Couro e Curtumes

7 de novembro de 2001

Couro: Gaúchos criam central de resíduos industriais

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Empresários se unem, investem cerca de R$ 1,5 milhão na construção de unidade receptora do lixo industrial das fábricas de calçados e curtumes, e evitam despejo mensal de 230 toneladas de resíduos nos aterros

    Química e Derivados: Couro: ©QD - Carlos A. Silva.

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    parceria da Prefeitura Municipal de Três Coroas com o Sindicato da Indústria de Calçados originou o Centro Informatizado de Controle e Estocagem de Resíduos Sólidos, no vale do Paranhana, região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Inaugurado em setembro, o sistema exigiu R$ 1,5 milhão investidos na Central de Triagem, com capacidade para armazenar 230 toneladas de lixo industrial geradas mensalmente pelas fábricas de calçados e curtumes. Do total investido, o sindicato entrou com R$ 600 mil e terá de gastar R$ 190mil/ano com a operação do sistema, custo que será rateado entre as empresas associadas à entidade. “Nós temos a obrigação de cuidar do meio ambiente”, afirma Ricardo Schmitt Müller, presidente do sindicato.

    Com a inauguração do centro de controle, resíduos tóxicos como o cromo deixam de ser despejados no aterro sanitário da cidade. “A população inalava aquele ar sujo, fruto da queima desses materiais. Os rios Paranhana, Sinos e Guaíba também sofriam muito com o impacto da poluição”, assinala Müller.

    Inconformados com o problema, os empresários vinham estocando os detritos em galpões alugados desde 1996.

    Química e Derivados: Couro: Para Müller cuidar do ambiente é obrigatório.

    Para Müller cuidar do ambiente é obrigatório.

    Assim que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) liberou a licença para a operação, dez mil toneladas de lixo industrial foram despejadas na Central, com capacidade para receber os resíduos gerados nos próximos dez anos. Os resíduos saem das empresas já separados, embalados e identificados por código de barras, que os classifica por tipo, periculosidade, peso, data e origem. Quando as indústrias terceirizam parte de sua produção, mesmo para fornecedores sediados em outros municípios, estes entregam seus resíduos junto com o produto. O material não reciclável é depositado no aterro de resíduos industriais perigosos (ARIP), ao abrigo da chuva, em quatro valas diferentes para permitir a localização quando a ciência e a tecnologia viabilizarem seu uso como matéria-prima. A área de 5,5 hectares tem nove poços e um lago para monitoramento permanente das águas subterrâneas e superficiais.

    O volume destinado à reciclagem é crescente. Em 97, apenas três das 68 categorias de rejeitos encontravam colocação. Neste ano, já são dez. Bom exemplo é a exportação de aparas de couro curtido ao tanino para a empresa alemã Henkel Dorus GMBHECO KG, que já comprou 48 toneladas, pagando R$ 0,17 por kg. O material reciclável só é vendido a empresas credenciadas pela Fepam.

    O sindicato criou ainda um selo ambiental para aplicar nas caixas dos sapatos com objetivo de divulgar o trabalho junto aos consumidores. O próximo passo agora será partir para a reciclagem, uma vez que 27% dos detritos podem ser reprocessados. “O preço do material reciclado é insignificante, mas o fundamental é nos livrarmos dos custos de manutenção desses resíduos”, acrescenta Müller.

    Os 73% restantes dos resíduos (não recicláveis) da indústria calçadista de Três Coroas são embalados e enterrados em valas especialmente projetadas para essa finalidade, o que segundo o presidente do sindicato trata-se de iniciativa inédita no Brasil. De acordo com dados da Fepam, o mercado de reciclagem está em plena expansão. Segundo o presidente da instituição, Nilvo Alves da Silva, nos últimos quatro anos, o surgimento de novas tecnologias duplicou as possibilidades de reaproveitamento dos resíduos industriais. A Fepam considerou exemplar a iniciativa dos fabricantes de calçados de Três Coroas, que respondem por 5% da produção gaúcha de calçados, o equivalente a 16 milhões de pares/ano.

    Para produzir 670 milhões de pares este ano, a indústria brasileira de calçados vai gerar cerca de 120 mil toneladas de resíduos. Destas, 37.200 toneladas são de restos de couro curtido ao cromo, metal pesado cujo perigo para a vida é equivalente ao do mercúrio nível um de periculosidade pela ABNT.

    A apresentação do sistema contou com a presença das principais autoridades ambientais do Rio Grande do Sul, liderada pelo Secretário Estadual do Meio Ambiente, Cláudio Langoni, e o presidente da Fepam. Participaram ainda o presidente do Sindicato das Indústrias de Três Coroas, que lidera o projeto, o prefeito municipal Orlando Teixeira dos Santos e empresários do setor calçadista, além de engenheiros e técnicos sanitários e ambientalistas.

    Cidade Verde – Três Coroas, 20 mil habitantes, no Vale do Rio Paranhana, a 92 km de Porto Alegre, adotou o nome de “Cidade Verde” e inclui ecologia no currículo das escolas municipais, que atendem metade de seus 4.500 estudantes. O sindicato promove palestras de conscientização e ajuda escolas e entidades comunitárias na venda de resíduos domésticos para reciclagem. A creche Casa de Recreação Arca de Noé já recolheu oito toneladas e, com sobras de couro sintético, produziu 2.800 pastas e 1.700 estojos escolares. Também são confeccionadas sacolas de compras para substituir os habituais sacos plásticos descartáveis.

    O rio Paranhana, beneficiário da ação, é afluente do rio dos Sinos, que alimenta o estuário do Guaíba. Juntos, os dois primeiros banham a principal região produtora de calçados do País. Os 4.200 trabalhadores das indústrias de Três Coroas produzem 16 milhões de pares anuais.


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