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18 de fevereiro de 2013

Conjuntura – Infraestrutura deficiente impede avanço do país

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Brasil ostenta uma carteira de investimentos em infraestrutura que soma R$ 1,683 trilhão até 2017, resultado de 11.533 obras nas áreas de óleo e gás, energia, saneamento, transportes, habitação, indústria, eventos esportivos (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada do Rio de Janeiro, de 2016) e outros, que incluem hotéis, shopping centers, hospitais, universidades, parques, penitenciárias e obras de demais segmentos.

    Química e Derivados, Mário Humberto Marques, Sobratema, Infraestrutura deficiente impede avanço do Brasil

    Marques: Brasil corre o risco de sofrer um "apagão geral"

    Os números são imponentes, mas a realidade atual revela que o Brasil atravessa uma fase de “pré-apagão”, na avaliação de Mário Humberto Marques, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema). Os recentes cortes no fornecimento de energia elétrica e a perda de competitividade nas exportações por conta dos custos portuários e de logística são alguns dos sinais que evidenciam a crise. Há um risco, segundo Marques, de acontecer um “apagão geral”.

    Outro sinal preocupante é a disposição do país em investir em infraestrutura apenas 2% do PIB, um valor bem abaixo da China (13,4%), por exemplo, e que também é relativamente inferior a vários países cujo Produto Interno Bruto é menor: Chile (6,2%), Colômbia (5,8%) e Índia (4,8%). A relação entre investimento em infraestrutura e PIB é decrescente desde 2009, quando atingiu a marca de 2,45% (2,3% em 2010 e 2,05% no ano passado).

    “O Brasil precisa de um pacto social que contemple mudanças nas legislações trabalhista e tributária. Do jeito que está, o país não consegue deslanchar”, lamenta Marques. O diretor da Sobratema vê contradições no momento atual. Por um lado, os investimentos em infraestrutura cresceram 73,5% entre 2007 e 2011. E para este ano, com os diversos anúncios de aportes financeiros para as mais variadas áreas desse setor, a expectativa é a de que a alta seja de 17,6% em relação ao ano passado.

    Por outro lado, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), concluídas até junho, representam apenas 29,8% do total estimado para até 2014, que é de R$ 708 bilhões. “O PAC deveria ser uma solução, mas caminha melancolicamente”, destaca Marques. O setor de infraestrutura é fortemente movido pelo PAC, cujo desempenho tem ficado abaixo do esperado. Há um descompasso entre os valores contratados e os efetivamente desembolsados ao longo dos anos. Até junho de 2012 foram aplicados R$ 211 bilhões (29,8% do total), sendo que mais de 60% desses recursos foram destinados ao programa Minha Casa Minha Vida, e apenas 11,3% em transportes.

    A perspectiva em obras de infraestrutura aponta para uma necessidade de financiamento privado da ordem de R$ 100 bilhões a R$ 150 bilhões por ano nos próximos anos, já que o BNDES deverá financiar algo em torno de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões por ano. “O ideal seria o governo interferir minimamente e deixar a iniciativa privada atuar de forma saudável”, afirma Marques.

    Os dados da pesquisa “Principais investimentos nas áreas de infraestrutura e industrial previstos no Brasil até 2017” foram revelados por Marques durante o III Sobretema Fórum Brasil Infraestrutura – Tecnologia e Inovação, realizado no final de outubro no auditório da Fecomércio, na capital paulista, atraindo empresários e profissionais de toda a cadeia da construção. A análise compilou informações de cerca de 1.200 fontes primárias e secundárias para apresentar as perspectivas de oito setores da economia, suas principais obras e aportes financeiros. O levantamento, já em sua terceira edição, foi encomendado à CriActive e à e8 Inteligência.

    Óleo e gás – A maior fatia de investimentos em infraestrutura está reservada para o segmento de óleo e gás: 43% ou R$ 723,9 bilhões até 2017. O novo Plano de Negócios da Petrobras (2012-16) definiu 980 projetos, que contemplam uma previsão de investimentos totais da ordem de US$ 236,6 bilhões, sendo: 833 projetos no valor de US$ 208,7 bilhões em andamento; e 147 projetos no valor de US$ 27,8 bilhões, que estão em avaliação.

    Na área de Abastecimento (RTC, petroquímica e biocombustíveis), o Plano de Negócios prevê investimentos de US$ 71,6 bilhões, com US$ 55,8 bilhões em 255 projetos em implantação (78% do total). Na Exploração e Produção (E&P), os valores mais expressivos estão no desenvolvimento da produção, ligados principalmente às reservas descobertas nas áreas do pré-sal. A representatividade da exploração e produção de petróleo em onshore vem caindo desde os anos 90 e, em 2010, chegou a 10,7%. A produção offshore responde por 89,3%.

    Do total de R$ 723,9 bilhões, apurou-se que R$ 539,8 bilhões (75%) terão como destino a exploração e a produção de petróleo; R$ 111,6 bilhões (15%) irão para o refino; R$ 22,8 bilhões (3%) serão investidos em gasodutos; R$ 16,6 bilhões (2%) em usinas; R$ 11,6 bilhões (2%) em alcooldutos; R$ 7,8 bilhões (1%) em petroquímica; R$ 6 bilhões (1%) em petróleo; R$ 5,3 bilhões (1%) em unidade de tratamento de gás; R$ 1,1 bilhão (menos de 1%) em biocombustível; e R$ 1 bilhão em gás (menos de 1%).

    O investimento da indústria em geral (abrange a química e a de papel e celulose, entre outras) deverá se situar em R$ 243 bilhões nos anos de 2012 a 2015. Comparado ao quadriênio imediatamente anterior (2007-10), quando os investimentos totalizaram R$ 223 bilhões, a expansão é de apenas 8,9%, índice menor do que o crescimento econômico projetado para o período.

    Entrevistas realizadas com as principais construtoras do país chegaram às seguintes conclusões: as PPPs (parceria Público-Privadas) e as concessões são uma saída para alguns setores, entre eles, ferrovias, rodovias e energia. Todos os entrevistados indicaram que é imprescindível um planejamento a médio e longo prazo, no qual os projetos sejam detalhados e integrados.

    As expectativas são de crescimento. 2013 será um ano melhor que 2012. As construtoras acreditam que as obras do setor de transporte serão iniciadas, possibilitando que uma série de projetos saia do papel. Porém, acham que o Brasil só irá “decolar” a partir de 2014. Em resumo, os entrevistados entendem a importância do setor de infraestrutura na competitividade do Brasil e aguardam que os gargalos sejam superados para que o setor inicie um período de grande crescimento.



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