Tratamento de Água

29 de abril de 2014

Crise Hídrica: Soluções para evitar colapso passam por combate a perdas, mais reúso e investimentos

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Sistema Cantareira: estiagem acionou alerta vermelho em SP

    Sistema Cantareira: estiagem acionou alerta vermelho em SP

    Precisou ocorrer um momento crítico de estiagem, o pior nos últimos cinquenta anos, para a sociedade se atentar para o óbvio: a água nas regiões metropolitanas, em específico em São Paulo, é tão escassa como em áreas desérticas do mundo. E isso não por causa da geografia local, mas principalmente em razão da grande e crescente densidade populacional e em virtude também da poluição dos rios locais, que obrigam os responsáveis pelo saneamento a captar o recurso a distâncias cada vez maiores.

    Não custa lembrar que a RMSP tem disponibilidade hídrica de apenas 201 m³/habitante/ano, índice inferior a regiões do semiárido nordestino, sendo que a ONU preconiza como nível adequado 2.500 m³/habitante/ano, no mínimo. Situação que não é abrandada pelo fato de a concessionária local, a Sabesp, captar água de mananciais distantes até 70 km do centro da capital, como no caso do sistema Cantareira, responsável por mais de 50% do abastecimento e com águas aduzidas parcialmente em bacias hidrográficas em território mineiro, nos contrafortes da Serra da Mantiqueira.

    A reação imediata e mais lógica após a constatação desse cenário é saber o que fazer para evitar que a região entre em colapso hídrico e institua na ordem do dia racionamentos, o que ficou e ainda está próximo de acontecer, visto que a situação já provocou até paradas em indústrias no começo de fevereiro, como ocorreu por mais de uma semana com a Rhodia, em Paulínia, que não tinha como continuar a captar água do rio Atibaia para alimentar o sistema de refrigeração da unidade de poliamida e intermediários.

    Várias ações – As opiniões dos experts no assunto não são muito divergentes, têm apenas variações de ênfases. De forma geral, é um consenso que são várias as ações que precisam ser levadas em conta. Não há uma fórmula mágica para tornar o sistema de abastecimento da região da macrometrópole paulista mais confiável.

    Química e Derivados, Morgado defende punição para desperdícios e aumento do reúso

    Morgado defende punição para desperdícios e aumento do reúso

    Para o consultor da GO Associados, Marcelo Morgado, que por muitos anos foi assessor especial da presidência da Sabesp, há três chaves para atacar a crise. A primeira delas é o esforço para reduzir o consumo residencial, já que na região metropolitana ele é responsável por 85% do total (contra 10% na média brasileira). A ação, que inclui campanha na mídia para conscientização da população e educação ambiental, deve ser frequente e, segundo ele, sua parcial implementação rendeu frutos: nos últimos dez anos, um programa da Sabesp (Pura – Programa de Uso Racional de Água) provocou redução de 11% do consumo na região metropolitana (de 17,08 m3/hab./mês, em 2001, para 14,30 m3/hab./mês, em 2011).

    Mas a questão da redução do consumo doméstico precisa ir além das campanhas e programas de educação ambiental. Uma medida emergencial adotada em São Paulo agora na crise, a de criar bônus de desconto para quem abaixar o consumo, pode surtir efeito no curto prazo. Porém, no entendimento de Morgado, baseado em estudos feitos por várias pesquisas internacionais, trata-se de uma medida paliativa, que não surte o mesmo efeito da ação coercitiva, ou seja, de punição para aqueles que desperdiçam água aleatoriamente.

    Na opinião do consultor, um projeto de lei em regime de aprovação urgente na Câmara Municipal, de número 737/2013, de autoria do vereador Gilberto Natalini (PV), pode ajudar nesse cenário ao impor punições para pessoas que utilizem água potável distribuída para limpeza de calçadas. O PL determina que a limpeza de calçadas, estacionamentos e outros logradouros externos de acesso público deverá ser feita por varrição, aspiração e outros recursos que prescindam de lavagem, exceto quando a água for de reúso ou de reaproveitamento da chuva. E carros também não poderão ser lavados em vias públicas com mangueiras.

    Química e Derivados, Membranas reúsam mil litros/s de esgoto para o polo petroquímico

    Membranas reúsam mil litros/s de esgoto para o polo petroquímico

    A opção pela punição, em vez da criação de bônus para quem economizar, segundo a experiência internacional, é mais eficaz, porque o bônus no longo prazo acarreta um prejuízo para a companhia de saneamento, que já sofre sérios problemas de arrecadação. O descumprimento das determinações começa com uma advertência, seguida por nova advertência e comparecimento do responsável pelo imóvel para palestra educativa. A seguir, há uma punição de R$ 200,00 com valores dobrados após novas reincidências, sendo que a multa será corrigida anualmente pela variação do IPCA. Aliás, São Paulo está adotando a medida, que deve ser colocada em prática nos próximos meses, até de forma atrasada. Cidades do interior, como Valinhos, Cosmópolis, Limeira e Vinhedo já punem os dilapidadores e com multas superiores, que chegam a R$ 1.600,00, caso de Vinhedo.


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