Cosméticos

15 de fevereiro de 2012

Cosméticos – Encontro revela vocação nacional para a fitocosmética

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Publicado por: Rose de Moraes
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    VI Rodada Tecnológica In­ternacional – soluções para inovação em um mercado global, promovida recentemente pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) e pelo Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Itehpec), em São Paulo, levou ao conhecimento dos participantes informações privilegiadas no campo da cosmetologia, apresentadas por especialistas do Brasil e do exterior.

    A conferência inaugural coube ao professor-doutor Cristiano Soleo de Funari. Vinculado ao núcleo de bioensaios, biossínteses e ecofisiologia de produtos naturais do Instituto de Química da Unesp de Araraquara-SP, ele destacou a rica biodiversidade brasileira como uma das mais importantes fontes mundiais para o desenvolvimento de fitocosméticos.

    De acordo com estatísticas divulgadas por ele, as preparações cosméticas com matérias-primas naturais crescem a taxas anuais consideráveis no mercado internacional, entre 8% e 25% acima das taxas de crescimento observadas entre os produtos formulados com ingredientes sintéticos.

    A certeza de que os ativos derivados da natureza mobilizam pesquisas em todas as partes do mundo e que deverão continuar inspirando novos estudos ainda por muitos anos decorre da ampla biodiversidade e do fato de que um único extrato de apenas uma das partes que compõem uma planta apresenta centenas de diferentes componentes químicos.

    Por isso, os ingredientes ativos derivados da biodiversidade não são alvo apenas de desenvolvimentos cosméticos, como também de medicamentos. Das 1.024 novas substâncias químicas desenvolvidas entre 1981 até 2008, uma parcela um pouco superior a 30% possui origem sintética, enquanto mais de 60% dos anti-infecciosos (antibacterianos, antifúngicos, antiparasitas e antivirais), aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, de acordo com Funari, originaram-se de fontes naturais, incluindo-se nesse rol cerca de 80% das drogas anticancerígenas.

    As propriedades funcionais das plantas, segundo o professor, são reconhecidas há muitos séculos, desde a antiguidade. Na Grécia antiga, o óleo de oliva já era utilizado para a fotoproteção da pele. Em suas apresentações teatrais, os romanos já aplicavam o açafrão como maquiagem e as romanas faziam uso da beladona, como o nome sugere, para realçar sua beleza.

    Reconhecido como um celeiro da biodiversidade, o Brasil abriga mais de dois milhões de espécies animais, vegetais e micro-organismos, mas tem um longo caminho a percorrer no campo das pesquisas. “Os brasileiros conhecem aplicações para cerca de 1.300 plantas, mas temos 55 mil espécies vegetais catalogadas, ou seja, entre 20% e 22% de toda a flora mundial”, informou Funari.

    O especialista também apontou dificuldades para se patentear um produto derivado da natureza. “As plantas não podem ser padronizadas como os produtos sintéticos, pois a mesma espécie encontrada no estado do Paraná, por exemplo, poderá apresentar diferentes particularidades em relação a outro exemplar da mesma espécie cultivado em Goiás”, comentou. “Por isso, a variabilidade genética e fenotípica é considerada nos estudos, até para se estabelecer os procedimentos para cultivo, sendo que alguns estudos partem da seleção genética como forma de garantir a padronização das matérias-primas.”

    Ao ser questionado quanto à viabilidade da bioprospecção no Brasil para fomentar o desenvolvimento de fitocosméticos perante a ampla diversidade biológica, Funari se posicionou favorável, mas observou a grande importância de ser comprovada a eficácia do ativo, bem como de o país apoiar o patenteamento dos fitocosméticos.

    “A inovação tecnológica é muito importante para a competitividade da indústria cosmética e justifica os altos gastos com pesquisas e desenvolvimentos, enquanto a biodiversidade brasileira é vista como um forte atrativo para a atuação no mercado internacional, mas é mandatório que os produtos aqui fabricados transmitam valores nacionais e indiquem componentes encontrados na flora brasileira”, comentou.

    Segundo ele, o mercado brasileiro de fitocosméticos é predominantemente suprido por espécies exóticas de plantas e de matérias-primas originárias de outros países, como aloe vera (babosa), Matricaria recutita (camomila) e Pimpinella anisum (erva-doce), mas existe uma ampla gama de matérias-primas nativas, como andiroba, babaçu, açaí, maracujá, pitanga, urucum, buriti, nas quais já foram identificadas importantes propriedades para uso cosmético em sabonetes, xampus, condicionadores, batons e desodorantes.

    De acordo com as recomendações do professor, o país poderia selecionar espécies vegetais únicas e estudá-las em profundidade para alcançar o mesmo nível de conhecimento existente na Ásia ou nos Estados Unidos. Segundo mencionou, 73 plantas com efeitos fitoterápicos comprovados e com grande potencial para o desenvolvimento de fórmulas cosméticas já foram arroladas no programa de plantas medicinais e de fitoterápicos do Ministério da Saúde, a fim de ampliar o número de espécies nativas da flora brasileira na farmacopeia. Nesse rol, ele destacou plantas do gênero Lippia, que possuem alto potencial fitocosmético. Com propriedades comprovadas pelos seus efeitos antisséptico, desodorante, cicatrizante e aromatizante, plantas desse gênero apresentam bioatividade antifúngica, antimicrobiana, antioxidante, entre outras. Nativa da região do semiárido nordestino, a Lippia sidoides, por exemplo, dá origem a óleos essenciais com efeito antimicrobiano contra fungos e bactérias, podendo compor fórmulas de vários itens de higiene pessoal, constando da lista de plantas prioritárias do Ministério da Saúde para uso em medicamentos fitoterápicos que poderão integrar as terapias realizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde.


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