Couro e Curtumes

14 de setembro de 2002

Couro: Centro-oeste ganha participação no mercado

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Acessórios (Assitencal) revela que os matadouros brasileiros esfolaram 33,5 milhões de cabeças de gado em 2001 e mostram também que a as regiões de Franca, em São Paulo e o Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, não monopolizam mais a indústria de curtume. Nos anos 80 e 90 ocorreu um movimento migratório da pecuária na direção do Centro-Oeste brasileiro, alterando a configuração geográfica da indústria que atingiu o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e até o sul do Pará, no Norte brasileiro. A indústria química, que fornece os insumos para a elaboração do couro, registrou um consumo de 200 mil toneladas/ano, nos últimos três exercícios, estimulando a concorrência de mercado.

    Nas sucessivas etapas de industrialização do couro entram diversas commodities químicas, como o sal, a cal, o sulfeto de sódio, o ácido sulfúrico, o sulfato e o cloreto de amônio, o ácido fórmico, o bicarbonato de sódio e o formiato de sódio, entre outros. O avanço tecnológico e a necessidade de aperfeiçoamento do produto final motivaram o surgimento de formulações mais sofisticadas para o mercado.

    Trata-se de especialidades químicas como os tensoativos, utilizados nas etapas de ribeira, as aminas (no caleiro), desencalantes, enzimas (na purga), alvejantes (no píquel), entre vários outros insumos. Isso sem falar nos corantes, pigmentos e nas lacas.

    De acordo com o consultor de marketing da área de couro, Álvaro Flores, o wet blue se transformou na principal forma de comercialização do produto no Brasil. Trata-se do couro curtido ao cromo, que ao ser beneficiado serve para confecção dos mais diversos tipos de artigos, desde calçados, artefatos, até estofamento e vestuário. O wet-blue ainda é uma commoditie utilizada como principal matéria-prima em países como Itália e China, onde não há abate suficiente para suprir a indústria de curtumes. A exportação dessa variedade de couro no Brasil cresceu de 2,5 milhões para 12 milhões de toneladas/ano, entre 1995 e 2000, se estabilizando na casa dos 11 milhões em 2001. Segundo Flores, os insumos utilizados nas etapas de curtimento apresentam crescimento proporcional ao aumento do abate (aproximadamente 2,5 a 3% ao ano), pois cada cabeça esfolada corresponde a uma pele curtida, que necessita desses insumos.

    Já os produtos para o recurtimento e o acabamento sofrem a influência do que é exportado. Como é grande a exportação de couro wet-blue (curtido ao cromo), há um consumo menor de produtos de recurtimento quando aumenta a exportação, o que está sendo observado nos últimos anos. Os produtos utilizados no acabamento também sofrem a influência do que é exportado em semi-acabado (couro que sofre os processos de recurtimento, mas não dos de acabamento final).

    Para Flores, as duas formas mais nobres de couro, o semi-acabado que chega à indústria de transformação quase pronto para virar sapato, cinto, ou bolsa, e o acabado, já pigmentado e de maior valor agregado, ainda são inexpressivos na pauta de exportações da indústria coureira brasileira. De acordo com o consultor, o produto nacional ainda não oferece o nível de qualidade exigido em países que ditam moda, como a Itália. “Nosso gado tem parasitas e se machuca nas cercas, causando falhas e manchas, ao contrário dos EUA, onde o gado é confinado, não se machuca e está livre de parasitas que mancham o couro”, exemplifica.

    Exportações cresceram – A gerente especial da Agência de Promoção à Exportação do governo federal, Dorothéa Werneck, anunciou, no final de julho, em Novo Hamburgo-RS, que a agência irá liberar recursos para mais um projeto de incremento das exportações de componentes para couro e calçados. Na reunião de avaliação que teve com a Assitencal, em Novo Hamburgo, Dorothéa Werneck e o gerente adjunto da Apex, Hélio Mauro França, anunciaram que estão aprovando a liberação de recursos para financiamento às exportações para os próximos dois anos. No final de 2002 será encerrado o Programa Setorial Integrado (PSI) que a entidade tem com a Abrameq – Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas para Couro e Calçados. A partir de 2003, a Assintecal terá um projeto só de componentes.

    A entidade pleiteia R$ 4,6 milhões, para dois anos – as regras da Apex determinam que a agência fornece 44% dos investimentos, e a iniciativa privada os outros 56% como contrapartida. O presidente da Assitencal, Eduardo Kunst, aponta para estatísticas animadoras ao registrar o crescimento de 289% do faturamento com exportações, que em 1997 alcançou US$ 179,659 milhões e deverá atingir US$ 541,988 milhões, em 2002, conforme as projeções da Entidade. A base exportadora do setor cresceu 307% neste período, passando de 52 empresas, em 1997, para 160, em 2001. Até abril deste ano, 168 indústrias de componentes registraram vendas para o exterior. O novo PSI do segmento de componentes deverá ser liberado para os anos de 2003 e 2004.



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