Cosméticos

16 de novembro de 2011

Cosméticos – Formuladores se dividem entre antioxidantes naturais ou sintéticos

Mais artigos por »
Publicado por: Hamilton Almeida
+(reset)-
Compartilhe esta página

    química e derivados, cosméticos, antioxidantesO mercado de antioxidantes para produtos cosméticos navega ao sabor dos novos ventos. A “beleza verde” está na moda e o apelo é forte. Apesar disso, muitos formuladores ainda preferem os ingredientes sintéticos, apoiados por extensa literatura e testes de eficácia comprovada, bem como amplo conhecimento do potencial de irritabilidade sobre a pele.

    Distribuidora de insumos, a Adrivan, de Diadema-SP, identifica maior demanda por antioxidantes naturais, como as vitaminas C e E. “Estamos vendendo toneladas anuais dessas vitaminas”, declara Jefferson Pessoa Hemerly, farmacêutico-bioquímico e responsável técnico da empresa. Ele estima uma expansão da ordem de 20% a 25% nas vendas desses produtos neste ano.

    química e derivados, Jefferson Pessoa Hemerly, vitaminas C e E, Adrivan

    Pessoa: vendas de vitaminas C e E estão em ascensão

    Algo semelhante se verifica na Química Anastácio. “Nosso segmento de cuidados pessoais, que engloba os antioxidantes, está tendo um crescimento de 13,5% este ano”, revela Alessandra Guerra, gestora de marketing da empresa.

    O Brasil é o terceiro maior mercado do mundo para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, com tendência a desbancar, em breve, o Japão da segunda colocação (a liderança segue com os Estados Unidos), de acordo com dados do Euromonitor. Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) e da consultoria Booz & Co. mostra que o consumo de perfumes, cosméticos e produtos de higiene deve crescer cerca de 5% ao ano, em volume, até 2015. Em valor, os negócios do setor devem passar de R$ 27,3 bilhões, em 2010, para R$ 50 bilhões, em 2015.

    O relatório anual da Abihpec destaca a nova tendência: “Os consumidores estão mais conscientes com o próprio corpo e com o que ocorre ao seu redor. Assim, passam a ter maior aceitação os produtos que não agridem o ambiente e que são social e eticamente corretos.” A esta conclusão chegou a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com base no estudo Facing the future: the future of cosmetics, desenvolvido por uma consultoria britânica, e em oficinas de trabalho com diversos especialistas do setor.

    Hemerly cita a Abihpec ao relatar que, seguindo a tendência global, muitos investimentos têm sido feitos em produtos contendo ingredientes naturais e/ou orgânicos e nanotecnológicos. “Não apenas o crescimento da velocidade das informações alterou os negócios, mas também novos conceitos foram desenvolvidos e têm sido agregados a grandes marcas que buscam transmitir o valor de suas companhias como natural, verde ou vegetal, biotecnologia e nanotecnologia.”

    Segundo o especialista, vários lançamentos de produtos cosméticos foram feitos tendo como base os conceitos de biodiversidade, tecnologia e sustentabilidade. Assim, a percepção de segurança para com o meio ambiente foi aceita como sinal de saudável pelo consumidor, o que aumentou o uso de produtos naturais contendo princípios ativos como proteínas, minerais, flavonoides, taninos e vitaminas.

    Renata Mariucci, executiva de vendas de consumer care da Química Anastácio, diz que, pela preocupação dos dermatologistas em trabalhar com produtos naturais, nota-se que os consumidores procuram produtos dessa origem. “Isto é excelente, pois a sustentabilidade faz cada vez mais parte do dia a dia de todos, e obriga as empresas a trabalharem com esses produtos”, comemorou.

    Cristina Unten, do departamento de marketing da Sarfam, comenta que produtos com ingredientes naturais fazem parte da nossa cultura, “pois a nossa flora é muito rica em plantas, flores e raízes que são referências pela medicina popular, e por este motivo as pessoas as associam à efetividade dos ingredientes naturais”. Além dos ingredientes naturais serem efetivos, eles possuem, segundo ela, “maior suavidade e compatibilidade com o nosso organismo, já que as moléculas sintéticas podem ser mais irritativas”.

    Enquanto Alessandra Guerra, da Química Anastácio, acredita não ser passageira a tendência pelo maior uso de ingredientes naturais, Emiro Khury, diretor da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC) e consultor na área de desenvolvimento de produtos cosméticos, garante que o uso de ingredientes naturais “está apenas se iniciando, mas enfrenta dificuldades de fornecimento e, principalmente, ainda não conquistou totalmente a confiança dos formuladores”. Ele assegura que os formuladores “preferem utilizar ingredientes conhecidos e de fácil suprimento, como o BHT, misturas de vitaminas ou derivados fenólicos”.

    Assim, entre os produtos naturais com efeito antioxidante, Khury afirma que se utilizam mais os compostos flavonoides, ácido fítico e as vitaminas. A ABC espera que os fornecedores disponibilizem mais associações de ingredientes. Segundo Khury, à medida que a qualidade e a complexidade das formulações de produtos cosméticos ficam maiores, aumenta a necessidade de estabilizantes mais eficientes e seguros. “Os sequestrantes e os antioxidantes são muito importantes para a estabilização das formulações e para garantir a eficácia delas”, explicou. Os sequestrantes são também chamados de quelantes (agentes que sequestram íons cálcio, magnésio e ferro da água, formando um complexo e evitando a sua oxidação).


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next