Defensivos Agrícolas e Fertilizantes

31 de agosto de 2004

Defensivos: Ferrugem da soja faz crescer o mercado de fungicidas

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Publicado por: Renata Pachione
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    Aparecimento da doença altera a distribuição dos negócios com agroquímicos, ainda liderada por herbicidas

    Química e Derivados: Defensivos: defensivos_abre. ©QD Foto - Stock PhotosCausador da ferrugem asiática, o fungo Phakopsora pachyrhizi redesenhou o cenário do agronegócio nacional. De acordo com levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a doença gerou gastos da ordem de US$ 2 bilhões, durante a safra da soja de 2003/2004. Essa soma abarcou as despesas com o controle químico e as perdas na colheita – os agricultores registraram prejuízo de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja. No entanto, nem só infortúnios produz um sinistro. Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) estimam aumento da ordem de US$ 300 milhões, nas vendas de fungicidas para soja, entre 2002 e 2003.

    Química e Derivados: Defensivos: Da Ros -  exportações registram US$ 380 milhões em 2003. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Da Ros – exportações registram US$ 380 milhões em 2003.

    “Esse incremento não se refere só à ferrugem asiática, mas a principal contribuição foi da doença”, ressaltou o diretor-executivo do Sindag José Roberto Da Ros. O mercado de defensivos agrícolas como um todo se beneficiou da situação. Em 2003, o setor registrou vendas de US$ 3,1 bilhões.

    Por conta desse avanço, a participação dos fungicidas também se reposicionou no setor. No ano passado, o grupo de defensivos respondeu por 23% das vendas totais, representando aumento de 5%, frente a 2002. “Hoje a demanda maior é de fungicidas”, afirmou o diretor da Milenia Agro Ciências Luiz César Guedes. Por tradição, os herbicidas bancam a maior parte do consumo, sobretudo no que tange as culturas de soja, cana-de-açúcar, milho, arroz e algodão. Em 2003, essa classe continuou com a maior fatia do mercado: 49% das vendas.

    Mas perdeu pontos percentuais, em relação a 2002, quando somou 51%. O mesmo aconteceu com a classe de inseticidas; o consumo passou de 24%, em 2002, para 23% no ano seguinte. O restante do setor se divide entre os acaricidas (2,5%) e os fitoreguladores e adjuvantes.

    Soja em alta – Para Guedes, os ganhos não foram apenas quantitativos, pois a venda de fungicidas requer aparatos sofisticados, ao contrário da dos herbicidas. “Esse defensivo é um produto de alta qualidade técnica”, comentou.

    Química e Derivados: Defensivos: Tassára -  todos os cultivos nacionais estão crescendo. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Tassára – todos os cultivos nacionais estão crescendo.

    Na avaliação do gerente de marketing Brasil da Divisão Agro da Basf David Tassára, todas as culturas vêm crescendo, mas a soja foi uma das culturas que mais impulsionou o mercado, nesta última safra. Especialistas do setor prevêem, para a próxima safra da soja, aumento de 3 milhões de hectares da área cultivada no País.

    Em 2002, os principais consumidores de defensivos agrícolas foram São Paulo – responsável por 22% das vendas – e Mato Grosso e Paraná, cada um respondeu por 16% do total. Não por acaso, esses dois estados são os maiores produtores de soja no País, nesta ordem. No ano passado, essa cultura respondeu por 44,2% do total das vendas dos agroquímicos no País.

    O algodão veio em seguida, com 10,4%. As culturas de milho e cana-de-açúcar ficaram logo atrás, com 8,4% e 8,0%, nesta ordem, segundo dados do Sindag. Na avaliação do diretor de marketing da Syngenta Proteção de Cultivos Renato Guimarães, em três anos, o plantio de soja e algodão aumentou mais de 7 milhões de hectares.

    Esse cenário estimula perspectivas positivas. O presidente executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) Cristiano Walter Simon aponta o avanço das culturas da soja e do algodão, como uma das principais potencialidades do setor. Para a primeira, estima crescimento do valor do mercado de 15%, enquanto para o algodão, a previsão é de 10%. De acordo com ele, a área plantada dessas duas culturas deve expandir até 5%, leia-se nas entrelinhas, aquecimento nas vendas dos agroquímicos. Para Simon, nos últimos três anos, o algodão se mostrou com grande potencial para a ascensão do mercado de defensivos.

    Química e Derivados: Defensivos: Simon -  fruticultura tem potencial para crescer. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Simon – fruticultura tem potencial para crescer.

    “Essa cultura vem tomando espaço da soja em algumas regiões, sobretudo no Mato Grosso”, contou. A título de comparação, em 2002, o algodão respondia por 9,09% das vendas do setor de defensivos agrícolas, ficando atrás da cana-de-açúcar, na época responsável por 11,5% do consumo.

    Além das culturas tradicionais, as vendas dos agroquímicos têm apontado novos rumos para os fabricantes, sobretudo em relação à fruticultura. Na opinião de Simon, apesar de não ser um mercado novo para o setor, esse segmento tem evoluído a ponto de ser considerado o de maior potencial de crescimento para os próximos anos, em função do interesse dos mercados internacionais pelas frutas brasileiras.

    Em expansão – Independente das particularidades de cada cultura, o mercado nacional de defensivos agrícolas inspira bons negócios. As vendas de 2003 (US$ 3,1 bilhões) confirmam o potencial do setor. Para se ter uma idéia, em 2002, o faturamento foi de US$ 1,952 bilhão e no ano anterior, US$ 2,287 bilhões. Apesar das taxas positivas, o ano de 2002 não serve como parâmetro. Para Simon, nesta época as empresas faturaram menos, porque o nível de estoques dos distribuidores estava muito elevado. No entanto, o mercado pode ser avaliado em cerca de US$ 2,4 bilhões, se considerado o volume de defensivos agrícolas efetivamente destinado ao campo, ou seja, em uso. “O ano de 2002 foi de ajustes”, completou Tassára.


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