Economia

25 de abril de 2003

Comércio: Instabilidade cambial prejudica o comércio

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Valorização brusca do real faz clientes postergarem ou fracionarem pedidos, enquanto comerciantes assistem à depreciação dos seus estoques, em ambiente cada vez mais competitivo

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    s empresas de comércio de produtos químicos sofrem os efeitos das oscilações econômicas nacionais, mas se mantêm animadas com as perspectivas de estabilidade nos próximos meses, além da possibilidade de ver concretizadas as reformas estruturais pleiteadas há anos. A recente valorização do real frente ao dólar, embora ainda não tenha recuperado o nível de junho de 2002 (por volta de R$ 2,30 por US$), foi significativa e trará alguns prejuízos para quem estava muito estocado, pois obriga a reduzir o preço de venda na mesma proporção da variação cambial.

    “Ainda é cedo para avaliar o governo Lula”, disse Rubens Medrano, presidente da Associação Nacional e do Sindicato Estadual do Comércio de Produtos Químicos (Associquim/Sincoquim). O comportamento do mercado financeiro, para ele, refletiu a “demonização” do candidato petista às eleições passadas, e agora, aparenta concordar plenamente com a política do presidente eleito. “Nem ele era o demônio que estavam pintando, nem as condições econômicas atuais são maravilhosas”, ponderou. Levantamento preliminar da associação com seus filiados indica que o faturamento setorial cresceu 20% em reais durante 2002, tendo recuado de 8% quando cotado em dólares.

    No entender do líder setorial, o panorama de negócios ainda é ruim, principalmente pelas altas taxas de juros praticadas no País, que restringem a oferta de crédito e, por conseqüência direta, mantêm reprimida a demanda local. Dessa forma, os investimentos produtivos ficam limitados, deixando de gerar empregos. Sem um mercado interno dinâmico, os produtos exportáveis obtêm melhor desempenho. “O setor automobilístico brasileiro está muito bem, graças às exportações”, afirmou. Ele não concorda que a alta do dólar (que beirou R$ 4,00, no início do ano) seja a responsável por isso, pois os carros possuem alto índice de componentes importados, implicando aumento de custos.

    Química e Derivados: Comércio: Medrano - juros altos reprimem a demanda.

    Medrano – juros altos reprimem a demanda.

    “Para a economia nacional, o ideal é uma certa estabilidade cambial”, disse Medrano. Ele salienta que o mercado de moedas estrangeiras não é totalmente livre no Brasil, de modo que as empresas importadoras não conseguem fazer hedge no valor integral das operações. “O Banco Central impõe limites para o fechamento de operações de câmbio”, explicou. Os importadores acabam arcando com riscos excessivos. Por exemplo, quem desembaraçou produtos no porto com o dólar a R$ 4, agora vai vender o produto com o dólar a R$ 3, ou seja, com uma perda de 25%. Já quem esperou para fechar o câmbio um mês depois, pagou menos pela moeda americana.

    “Quando o dólar ficou caro, no ano passado, em ambiente econômico morno, fomos obrigados a repassar o custo para os clientes; agora, com o câmbio favorecendo o real, é hora de baixar os preços”, explicou Fernado Rafael Abrantes, diretor-superintendente da Ipiranga Comercial Química (ICQ). Ele afirmou que isso implica a depreciação, em reais, dos estoques existentes, compensado pelo ganho obtido no ano passado, com a desvalorização do real. “Essas oscilações cambiais muito bruscas são péssimas”, lamentou.

    Medrano explica que poucas empresas estavam estocadas, pois tradicionalmente o material vendido no final do ano anterior ainda não foi reposto. “Mas, o setor estava em fase de planejamento de negócios, que precisará ser refeito, atrasando as compras”, informou. Como efeito reflexo, ele aponta que os compradores estão adiando ou parcelando pedidos, aguardando uma queda ainda maior na cotação da moeda americana frente ao real. “O resultado do mês de março sofreu com essa postergação de negócios, além do grande número de feriados, que também prejudicou o do mês de abril”, afirmou.

    Há indícios, porém, de melhores dias. O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, no final de abril, projetos de reforma previdenciária e tributária. Antes disso, o PIS acumulativo foi eliminado, embora tenha sido mantida e majorada a Cofins. “As contribuições que tomam por base o faturamento das empresas são particularmente danosas para os atacadistas de qualquer ramo”, explicou Medrano. Essas empresas lidam com grandes volumes de produtos, sempre com margens reduzidas de rentabilidade.

    Química e Derivados: Comércio: Abrantes - saúde ocupacional abre mercado.

    Abrantes – saúde ocupacional abre mercado.

    Mesmo com as dificuldades conjunturais e estruturais, o comércio de produtos químicos ainda motiva a investir, como a Bestquímica, que alocou R$ 8 milhões na nova sede, em São Bernardo do Campo-SP. A Ipiranga Química constrói seu centro de distribuição em Guarulhos-SP, orçado em R$ 22 milhões, além de remodelar suas bases regionais e atualizar a informatização empresarial. “Os investimentos não são generalizados no setor, mas existem”, disse Medrano. “A distribuição de produtos químicos tem um papel relevante a cumprir.”

    Em tempos conturbados como o atual, o presidente das entidades setoriais recomenda adotar práticas eficazes de administração empresarial, de modo a evitar prejuízos. Também se revela importante definir corretamente o mix de produtos e o alcance geográfico de atuação, apurando o foco dos negócios e atendimento aos clientes. Dessa forma, a atuação nacional deve ser criteriosamente estudada, levando-se em conta as diferenças mercantis regionais, que exigem políticas diferenciadas de preços, prazos e atendimento, por exemplo. “Abrir mais filiais só significa, com certeza, que os custos vão aumentar, o faturamento, nem sempre”, afirmou Medrano. A abertura de filiais também sofre com a confusa arrecadação de ICMS, que varia de Estado para Estado, além da exigência de licenças para cada sítio operacional.


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