Defensivos Agrícolas e Fertilizantes

5 de agosto de 2001
 

Defensivos: Defensivos agrícolas ampliam mercado

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Vendas no Brasil somam US$ 2,5 bilhões, apoiadas na importação dos produtos técnicos que deve ser revertida a partir da fabricação em escala mundial do glifosato, na Bahia, e da revisão da norma de registro dos genéricos

    Química e Derivados: Defensivos: foto07.

    O

    potencial agrícola do Brasil sempre foi apontado como fator estimulante para o desenvolvimento de forte indústria local de defensivos químicos para lavouras. Desde o fim da era da “substituição de importações”, encerrada a canetadas no governo Collor, acentuou-se o papel da atividade como formuladora de artigos finais, partindo de produtos técnicos importados, agravando o déficit comercial do setor químico, estimado em US$ 6,5 bilhões no ano passado.

    Química e Derivados: Defensivos: Da Ros - custo de novas moléculasvai ficar ainda mais elevado.

    Da Ros – custo de novas moléculasvai ficar ainda mais elevado.

    O mercado efetivo de produtos químicos para defesa agrícola é avaliado em US$ 2,5 bilhões no Brasil, segundo levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). Os segmentos-líderes são os herbicidas, com 52% das vendas, e os inseticidas, com 27,5%. Apesar dos números expressivos, que colocam o País como terceiro mercado do mundo para defensivos, ao lado do Japão e atrás dos Estados Unidos e da comunidade Européia, eles encobrem um potencial ainda maior. “Em termos de aplicação de produtos por hectare cultivado, o Brasil está na décima posição, com 3,2 kg/ha”, informou o presidente do Sindag, José Roberto Da Ros, para quem a produção anual de 100 milhões de t de grãos é irrisória para o potencial das terras brasileiras.

    A maior parte do custo de um defensivo agrícola refere-se ao produto técnico, denominação dada ao ingrediente ativo (molécula específica) agregada a resíduos de síntese de difícil separação. Dentro da estratégia de globalização de negócios, as grandes transnacionais optaram por elaborar os produtos técnicos em um ou poucos lugares para abastecer todo o consumo do mundo, induzindo a especialização das unidades produtivas. No Brasil, algumas delas foram fechadas, enquanto outras se tornaram fornecedoras regionais ou mundiais de produtos técnicos. De qualquer forma, as importações de defensivos (compreendendo desde os ativos até os produtos acabados) subiram de 57,7 milhões de unidades (kg ou litros) para 64,8 milhões, de 1997 a 2000, segundo estatísticas do Sindag.

    O movimento de globalização coincidiu com a abertura comercial brasileira, iniciada em 1990, e com o fenômeno de concentração de negócios na indústria de especialidades químicas, resultando na formação de gigantes, como a Novartis (parte da Ciba-Geigy com a Sandoz). Muitas dessas companhias resolveram separar a área de defensivos agrícolas das demais atividades, desmembrando o chamado grupo de “ciências da vida”. Além das diferenças de escopo e comportamento de mercado, usuais justificativas para o movimento, pesou a favor da separação as fortes pressões ambientalistas sobre a opinião pública. Desde a década de 60, a fabricação e o uso de defensivos foram eleitos vilões ambientais, situação agravada pela aproximação com a engenharia genética. Muitas companhias internacionais, com capital em bolsa de valores, temem os efeitos de campanhas públicas contra a imagem corporativa.

    “Há muito exagero nas campanhas ambientalistas”, considera o presidente do Sindag José Roberto Da Ros. “As normas sobre agroquímicos já são até mais restritivas do que as dos produtos farmacêuticos.” As afirmações são coerentes. Geralmente, em face do apelo “ambiental”, a resposta dos governos dos vários países, o do Brasil incluído, consiste em editar normas ainda mais exigentes. Como a cada ano os instrumentos analíticos ficam mais precisos e sensíveis, os limites estabelecidos para os agroquímicos se tornam paulatinamente mais estreitos.

    “Por isso, o custo de desenvolvimento e registro de novas moléculas, hoje estimado em US$ 200 milhões, vai aumentar”, explicou Da Ros. Cada novo produto agroquímico deve apresentar vantagens significativas sobre os já disponíveis no mercado quanto à economicidade, ou seja, menor custo total de tratamento por área ou unidade produzida. Além disso, devem comprovar que não apresentam efeitos negativos sobre o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores que manuseiem ou apliquem o produto, nem podem deixar resíduos indesejáveis nos alimentos tratados. Dessa forma, a possibilidade de encontrar novas moléculas é cada vez menor. “Antes, a chance era de 1 para 5 mil moléculas estudadas, agora essa relação é de 1 para 50 mil, e está piorando”, afirmou.

    As vantagens dessas restrições podem ser resumidas em duas: a oferta de produtos cada vez menos nocivos ao homem e ao ambiente, além de mais eficientes, e a possibilidade de adaptar essas moléculas para uso nas linhas voltadas para saúde humana e animal ou, ainda, nos domissanitários. “O pacote de análises e ensaios toxicológicos é o mesmo para todas essas áreas e pode ser usado nos outros registros”, explicou.

    Dadas as dificuldades de descoberta e registro, as companhias investem em inovações que possam ser aplicadas em todos os países do mundo. “Nem mesmo o mercado norte-americano, o maior do mundo, sustentaria isoladamente o desenvolvimento de nova molécula”, disse Da Ros.


    Página 1 de 612345...Última »

    Compartilhe esta página






      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next