Economia

4 de maio de 2001

Comércio se esforça para compensar saltos do dólar

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Empresas do setor investem para ampliar linhas de produtos e serviços, além de intensificar trabalhos logísticos de modo a recuperar perdas provocadas pela variação cambial e satisfazer clientes

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    ois pesadelos turbam o sono dos comerciantes de produtos químicos, atendendo pelos nomes de variação cambial e crise energética. Ambos podem comprometer os resultados de 2001, interrompendo um período de quase doze meses de relativa estabilidade econômica, com bons e lucrativos negócios. O período de bonança começou com a superação da crise cambial de 1999, provocando mudanças significativas na composição do mix de produtos mantidos pelos comerciantes, com a perda de participação de itens importados no total de vendas.

    Entre os dois pesadelos, a crise de energia elétrica é a menos preocupante. “Não deverá ocorrer grande desequilíbrio, porque se um setor reduzir a atividade, os demais também devem ser afetados na mesma proporção”, afirmou Reinaldo Medrano, gerente comercial da Makeni Chemicals, embora ressalte a incerteza quanto aos efeitos futuros da crise. “Todos os nossos fornecedores de matérias-primas e também os nossos maiores clientes confirmaram o fornecimento de insumos e a programação de pedidos para os próximos meses”, informou Michel Mertens, vice-presidente de administração e finanças da Basf S.A. “Por enquanto não é possível definir aumento de custos provocados pela escassez de energia”, complementou Rolf-Dieter Acker, presidente da companhia.

    “A Rhodia está preparada para superar a crise energética por meio de programas internos de economia e aumento da geração própria em algumas unidades”, disse Nilton Ribeira Perez, gerente de negócios da divisão de produtos para papel, pintura e materiais de construção (PPMC). Segundo relatou, os fornecedores da companhia já garantiram suprimento, consolidando o quadro de tranqüilidade de oferta. “Mas, os clientes continuarão comprando?”, perguntou. Pelos levantamentos de mercado da Rhodia, a área de papel revestido segue sem problemas, mas a indústria automobilística começou a dar soluços, embora tenha alcançado recentemente recordes de produção. Até o final de junho, os distribuidores confirmaram os pedidos, sem alterações. “Com o dólar a R$ 2,50 esperávamos uma catástrofe, mas já houve a acomodação das cotações, que ajudará a conter a pressão de alta já existente por causa do preço do petróleo”, comentou.

    Segundo Perez, os repasses derivados da desvalorização do real não são feitos imediatamente, mas distribuídos em períodos relativamente longos. “Principalmente nesse caso, em que a subida do dólar foi especulativa e já se esperava uma baixa”, explicou.

    Alguns produtos tendem a apresentar restrições de suprimento por causa da falta de eletricidade. É o caso da soda cáustica, oriunda de indústria de consumo intensivo de eletricidade, da qual o governo federal exigiu o corte de demanda de eletricidade da ordem de 25%. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Álcalis e Cloro Derivados (Abiclor), já em 2000 houve importação de soda para suprir a demanda interna. Com a restrição de consumo de eletricidade, essas importações devem ser ampliadas, a menos que alguns setores industriais também reduzam a sua atividade, a exemplo da produção de alumínio, que também deve cortar o consumo elétrico em 25% na região Sudeste e em 7% na região Norte. Os distribuidores de soda cáustica da Dow já foram avisados que a companhia garantirá o abastecimento nos volumes usualmente consumidos pelos seus clientes e distribuidores, ainda que seja preciso importar o produto de outros países, complementando a fabricação local, estabelecida no Distrito Industrial de Aratu, na Bahia.

    Química e Derivados: Comércio: Abrantes - impacto cambial foi maior que ameaça de apação.

    Abrantes – impacto cambial foi maior que ameaça de apação.

    Alguns produtos devem retomar as antigas práticas de contingenciamento de vendas, conhecidas como “política do cobertor curto”, cobrindo ou a cabeça, ou os pés. “Acreditamos que não faltará nenhum produto, mas alguns deles devem voltar ao regime de cotas durante o período de crise”, explicou o presidente da Associação Brasileira do Comércio de Produtos Químicos (Associquim) e do sindicato empresarial congênere, o Sincoquim, Rubens Medrano. Segundo informou, alguns produtores locais já começaram a alertar os seus distribuidores sobre cortes de fornecimento, exigindo do comércio estudar e planejar melhor suas vendas.

    Do ponto de vista estrito das empresas de comércio, não será difícil cumprir a meta de redução de consumo de 20% estabelecida pelo governo federal. “O comércio não é um consumidor intensivo, a maior demanda está na iluminação, sistemas de conforto (ar condicionado) e, em alguns casos, no bombeamento de produtos”, explicou o dirigente setorial. Na Makeni, o consumo de eletricidade passou a ser monitorado e adotaram-se medidas de economia interna, que estabelecem o desligamento de aparelhos de ar condicionado e redução de iluminação em pontos que não comprometem a segurança operacional e a saúde ocupacional. “Estamos ligando nosso gerador todas as sextas-feiras, além de tornar mais racionais as operações de entamboramento de produtos”, explicou Reinaldo Medrano.

    A Agroquímica Maringá adotou plano de redução voluntária de consumo, pelo qual um terço das suas lâmpadas foi desligado e o elevador de prédio administrativo fica parado. “Investimos em gerador próprio no ano passado, e o estamos ligando durante quatro horas por dois dias na semana”, comentou o seu diretor-presidente Jacques Mosseri. “Vamos alcançar a meta de 20%, com folga.”


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