Química

21 de outubro de 2008

Controle de odor – Fiscalização e ‘boa vizinhança” incentivam combate ao mau cheiro

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    m vizinho indesejável, que provoca no quarteirão um entra-e-sai de caminhões e, ainda por cima, empesteia o ar com fumaça e um odor repugnante, transformando a vida das pessoas da redondezas em uma experiência nada agradável. Poucas são as industriais hoje em dia que não se preocupam por ter uma imagem dessas na vizinhança. E isso não só porque estejam engajados na já desgastado conceito de sustentabilidade, que prece entre outros aspectos o bom convívio com a comunidade. Mas também (e talvez principalmente) por causa objetivas: os incomodados passaram a reclamar mais e as autoridades ambientais se tornaram um pouco mais atentas ao cumprimento de algumas leis.

    Entre os motivos de atrito entre indústria e comunidade, o odor tem papel de destaque. Afinal de contas, sua natureza volátil pode invadir qualquer quintal da vizinhança e manter-se presente até o despertar da náusea e da ira das pessoas, que tendem a se rebelar contra a indústria mais próxima. Além disso, a lembrança olfativa constante suscita também o imaginário da população a respeito dos riscos da poluição, mesmo sabendo que parte considerável dos odores não tem relação direta com possíveis danos a saúde causados por emissões industriais atmosféricas.

    E é justamente por cauda dos erros de interpretação dos reclamantes que se torna temerário depender apenas deles para embasar a política de atuação dos órgãos ambientais em questões por vezes tão subjetivas como a do odor. Lentamente, as agências mais adiantadas do Brasil, seguindo práticas comuns nos países desenvolvidos, adotam postura proativa para o controle. É o caso, por exemplo, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb).

    De acordo com o assistente-executivo da diretoria de controle de poluição ambiental da Cetesb, Laércio Vechini, em São Paulo a política de controle das fontes de poluição, incluindo aí o odor, hoje se baseia no novo sistema de licenciamento ambiental, no qual as licenças são renováveis por prazos que vão de dois a cinco anos (dependendo da complexidade do processo industrial). Isso porque a cada nova licença a empresa precisa relacionar ao órgão o seu fluxograma completo de processo, enumerando todos os seus equipamentos, máquinas e matérias-primas empregados, incluindo logicamente todas as mudanças ocorridas na produção. “A partir daí fazemos uma análise técnica e identifi camos todas as fontes de odor da indústria”, explicou Vechini.

    Química e Derivados, Laércio Vechini, assistente-executivo da diretoria de controle de poluição ambiental da Cetesb, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro

    Laércio Vechini: sem controle do odor licença não pode ser renovada

    Fica fácil compreender, então, como o órgão ambiental se fortaleceu em suas exigências de controle, depois da adoção do sistema de renovação. “Caso a empresa não apresente, para cada fonte de geração de odor, uma solução técnica eficaz, a licença não é renovada, o que significa interromper a produção”, completou o também assistente executivo da Cetesb, Eduardo Serpa. Normalmente, não há tolerância: ou o sistema de controle está em operação ou a licença não sai. Apenas em casos excepcionais, quando a implantação de combate ao odor (ou a outros tipos de poluição) tenha demandado um prazo de instalação um pouco maior, por motivos “explicáveis”, há a expedição de uma licença de operação a título precário, de apenas seis meses e condicionada ao cumprimento de acordo formal.

    Sem mágicas– Como tecnologia para controle de odor, a posição dos técnicos da Cetesb é muito clara, fruto da larga experiência com a fiscalização dos mais variados tipos de empresas concentradas em São Paulo, de longe o estado mais industrializado do país. Para Eduardo Serpa, não há mágica: controle de odor é feito com melhorias no processo e, com o mesmo nível de importância, com o uso de equipamentos apropriados para o tratamento, como lavadores de gases, filtros e sistemas de pós-queima de componentes voláteis, como os termooxidantes ou as tecnologias catalíticas. “Afora isso, trata-se de perfumaria, ou seja, de sistemas que no máximo podem complementar o controle, dando um polimento no combate ao odor”, afirmou Serpa, referindo-sesobretudo aos tratamentos químicos com neutralizadores ou aos encapsuladores de odor.

    Química e Derivados, Eduardo Serpa, assistenteexecutivo da Cetesb,Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro

    Eduardo Serpa: solução envolve melhorias no processo e

    Para embasar sua visão, o assistente executivo usa o exemplo de fontes de geração de odor consideradas de alto impacto: a indústria de ração animal e o tratamento de esgotos. No primeiro caso, ele considera emblemático o cuidado que algumas empresas passaram a ter para evitar a emissão de odores dessa indústria que utiliza como matéria-prima principal resíduos animais, por si só uma grande fonte de mau cheiro. Para começar, elas adotaram sistema de coleta rápida das carcaças animais, feitas normalmente em açougues, mesmo princípio empregado na manipulação ocorrida durante o processo. E investiram em câmaras frias para evitar a exposição dos resíduos, que sem essa providência entram em putrefação rapidamente, exalando o mau cheiro característico. “Há também a preocupação de manter, por exemplo, um digestor de cozimento substituto. Caso haja problema com o primeiro, não há risco de se expor a vizinhança ao péssimo odor proveniente dessa etapa do processo interrompida para manutenção”, complementou Laércio Vechini.

    O outro exemplo para confirmar a tese de Serpa, no tratamento de esgotos, também é especialmente feliz por ser uma das operações mais visadas, tanto por comunidades vizinhas que reclamam do odor proveniente principalmente das reações biológicas anaeróbicas (as bactérias sulfatorredutoras geram gás sulfídrico) como por empresas que tentam vender sistemas para neutralizar ou combater o odor de forma geral. Na sua opinião, dificilmente uma estação de tratamento de esgotos não consegue resolver seus problemas de odor consertando falhas na operação, sem precisar recorrer a tecnologias para mascarar. “Minha experiência em várias situações de fiscalização confirma essa tese”, revelou Serpa.

    Segundo ele, as ocorrências mais comuns para acabar com os problemas de ETEs contemplam a limpeza de grades, o desassoreamento de lagoas, a distribuição correta do esgoto pela estação e o controle do tempo de permanência do processo. “O que para muitos é um efeito natural da manipulação do esgoto, na verdade é um problema de operação e manutenção da estação”, disse. “Já vi muitas estações acabarem com os odores apenas fazendo esse tipo de melhoria”, completou.

    Além da sua experiência nas ETEs paulistas, a convicção de Eduardo Serpa com relação a melhorias no processo como forma de eliminação de odor se baseia também em visita internacional realizada em uma estação de tratamento de Los Angeles, na Califórnia-EUA. Situada em região de alta densidade populacional, e reagindo a reclamações, a companhia local organizou painéis com moradores para identificar as fontes de odores da estação que mais incomodavam. Depois de identificada a geração responsável, a solução foi cobrir a fonte e criar um sistema de dutos de sucção para levar o ar com o odor para servir de alimentação da aeração do sistema biológico. “Este é um exemplo barato e eficiente que pode servir de modelo para várias estações”, explicou.

    RTO – Além de a solução californiana ter livrado a vizinhança do mau cheiro e gerado economia de energia no sistema de aeração, também serviu para reforçar a visão dos técnicos da Cetesb a respeito do controle de odor. Isto é: quando o problema existe – e não pode ser evitado – há a necessidade de se criar uma solução engenheirada, pensada especificamente para a aplicação em cima do know-how tecnológico. Ela pode ser relativamente simples como a de Los Angeles, que só precisou de um sistema de cobertura e exaustão, como pode ser mais complexa, contemplando equipamentos de destruição dos odores.

    Química e Derivados,  O oxidante térmico regenerativo na Reichhold: destruição de VOCs, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro"

    O oxidante térmico regenerativo na Reichhold: destruição de VOCs

    Neste último caso, vale como ótimo exemplo um projeto em via de ser inaugurado em Mogi das Cruzes-SP, na unidade da norte-americana Reichhold, importante produtora de resinas termofixas e de polímeros para tintas e revestimentos. Instalada desde 1976 no distrito de Brás Cubas – ainda como a nacional Resana (adquirida em 1996) e em uma área até então desabitada –, ao longo dos anos a empresa viu-se cercada por moradias, parte delas legalizadas e outras frutos de invasão.


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