Cosméticos

7 de fevereiro de 2014

Cosméticos: Europa proíbe testes em animais vivos

Mais artigos por »
Publicado por: Antonio C. Santomauro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    N

    anotecnologia, testes em animais, apelos mercadológicos: estes temas são abordados de maneira expressa – e, em certos casos, cuidadosa e restritiva – no Regulamento 1.223/2009, que desde julho último normatiza a produção e a comercialização de cosméticos na Europa. E eles foram também alguns dos tópicos do curso ministrado em São Paulo pelo Prof. Dr. Pedro Amores da Silva, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), justamente para detalhar esta nova legislação e esclarecer possíveis dúvidas.

    Química e Derivados, Amores: regulamento afeta testes em animais, nanotecnologia e propaganda

    Amores: regulamento afeta testes em animais, nanotecnologia e propaganda

    Silva lembrou que agora estão expressamente proibidos, na União Europeia, os testes em animais para ingredientes destinados a cosméticos. Não se permite sequer a comercialização de produtos compostos com ingredientes testados em animais, ainda que os testes tenham sido realizados em outras regiões do planeta.

    Mas nesse ponto, ele ressaltou, há alguma contradição entre o Regulamento 1.223/2009 e outras legislações europeias. Afinal, se esse novo regulamento veta o uso de animais para o teste de ingredientes de cosméticos, o sistema Reach até exige esse gênero de teste para a aprovação de novos componentes químicos. Tal contradição pode servir para que ingredientes novos, enquadrados no Reach, sejam posteriormente empregados em cosméticos.

    Como destacou o professor, também consultor de regulação e segurança da Abihpec, a legislação europeia baseia a sua abordagem de segurança nos ingredientes, pois há cerca de dez anos não exige testes em animais para produtos acabados (formulados).

    Mas a crescente restrição aos testes com animais também impulsiona a expansão do uso das chamadas ferramentas in silico, fundamentadas em simulações virtuais, também abordadas pelo especialista. Tais ferramentas, ele ressaltou, têm como parâmetro básico de eficácia a utilização, nas simulações, de dados corretos e confiáveis. A maioria dos dados hoje disponíveis foi obtida no passado com base em testes com animais, e Silva citou algumas fontes entre as quais é possível obter informações sobre propriedades e características de diversas substâncias e compostos (ver quadro); mas ele ressaltou a existência de estimativas segundo as quais cerca de 10% desses dados estão incorretos.

    Além disso, observou o consultor, os testes in silico, que tentam prever características físico-químicas e a toxicidade dos compostos baseada na sua configuração química, têm como base estruturas usadas em fármacos. A extrapolação desses resultados para outras moléculas e para outras formas de aplicação pode gerar resultados distorcidos, passíveis de serem mal interpretados e conduzirem a conclusões incorretas.

    Também existem, segundo Silva, softwares capazes de prover diversos gêneros de testes in silico, e mesmo uma comunidade virtual denominada Derek Nexus (www.lhasalimited.org/products/derek-nexus.htm), composta por especialistas aptos ao intercâmbio de conhecimentos sobre esse gênero de testes.

    Ele citou ainda uma técnica denominada QSAR (Quantitative Structure-Activity Relationship), capaz de agregar predições quantitativas às informações referentes ao comportamento das estruturas provenientes das simulações, e assim reduzir a incerteza das conclusões. Essa tecnologia vem sendo crescentemente empregada pela indústria farmacêutica europeia e pode até mesmo constituir uma referência para a produção de cosméticos. No entanto, seu uso ainda é restrito, pois só existem cerca de mil substâncias com informações provenientes do uso dessa técnica.

    As ferramentas virtuais de testes, resumiu o professor, estão em estágio inicial de desenvolvimento, não abrangem toda a gama de análises necessária a um cosmético, e geram ainda muitas incertezas. Mas, até mesmo em razão da crescente restrição aos testes com animais, não podem mais ser ignoradas.

    Alternativas e nanotecnologia – O curso promovido pela Abihpec foi fundamentado em outro – do qual participou Pedro Amores da Silva –, realizado na Bélgica e organizado pela Universidade Livre de Bruxelas. Denominado Safety Assessment of Cosmetics in the European Union, ele se dedicou exatamente à atual realidade da avaliação de segurança de cosméticos na Europa e seu conteúdo foi então replicado no Brasil por iniciativa do Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Itehpec), braço de inovação da associação.

    Em sua apresentação, Silva também trouxe informações sobre diversos testes, validados tanto pela União Europeia quanto por outros mercados, em alguns casos já capazes de substituir os estudos in vivo (realizados com animais); ou, ao menos, aptos a reduzir as quantidades de animais empregadas nos estudos, ou a minimizar o seu sofrimento. Alguns deles devem ser combinados com estudos in silico, ou com outros métodos alternativos.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next