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17 de janeiro de 2009

Comércio: Perspectivas 2009 – Cortes apressados podem impedir o aproveitamento de boas oportunidades

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Comércio

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    crise econômica chegou ao comércio químico de repente, como uma tempestade de verão que se forma e desaba em poucos minutos. Setembro dividiu 2008 em dois períodos distintos. Antes dele, os negócios eram fechados em ritmo vertiginoso, acumulando pedidos de clientes de todos os segmentos. A maior preocupação dos empresários era garantir produtos para manter abastecidos os compradores.

    Depois de setembro, porém, foi a vez de enfrentar a tempestade. A atividade econômica mundial, a brasileira inclusive, caiu, e os telefones pararam de tocar. As cotações internacionais dos produtos químicos desabaram, afetando até mesmo a soda cáustica, entretanto os benefícios dessa situação não chegaram aos compradores daqui. A desvalorização do real acabou engolindo a maior parte da flutuação de preços.

    Química e Derivados, Rubens Medrano, presidente da Associquim, Comércio

    Rubens Medrano: câmbio volátil deixa empresários muito apreensivos

    O comércio químico no Brasil começou 2009 sem ter ainda como elaborar prognósticos. “As vendas de novembro e dezembro foram trágicas, mas janeiro apresentou uma ligeira recuperação, talvez pela necessidade de recomposição de estoques pelos clientes”, avaliou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira do Comércio Químico (Associquim). “É possível que 2009 não seja tão ruim como pensávamos, nem tão bom como gostaríamos. Caso mantenha o faturamento de 2008 já será ótimo.”

    Medrano informou que o setor teve crescimento de vendas de 33% entre janeiro e junho de 2008, mantendo o passo até setembro, quando iniciou a retração. “O resultado de janeiro a dezembro ficou em torno de 22% de aumento de faturamento dolarizado”, comentou. Ele mencionou que o mercado praticamente parou em dezembro. As vendas no mês caíram 30% em relação a dezembro de 2007.
    Na sua avaliação, o ano passado foi muito bom para todos os setores da economia nacional. Para o comércio químico, ele permitiu a recuperação de margens de lucro, com a pujança da demanda superando a elevação dos preços internacionais.

    A variação cambial de quase 30% em trinta dias (entre setembro e outubro), fato que há algumas décadas seria rotulado de “maxidesvalorização”, foi um golpe duro nas empresas de comércio químico, muito dependentes de importações. “O pior é a volatilidade persistente, que gera insegurança e impede o planejamento das atividades comerciais”, lamentou Medrano. Em setembro e outubro, segundo informou, muitas empresas adiaram o desembaraço de mercadorias nos portos para evitar maiores prejuízos.

    Desde outubro, as distribuidoras químicas brasileiras começaram a reduzir seus pedidos colocados nos fornecedores internacionais. “Os contratos de distribuição preveem esse tipo de ajuste quantitativo, não há mais a imposição de cotas rígidas”, explicou o dirigente setorial. Esse movimento foi efetuado para contrabalançar o encolhimento das ordens de compra dos clientes, principalmente dos fabricantes de tintas automotivas e industriais.

    Medrano comentou que todas as cadeias produtivas estão se adaptando aos novos tempos, buscando reduzir custos e aumentar a eficiência das operações. Os estoques da distribuição já estavam sendo mantidos em níveis baixos para reduzir o custo de capital. “Mantemos estoques para apenas 1,2 a 1,4 mês de operação”, disse. “A distribuição precisa por um olho no estoque, outro no fluxo de caixa e também na inadimplência.” Por enquanto, os clientes têm honrado os pagamentos, sem assustar os comerciantes que, desde 2008, já estiveram muito seletivos na concessão de prazos e créditos.

    Com base em dados da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), da qual também é dirigente, Medrano avalia que a população brasileira começou o ano altamente endividada. Por isso, as vendas de bens de consumo não deverão apresentar aumentos. Além disso, o medo do desemprego surge como um freio nas intenções de compra.


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