Química

14 de novembro de 2009

Congresso – ABQ promove reunião do setor em Porto Alegre

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) quer ampliar a adoção das práticas de atuação responsável para todas as indústrias do setor no país, independentemente de filiação ou não à entidade. Atualmente, apenas os associados participam do programa, que visa a minimizar o impacto ambiental da atividade química. A informação foi dada por Marcelo Kós da Silva Campos, consultor técnico da Abiquim, durante palestra no 49º Congresso Brasileiro de Química, realizado pela Associação Brasileira de Química (ABQ) de 4 a 8 de outubro, em Porto Alegre-RS. O tema central do evento foi “A Química e a sustentabilidade”.

    Química e Derivados, Marcelo Kós da Silva Campos, Consultor técnico da Abiquim, Química

    Marcelo Kós da Silva Campos: Atuação Responsável deve ir além dos sócios da Abiquim

    Iniciado no Canadá, em 1985, e depois introduzido nos EUA, na Inglaterra, na Austrália e também no Brasil, o programa visa à melhoria efetiva das empresas participantes e contempla publicações anuais que trazem informações sobre o desempenho em quesitos como segurança e meio ambiente.

    Os documentos incluem ainda os relatórios produzidos desde 2001 sobre volume de efluentes tratados, emissão de dióxido de carbono, acidentes no transporte rodoviário, parâmetros de saúde ocupacional e substituição de processos obsoletos por tecnologias de produção mais limpa e de eficiência energética. Segundo Campos, a atuação social também é compartilhada obrigatoriamente pelos associados da Abiquim.

    Entretanto, esses são apenas duzentos para um universo setorial estimado em mais de cinco mil companhias, muitas das quais nunca passaram na frente da sede da entidade. Para o técnico, a indústria química deve ser referência em desenvolvimento sustentável. Ele lembrou que a preocupação com a evolução da segurança química remonta 60 anos atrás, quando foram iniciados os primeiros debates sobre o tema.

    Por conta do despertar sobre a necessidade de corrigir o rumo ambiental dos processos, surgiram os marcos regulatórios em 1972, ano da primeira conferência mundial do meio ambiente. O segundo marco foi a ECO 92 no Rio de Janeiro, de onde saiu a Agenda 21. Em 2003, foi aprovado o sistema europeu Reach, que estará totalmente em vigor até o final de 2011.

    A preocupação crescente diz respeito à poluição e segurança dos produtos. A meta para 2020 é praticamente zerar o impacto ambiental da indústria química mundial. De acordo com Campos, é dever do conjunto da indústria química discutir e garantir a segurança química dos produtos, o que passa pelo desenho do mapa da atuação responsável no país e da construção de um banco de dados com o ciclo de vida das substâncias, antes e depois do processo.

    Para tanto, as auditorias precisam ser feitas no conjunto da indústria. Na Abiquim, essas medições já são corriqueiras desde 1988, e obrigatoriamente feitas por auditores externos desde 2005. Como forma de fazer cumprir as normas da atuação responsável, mesmo por parte de quem não faz parte de seus quadros, a Abiquim planeja lançar um manual simplificado de normas e procedimentos. O importante é fazer com que toda a cadeia química do país entenda e atenda à legislação ambiental mesmo dentro das suas limitações.

    Como salienta Campos, a atuação responsável basicamente consiste em promover o monitoramento e a avaliação do processo, levantar indicadores de desempenho e suprir de informações as auditorias externas de agências ou organismos oficiais, assim como implantar e importar os elementos norteadores, os quais estão descritos em documentações internacionais e nacionais. Assim, qualquer empresa com vontade política poderá incorporar a cultura da segurança química com atuação responsável.

    Os principais atributos apregoados pela Abiquim se relacionam com a proteção à saúde dos operadores e dos usuários dos produtos, qualidade de processos e de produtos e respeito ao meio ambiente. A entidade oferece documentos com 62 diretrizes revisadas entre 2003 e 2006 com base nas normas ISO, códigos ambientais e legais, critérios já consagrados na literatura.

    Programas de apoio – Há recursos disponíveis para a atualização do setor. Durante o congresso da ABQ o presidente da Associação Gaúcha de Empresas de Tecnologia e Inovação (Ageti), Tarso Ledur Kist, salientou que existem diversos programas do governo federal relacionados com o desenvolvimento de bioinseticidas para controle de insetos-praga, transmissores de doenças (dengue, malária, febre amarela), processos biotecnológicos para cadeia de produtos agropecuários, dispositivos diagnósticos, prognósticos e ferramentas terapêuticas para doenças negligenciadas e de tratamento do câncer.

    Há também programas para desenvolver novas moléculas com alto potencial no campo sanitário, produtos de uso em procedimentos de medicina humana, equipamentos de hemodiálise, aparelhos auditivos, radiologia digital, avaliação da qualidade de imagens médicas, segurança e desempenho de equipamentos eletromédicos, telemedicina e telessaúde, entre outros.

    O financiamento contempla áreas como despesas de custeio, pagamento de pessoal próprio,  contratação de consultorias especializadas de pessoa física ou jurídica, material de consumo e aluguéis de equipamentos. Investimentos de capital não são financiados com subvenção, assim como despesas com universidades. A verba é de R$ 450 milhões a ser utilizada em três anos.

    O valor mínimo solicitado à Finep por projeto é de R$ 1 milhão. No mínimo, 40% dos recursos serão destinados para micro e pequenas empresas com receita bruta até R$ 10,5 milhões e 30% para empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O prazo de execução do projeto é de até três anos.

    As linhas dos programas dizem respeito ainda a materiais emissores de elétrons, de materiais de alta densidade energética e de processos industriais para a fabricação de peças e sistemas estruturais com materiais compósitos, semicompósitos e cerâmicas, desenvolvimento de tecnologias e artefatos de detecção de ondas eletromagnéticas, monitoramento, controle, interceptação e bloqueio de comunicações e imagens.

    Nas regiões mais remotas do país, o governo vê como prioridade o desenvolvimento de tecnologias para facilitar a atividade laboral de pessoas portadoras de deficiência física, produtos e processos para transformação de vinhoto e aproveitamento da palha da cana na cadeia do etanol, equipamentos de extração de óleos de palmáceas e pinhão manso para a produção de biodiesel em pequena escala.


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