Couro e Curtumes

26 de junho de 2003

Couro: Fimec lança novos insumos para curtumes

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    indústria de curtumes brasileira não pára de crescer e há muito tempo se transformou em mercado estratégico do setor químico. As estatísticas não são exatas, mas os negócios com produtos e substâncias que vão das comodities até composições mais sofisticadas empregadas nas etapas de recurtimento ultrapassam os US$ 500 milhões por ano em faturamento bruto. Segundo o Centro Brasileiro das Indústrias de Couro (CBIC), o País abateu 32,5 milhões de cabeças de gado bovino em 2002 e o crescimento para 2003 aponta mais 3 milhões de animais que irão para os frigoríficos. Em 2000, as exportações de carnes renderam US$ 760 milhões na balança de exportações, enquanto que o setor de couros e manufaturados atingiu US$ 2 bilhões. Em 2002, os valores chegaram a US$ 3 bilhões e a perspectiva para 2003 é que os curtumes continuem crescendo na mesma proporção.

    Somente o curtimento demanda 12 etapas. Tudo começa com o remolho para desidratar a pele e cessar a decomposição bioquímica, a partir da adição de sal, bactericidas, substâncias tensoativas e água. Nas etapas seguintes entram aminas, enzimas, mais bactericidas, ácidos sulfurosos nas suas diversas configurações, combinações de sais e ácidos para equilibrar o pH, até chegar ao wet blue que é a última etapa de curtimento e precede o recurtimento, o semi-acabamento e acabamento. De acordo com o empresário Milton Kogler, da MK Química, a indústria de compostos para curtumes tem um crescimento vegetativo médio de 2,6% ao ano e permanecerá assim em 2003. No entanto, o faturamento vem registrando média de 1%, conseqüência de um mercado altamente acirrado, o que vem estrangulando os preços.

    Kogler entrou no mercado há 24 anos, fabricando uma linha completa de produtos desde o curtimento até os pigmentos, vernizes, óleos engraxantes e lacas utilizadas no acabamento. “Nós estamos sempre inovando na tecnologia para melhorarmos os produtos. Não esperamos as feiras e eventos para lançamentos, sempre buscando nos adiantar com relação ao mercado. Temos o que chamamos de reserva tecnológica”, diz Kogler. De qualquer forma, a MK não desperdiçou a oportunidade de apresentar seus produtos na Fimec 2003 (Feira da Indústria de Máquinas, Equipamentos e Componentes para Couro), que apesar do nome reúne também os pesos pesados da química industrial e dezenas de empresas nacionais para apresentarem seus produtos e serviços.

    Já a Rhodia se fez presente à exposição com a linha completa para curtimento Rhodiaeco WB, um condicionante que permite aplicar o cromo na última etapa do curtimento em pHs mais elevados entre 4,6 e 5,2, eliminando da operação os chamados ácidos fortes, como ácido sulfúrico e a etapa de basificação. Para a empresa, o processo Rhodiaeco WB é mais fácil de controlar, diminuindo os riscos de formações exageradas de ácido ou base, resultando em maior resistência físico-mecânica.

    A nova linha inclui ainda o Rhodiaeco Formiplus 85%, um ácido orgânico, sem ácido sulfúrico e ácidos amoniacais, além do Rhodiaeco Descal, com alto índice de solubilização do cálcio e isento de ácidos inorgânicos e de nitrogênio, capaz de promover uma desecalagem profunda, e ao mesmo tempo reduzir a ocorrência de nitrogênio no efluente final. Esses produtos valeram à Rhodia o Prêmio Inovação Tecnológica 2003, conferido pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes, Calçados e Artefatos – Assitencal e Copesul. “Estamos investindo cada vez mais no mercado de curtumes e ampliaremos ainda mais nosso leque de produtos como solução completa para etapa de curtimento”, antecipa Paulo Catanhede, gerente de vendas da Rhodia.

    A Bayer participou da Fimec 2003 com a linha de compostos Xeroderm, como o P-AF, polímero especial para hidrofugação de couros, que junto com o Xeroderm S-AF permite hidrofugar o couro sem a utilização de sais de cromo ou sais minerais para fixação. Além disso, mostrou os derivados de tanino – o Tanigan F-A para enchimento e o SR-A de efeito neutralizante – que agem como redutores do formol livre no couro e previnem a formação do cromo hexavalente. Completam a nova linha da Bayer o Leukotan 8090, polímero de alta concentração, apropriado para enchimento, melhorando o aproveitamento das partes flácidas, em se tratando de couros grampeados úmidos e posteriormente batidos durante muito tempo. Já o Leukotan 970, trata-se de um polímero acrílico especial para couros vegetalizados brancos com alto poder de enchimento e propriedades de resistência ao calor e luz, além do alto poder de dispersão de curtentes vegetais.

    A empresa Stahl, operando com fábrica no Brasil desde 1992, foca seus produtos para o mercado de semi-acabamento e acabamento, oferecendo corantes, recurtentes e desengraxantes, e atua com força também nos substratos flexíveis de PU e PVC. Foi para Fimec com uma linha completa de químicos para polimento derivados de caseínas (EX 72094 e EX 72095). Há ainda os chamados top aquosos (EX-72150, EX 72-151, EX 72 152, EX 72153 e EX 155) produtos que definem acabamentos foscos ou brilhantes para móveis e estofamento para automóveis. A empresa oferece resinas acrílicas como a RA 22065 para conferir aparência natural ao acabamento ou polimento, ceras, resinas compactantes e uretânicas, que definem lustro, maciez e adesão para estofamentos, bolsas, sapatos, acessórios.


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