de sua ação ser considerada fraca contra vírus e cistos, suas principais deficiências se revelam contra os protozoários Cripstoporidium (um dos três principais agentes de diarreia infecciosa) e os cistos de Giardia lamblia. Essa ineficiência fez muitas cidades de países desenvolvidos passarem a incluir novos tratamentos em suas estações. O mesmo não ocorreu no Brasil, visto que aqui há pouco controle e monitoramento sobre esses parasitas.

    Para finalizar, os riscos no transporte e no armazenamento do gás cloro – a maior opção das estações tradicionais – também são outro grande fator para motivar o uso de tecnologias alternativas. Muitos países europeus proibiram o transporte de gás cloro e outros devem fazer o mesmo. Não por menos, na Europa, cresce muito a utilização de desinfetantes e oxidantes gerados on-site, dentre os quais não apenas opções alternativas como o dióxido de cloro, o ozônio ou a radiação UV, mas também o emprego de geradores de cloro, os eletrolisadores in-situ, que produzem o halogênio na forma gasosa ou líquida por meio da eletrólise da salmoura.

    Os crescentes problemas contra o cloro fizeram as legislações de vários países adotarem restrições, principalmente para controlar os THMs e os HAA5. As medidas incentivaram substituições de clorações, principalmente em etapas como a pré-oxidação feita logo após a captação da água em mananciais, hora em que há muita matéria orgânica com potencial de formação dos subprodutos, ou na desinfecção final dos esgotos tratados, etapa também sujeita à formação dos compostos cancerígenos.

    Países como Canadá, Estados Unidos e a Europa Ocidental em geral passaram então a empregar com bastante frequência tecnologias como a radiação por raios ultravioleta (UV), o ozônio, o ácido peracético, o peróxido de hidrogênio, o hipoclorito de cálcio, o dióxido de cloro e outras técnicas que envolvem misturas de desinfetantes. Enquanto isso, no Brasil, embora existam restrições legais aos THMs, o que se vê são apenas algumas municipalidades tomarem medidas nesse sentido. A grande maioria das companhias de saneamento, incluindo aí as maiores delas (Sabesp, Sanepar etc), faz vista grossa ao problema, com a anuência dos órgãos fiscalizadores, e parece não se importar em usar o cloro cada vez mais.

    Segredo é a sinergia – A substituição não significa o total abandono do cloro, mas o seu uso racional, deixando de torná-lo o agente central de desinfecção. A tendência considerada a mais determinante, evidenciada pelo ocorrido em larga escala nos países desenvolvidos, é a sinergia entre as tecnologias desinfetantes. Isso não só pensando nos chamados processos oxidativos avançados (POA), nos quais dois ou mais oxidantes são unidos, mas em concepções simples de tratamento, pelas quais a desinfecção da água é feita por um oxidante mais forte, como o ozônio, para após isso ser adicionado o próprio cloro, em uma dosagem baixa para ser deixado como residual na água.


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