Couro e Curtumes

15 de maio de 2011

Couro – 35ª Fimec discute uso dos solventes no setor

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    istema químico intermediário na indústria do calçado, os solventes por rota petroquímica – notadamente o tolueno e o hexeno – enfrentam problemas por conta de seu impacto no meio ambiente. Apesar do esforço para reduzi-los, eles ainda respondem por 80% da operação com adesivos da indústria em geral e da cadeia produtiva do calçado e couro, em particular. O principal motivo é o custo. Todas as soluções químicas alternativas são mais caras.

    A informação de que os solventes ainda imperam praticamente sozinhos no âmbito da indústria química globalizada foi corroborada por pelo menos três especialistas, por ocasião da 35ª edição da Fimec (Feira In­ter­nacional de Couros, Produtos Quí­micos, Com­ponentes, Máquinas e Equi­pa­men­tos para Calçados e Curtumes), em Novo Hamburgo (RS). A Fimec 2011 teve a participação de mais de 1,2 mil marcas de produtos, vindos de cerca de 20 países, numa área de exposição total de 36 mil m², dois mil m² a mais do que a edição de 2010.

    Diante do fato da liderança dos solventes, quem tem “bala na agulha” para investir pesado em produtos ambientalmente amigáveis caminha para adequá-los à legislação ambiental. É o caso da Rhodia, com sua linha de solventes de última geração, como o Augeo SL 191, um insumo químico empregado na produção de poliuretano e plastificantes. O solvente foi apresentado como inovador pelo fato de derivar da glicerina, sendo destinado a diversas aplicações de tintas e vernizes para couro. Trata-se de um solvente de lenta evaporação, que agrega propriedades técnicas capazes de oferecer maior produtividade e menor consumo na fabricação de tintas e vernizes.

    Revista Química e Derivados - Juarez Lacroix, Consultor da Killing Tintas e Adesivos, adesivos de hot-melt

    Lacroix aposta nos adesivos de hot-melt

    Com esse produto, a Rhodia amplia sua presença em um segmento especializado do mercado ao oferecer um substituto, segundo a empresa com desempenho superior, aos glicóis éteres e seus acetatos de fonte petroquímica. Além disso, a Rhodia distribuiu um guia de boas práticas durante a Fimec, que orienta sobre o manuseio e a estocagem de solventes industriais, tendo como um dos objetivos a correta utilização desse tipo de produto e a prevenção de acidentes.

    Ao lado do solvente ecológico, novas tecnologias baseadas na utilização do hot-melt biodegradável e reciclável continuam a aparecer como lançamentos na Fimec, ano após ano. Por acreditarem conjuntamente em soluções não-solventes, três empresas gaúchas levaram para a Fimec diversas alternativas para intermediários de adesivos. A Killing lançou as linhas Kisafix 85 HM 8030 e Kisafix PV 14001. A Artecola apresentou ao mercado os reticulantes poliuretânicos R430 e R460, livres de isocianato.

    Para o consultor de exportação e acabamentos em couro da Killing Tintas e Adesivos, Juarez Lacroix, a tecnologia atual já permite que se substitua em todas as etapas de produção a utilização dos solventes. Ele destaca que, depois de mais de dez anos de desenvolvimento, as soluções em hot-melt e aquosas estão se aperfeiçoando e já atingiram um índice de excelente qualidade.

    Revista Química e Derivados - Júlio Schmitt, diretor de termoplásticos da FCC

    Schmitt: uso de tecnologias limpas é irreversível na cadeia produtiva

    Lacroix ressalta que agora é uma opção da indústria calçadista deixar de utilizar o solvente, pois o custo não é necessariamente maior. Para ele, o que breca a aceleração da substituição do solvente é a mudança cultural, pois há um temor de perda de qualidade no produto final. O consultor da Killing destaca que a empresa que deixa de utilizar o solvente também se livra de um passivo trabalhista, evitando perdas futuras nas suas receitas, por conta dos adicionais de insalubridade, por exemplo.

    O especialista em adesivos da Artecola, Jardel Luiz de Mello concorda com Lacroix. “Por utilizar muita mão de obra, o setor ainda resiste à utilização da tecnologia aquosa, por achar que o adesivo de solvente é mais eficiente.” Mello aponta que “o adesivo aquoso é mais caro, porém o rendimento é maior, o que produz um custo final semelhante”. Também a Artecola investe na produção de soluções ambientalmente sustentáveis. “Esses produtos reforçam o foco da empresa na ecoeficiência, eliminando substâncias tóxicas”, garante.

    Júlio Schmitt, diretor de termoplásticos da FCC, empresa de Campo Bom-RS, com mais de quarenta anos de mercado, afirma que a companhia vem buscando cada vez mais desenvolver produtos utilizando tecnologias limpas e sustentáveis, um processo irreversível que se acentua a cada ano. Schmitt aponta como vantagens da substituição do solvente pelo hot-melt e pelo aquoso a melhora da imagem da empresa nos mercados consumidores.



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