Química

15 de setembro de 2011

Conjuntura: Importação em alta ameaça produção química nacional

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    futuro da indústria química brasileira está ameaçado. A falta de políticas adequadas de incentivo à inovação e de proteção contra a concorrência predatória resulta no desmonte de parte da capacidade produtiva do setor, tendendo para a concentração em algumas poucas commodities, de baixo valor estratégico.

    “A indústria química brasileira, em especial a paulista, está derretendo”, enfatizou Nelson Pereira dos Reis, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim). O setor, segundo informou, segue avançando em alguns nichos de mercado, porém está cada vez mais apertado na maioria dos produtos. Os problemas começam na tributação excessiva, passando pelas dificuldades de competir com produtos importados, apoiados por uma taxa de câmbio desfavorável aos produtos locais. “Não são só os produtos químicos, mas também os artigos fabricados pelos clientes do setor químico estão com dificuldades para garantir mercado”, avaliou.

    Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) indicam que, entre agosto de 2010 e julho de 2011, o mercado local de químicos cresceu 7,7%, mas a produção interna caiu 1,9%, enquanto as importações químicas registraram aumento de 27,9%. Isso evidencia que o problema não está na demanda, mas na oferta.

    “Nos assusta muito a baixa capacidade de inovação do setor”, afirmou Reis. “Nesse caminho, nós nos tornaremos meros formuladores de produtos, feitos com insumos importados.” Ele reconheceu que as atividades de pesquisa básica e aplicada estão sendo benfeitas nas universidades e institutos especializados, mas esses esforços não se materializam em escala industrial. “Quando o assunto sai dos laboratórios é que começam os problemas dos empreendedores: burocracia, impostos, logística ruim e tantos outros entraves”, lamentou.

    Química e Derivados, Nelson Pereira dos Reis, Sinproquim, indústria química brasileira

    Reis: Brasil corre o risco de se tornar mero formulador de produtos

    Segundo Reis, o Sinproquim e a Abiquim estão se aproximando da Secretaria Estadual de Desenvolvimento para sensibilizar a autoridade governamental a apoiar mais as iniciativas inovadoras no setor. “Já existem linhas especiais de crédito na Nossa Caixa Desenvolvimento, mais isso ainda é pouco”, afirmou. As entidades patronais também estão sintonizando pleitos e discursos com os sindicatos de trabalhadores ligados à indústria química, estes igualmente preocupados com o “desinvestimento” do setor no estado.

    “Nenhum país cresceu sem ter uma indústria química forte”, apontou o presidente do Sinproquim. Apesar de ter grande densidade econômica (a sétima economia mundial), a indústria química local mostra uma forte dependência em produtos de baixo valor agregado. “Falta uma política pública para transformar os resultados das pesquisas em produção comercial efetiva, todos os países desenvolvidos tiveram isso em sua história”, comentou.

    Quando fala em política de desenvolvimento, Reis também se refere ao aumento da disponibilidade de matérias-primas. O gás natural, que tende a ser cada vez mais abundante com o avanço da exploração do pré-sal, é visto como uma oportunidade perdida. “A Petrobras está se apropriando de projetos a jusante que poderiam ter um efeito estruturante, por exemplo, ao investir em fábricas próprias para produção de amônia e ureia”, criticou. Além disso, dada a grande expectativa de produção de gás, ele acredita que a estatal precisará construir muitas termelétricas para consumi-lo, por não ter firmado parcerias com potenciais clientes industriais.



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