Economia

5 de setembro de 2001

Comércio Exterior: Feira aproximará Brasil e China

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Situada no leste do continente asiático e com extensão próxima dos 9,5 milhões de km², a República Popular da China, décima potência comercial do mundo, é uma das poucas economias centralizadas que ainda restam. Soma cerca de 1,2 bilhão de habitantes e registra PIB (Produto Interno Bruto) da ordem de US$ 1 trilhão (1999). Nos próximos 20 anos, segundo o Centro de Pesquisas de Desenvolvimento e do Instituto de Economia da China, o país manterá crescimento médio anual de 7,3%. Como resultado, precisará buscar novas fontes de suprimento e aumentar as importações de alimentos para complementar a produção doméstica. Esses foram os pontos tratados no seminário promovido pela Associação Brasileira de Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo.

    Enquanto o Japão é o seu maior fornecedor, com uma fatia de 33,8% nas exportações, o Brasil só detém 0,97% do total. Segundo o embaixador e ex-cônsul geral do Brasil em Xangai Francisco de Lima e Silva, o mercado chinês é quase inexplorado pelos empresários brasileiros. Nos últimos anos, o País exportou para lá cerca de US$ 1 bilhão anual. Em 1999, metade desse valor correspondeu a um só produto: a soja. Um quarto das vendas ficou por conta do minério de ferro fornecido pela Vale do Rio Doce, MBR e CBMM, e o restante se dividiu entre polpa de madeira, máquinas, autopeças e couro. O Brasil concentra essas negociações com poucos itens.

    A China, ao contrário, tem uma pauta bem mais diversificada e com produtos de maior valor agregado, como aparelhos transmissores, receptores e componentes, motores, geradores, máquinas automáticas para processamento de dados, brinquedos, calçados, acessórios de aparelhos videofônicos, aparelhos de som e gravadores. De dois anos para cá houve expressivo crescimento da demanda por plásticos no mercado chinês, graças ao abandono do uso de vasilhames antigos, de vidro em sua maioria, substituídos pelas embalagens do tipo PET. Além disso, segundo Charles Andrew Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, seu país é o maior importador do Brasil de PETs usadas para reciclar e formatar matéria-prima às indústrias têxteis.

    De olho no mercado brasileiro, a Câmara de Comércio Brasil-China decidiu organizar uma feira, entre 25 e 28 de abril de 2002, em Xangai, para promover empresas brasileiras de todos os segmentos. A data programada coincide com o ingresso da China na Organização Mundial de Comércio (OMC).

    Segundo Tang, a China dispõe de US$ 280 bilhões de reservas em divisas para investir no Brasil. O presidente da Câmara confirmou ainda existir oito projetos concretos, representando investimentos desde US$ 10 até 20 milhões, nas mãos dos chineses à cata de parceiros brasileiros para instalação de fábricas naquele país. “As áreas de maior interesse são a farmacêutica, de motocicletas, ar-condicionado e maquinários”, disse ele.

    Falta de motivação – A presença do Brasil na China restringe-se à Embraco, de Santa Catarina que, em Pequim, junto a outra fábrica chinesa, produz compressores herméticos, além do um escritório da Campanhia Vale do Rio Doce, em Xangai. Em maio de 2000, a Embraer deu o primeiro passo para a conquista do mercado chinês, instalando-se em Pequim. Quatro meses depois, em setembro, a companhia aérea Sichuan Airlines recebeu seu primeiro ERJ 145 de uma encomenda de cinco jatos, cuja entrega final acontecerá ainda neste ano.

    Para o embaixador Lima e Silva, a falta de interesse do empresariado brasileiro pela China se dá por vários motivos. A enorme distância entre as duas nações seria um deles, embora essa mesma distância é a mesma que separa o Brasil do Japão, tradicional parceiro comercial. Outro ponto inibidor, ou talvez o de maior peso, é o desconhecimento que se tem sobre a China, seus usos e costumes ou de suas realidades. Na opinião de Lima e Silva, essa barreira cultural faz com que os brasileiros temam, ou sintam-se pouco à vontade, diante do ainda misterioso e insondável mundo chinês.

    “Essa atitude de insegurança se justifica pela falta de convivência e trato que temos com a realidade daquele país”, diz ele, ao afirmar que negociar com um parceiro chinês requer paciência e obediência a certas normas de conduta.

    Há, preliminarmente, um processo de troca de amabilidades, convites para jantares com oferecimento de pequenas lembranças, conversas amenas, enfim todo um ritual que se destina a criar um clima de confiança entre as partes. Apesar disso, China vem ampliando suas negociações com o Brasil.

    Atualmente, possui uma fábrica de tratores em Santa Catarina, uma plantação de sisal no Rio Grande do Norte, uma usina termoelétrica no Rio Grande do Sul e uma fábrica de aparelhos de ar condicionado em Manaus. Seu ministro-conselheiro para Assuntos Econômicos da Embaixada Qi Linfa confirma o grande interesse de o país asiático em manter relações comerciais com o Brasil. Em 2000, esse intercâmbio envolveu US$ 2,845 bilhões. “Deste volume”, conta Linfa, “US$ 1,224 bilhão representou as exportações da China para o Brasil e US$ 1,621 bilhão, as exportações do Brasil para a China. Os números comprovam saldo favorável à balança brasileira de US$ 400 milhões.

    E como disse o embaixador Lima e Silva, parodiando o ministro da Agricultura Pratini de Moraes, “o Brasil precisa deixar de ser comprador. Tem de arregaçar as mangas e, como os chineses, sair vendendo”.



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