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15 de janeiro de 2012

Perspectivas 2012 – Comércio – Vendas crescem com apoio dos fabricantes e aumento nas importações químicas

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    química e derivados, perspectivas 2012, comércio de produtos químicos

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    distribuição de produtos químicos conseguiu recuperar em 2011 o faturamento anual obtido antes da crise global de 2008. Segundo estimativas preliminares da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), as vendas do setor devem ter ficado entre US$ 6,5 bilhões e US$ 7 bilhões, com um crescimento de 15% a 20% sobre os resultados de 2010.

    Importante perceber que a evolução do faturamento da distribuição se descolou do desempenho da indústria química nacional, que vem adiando sucessivamente os investimentos necessários para acompanhar o crescimento da demanda. “Isso indica a maturidade e a seriedade do setor comercial químico”, afirmou Rubens Medrano, presidente da Associquim.

    Apesar disso, ele ressalta que a parceria entre a indústria e a distribuição nunca foi tão intensa quanto agora. “Não fazemos importações predatórias, mas buscamos produtos complementares e diferenciados dos por aqui produzidos”, explicou, afastando qualquer insinuação de conflito entre as partes. “Para a distribuição, é importante ter uma indústria química local forte.”

    Medrano atribui o bom desempenho setorial ao fato de a distribuição ter recebido mais produtos da indústria e também ao crescimento do número de pequenas e médias indústrias consumidoras de insumos químicos, este explicado pelo avanço da economia nacional. “Ao lado da maior quantidade de produtos, a indústria nos transferiu mais responsabilidades”, afirmou.

    Acostumada a responder pelo fracionamento e embalagem de produtos, formação de blends e prestação de assistência técnica para seus clientes, entre outros itens, que podem chegar à administração de estoques, a distribuição está sendo solicitada a atuar como peça importante no desenvolvimento de mercado dos fabricantes. Segundo Medrano, isso implica criar um canal de informação de mão dupla, levando aos produtores dados sobre as necessidades de mercado levantadas pelos profissionais de campo das empresas comerciais. Estes, por sua vez, levariam aos clientes mais conhecimentos sobre aplicações e inovações. “Tudo isso tem um custo, mas ainda não está claro quem vai bancá-lo”, disse Medrano. Para ele, o simples repasse aos clientes é difícil, dada a forte concorrência, enquanto o aperto da margem dos distribuidores seria indesejável.

    O presidente da Associquim salienta que os volumes negociados realmente cresceram, mas as margens de lucro na distribuição apenas se mantiveram na faixa dos 3%. A elevação dos custos explica esse resultado, que contrariou expectativas iniciais do setor. Para ele, os empresários do comércio químico devem atentar para a remuneração dos seus negócios, sem deixar que a evolução positiva do faturamento os ofusque. “Algumas distribuidoras tiveram sérios problemas durante 2011 por causa disso”, apontou.

    A mesma recomendação vale para o desejo de acompanhar a distribuição geográfica da atividade econômica nacional. “Estamos vendo uma desconcentração industrial que aponta para o desenvolvimento maior das regiões Nordeste e Norte do país”, confirmou Medrano. “Mas isso não justifica diretamente a abertura de bases de distribuição nessas regiões.”

    Por ser uma atividade altamente regulada, dependendo de licenças, fiscalizações e certificações constantes, a operação de bases representa um alto custo, que precisa encontrar volume de negócios compatível para justificar sua implantação. Medrano prefere contar com uma estrutura de transporte eficiente a montar mais bases. “A distribuição precisa ser leve, se for pesada não vai atender bem o cliente”, explicou.

    Importações em alta – Com a demanda aquecida em diversos setores, como a produção de tintas, a distribuição aumentou suas importações. Isso foi preciso, segundo Medrano, porque os clientes passaram a demandar insumos de alta tecnologia, ainda não produzidos no país. Alguns fatores contribuem para incentivar a importação, como o real valorizado em relação ao dólar e ao euro. Sobressai o ambiente recessivo em mercados importantes, como a Europa e os Estados Unidos, este esboçando uma recuperação. “A persistência de crise nessas regiões indica que o consumo mundial de produtos químicos não vai aumentar significativamente”, afirmou Medrano.

    Nesse quadro, a tendência predominante não é de um derrame de produtos chineses no mercado brasileiro. “A China está cada vez mais absorvendo internamente a sua produção e segue crescendo, menos do que antes, mas cresce”, considerou. Ele também comentou a situação da produção química europeia, que pretendia lidar apenas com especialidades e itens de química fina. Esse objetivo, porém, foi bloqueado pela atuação da China e da Índia, hoje os maiores fornecedores mundiais de especialidades. Restou para a Europa ficar nas linhas de alta agregação de valor, com aplicação de inovações científicas e tecnológicas.


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