Química

13 de novembro de 2008

Cosméticos – Tinturas – Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

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Publicado por: Rose de Moraes
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    Química e Derivados, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

     

    A última tendência mundial em tinturas é abolir o emprego das moléculas de parafenilenodiamina (também chamadas de PPD) nas formulações. As tinturas com PPD já foram proibidas na Alemanha e o conceito PPD-free dyes começa a se alastrar na Europa. As primeiras tinturas contempladas com fórmulas livres de PPD foram preparadas para a aplicação por profissionais, para uso exclusivo em salões.

    A holandesa Keune, tradicional empresa familiar do ramo que, desde 1924, se dedica integralmente à manufatura de produtos para cabelos direcionados a cabeleireiros, já teria lançado, em 2007, uma nova tecnologia em tintura, deixando para trás o PPD, utilizado há quase um século por grandes fabricantes de tinturas.

    Mais recentemente, chegou a vez da L’Oréal Paris abraçar a causa PPD-free, ao apresentar para o mercado do varejo, de sua base de lançamentos européia, a tintura de oxidação Excell 10’. Em lugar de PPD, essa coloração permanente em creme traz diaminotolueno (TDS), pigmento considerado de menor agressividade para a saúde do couro cabeludo, e que promete cobrir 100% dos fi os brancos.

    No mundo todo, prós e contras associados ao uso dos pigmentos de PPD e outras substâncias já são há algum tempo conhecidos. Constituídos de moléculas primárias para uso em tinturas oxidativas permanentes, esses pigmentos apresentam pequena dimensão e têm capacidade para penetrar além das cutículas protetoras dos fi os, atingindo o córtex, onde darão origem aos tons de fundos mais escuros como os pretos e os castanhos escuros.

    A utilização do PPD em tinturas A 32 para cabelos é tão antiga quanto a produção das mais renomadas e globais fábricas de tinturas. No início do século passado, o químico francês Eugène Schueller, fundador da L’Oréal, já utilizava o PPD em suas tinturas.

    “O pigmento de PPD há muitos anos é conhecido pelos seus efeitos potencialmente irritativos, mas também representa a molécula mais utilizada no mundo todo para tinturas oxidativas”, informou Francisco Santin de Souza, coordenador de pesquisa e inovação da Cosmotec Especialidades Químicas, de São Paulo, representante da James Robinson, fabricante de pigmentos da Inglaterra. Antenado com as principais mudanças que poderão ocorrer no campo da química cosmética, Souza confirma os indícios de que o PPD talvez possa vir a ser banido em toda a Europa, mas sua efetividade, na opinião do especialista, ainda é considerada única, existindo, portanto, o receio do ponto de vista técnico de não se encontrar um substituto à sua altura, que propicie a mesma capacidade de cobertura dos fi os e uma efi ciente coloração em tons mais escuros.

    Química e Derivados, Francisco Santin de Souza, coordenador de pesquisa e inovação da Cosmotec Especialidades Químicas, de São Paulo, representante da James Robinson, fabricante de pigmentos da Inglaterra, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

    Francisco Santin de Souza lamenta banimento dos pigmentos de PPD

    Levantamento realizado por Souza na James Robinson indica que, atualmente, quatro substâncias entraram na rota de banimento da Colipa (The European Cosmetics Association): a 2-nitro-p-fenilenodiamina está definitivamente banida; a 2-cloro-fenilenediamina sulfato, a o-aminofenol e a HC Yellow 5 estão sem suporte adicional. Ou seja, em breve poderão ser banidas oficialmente, pois até agora os fabricantes não apresentaram estudos comprovando a segurança desses produtos (ver tabela).

    Segundo Souza, é importante ressaltar que a legislação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em muito se assemelha à legislação adotada pelos europeus. “Assim sendo, as restrições e as proibições de uso lá fora poderão ser rapidamente reproduzidas pelo órgão regulatório brasileiro”, considerou.

    Incrédulo com certos apelos de marketing feitos por indústrias de tinturas reportando o desenvolvimento de tinturas “amônia-free” e “PPD-free”, Manoel Carames de Beires Lopes Freire de Gouvea, diretor da filial brasileira da LCW Sensient Cosmetic Technologies, considera que muitos claims dirigidos ao mercado não são esclarecedores. Ao contrário, confundem os usuários, pois é perfeitamente possível produzir tinturas de deposição sem amônia ou PPD, tratando-se, no caso, de tinturas semipermanentes e temporárias.

    “As tinturas de deposição contam com parâmetros específicos e distintos das tinturas de oxidação. Nas tinturas de deposição, quando são utilizadas nitroanilinas, por exemplo, não se pode abrir mão de solventes fi xadores para a distribuição homogênea das moléculas ao redor dos fi os de cabelos e sua fixação, pois, se parte dos fios estiver danificada por radiações solares, descolorações, alisamentos e outros procedimentos mais agressivos, a tintura poderá ficar manchada. Nas tinturas de oxidação, são previstas reações muito fortes em meio alcalino e, do contrário, dificilmente seria possível mudar radicalmente cabelos naturalmente pretos para louros ou colorir totalmente fi os brancos, sendo, portanto, difícil prescindir do PPD para se tingir os cabelos na coloração preta intensa”, considerou Carames.


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      3 Comentários


      1. Sonia Alves

        Já estamos em 2016 e até agora continuo aguardando que essa lei entre em vigor aqui no Brasil. Sou alérgica ao PPD, já utilizei a coloração 10′ da L’Oreal que há alguns anos foi colocada em nosso mercado, não tive nenhuma reação negativa no couro cabeludo mas ela, infelizmente, rapidamente foi retirada das lojas sem ninguém saber porque…



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