Economia

2 de março de 2004

Comércio: Encontro une setor na América Latina

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Realizado nos dias 11 e 12 de março, o Encontro Brasileiro de Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (EBDQuim) conseguiu a proeza de enclausurar os duzentos participantes no auditório do Club Med de Trancoso-BA durante um dia e meio de painéis.

    Química e Derivados: Comércio: Os seis primeiros distribuidores certificados pelo Prodir - Beraca, Makeni, Best, Gotaquímica, Cosmoquímica e Ipiranga.

    Os seis primeiros distribuidores certificados pelo Prodir – Beraca, Makeni, Best, Gotaquímica, Cosmoquímica e Ipiranga.

    Com programa extenso e exaustivo, o encontro permitiu atualizar os representantes de quase 50 empresas comerciais brasileiras, além de várias estrangeiras, sobre as tendências e problemas que afetam ou afetarão o setor nos prximos anos, sempre com o apoio de entidades de classe locais e estrangeiras, além de palestrantes da indústria química.

    Entre os painéis, dois fatos marcantes. Seis distribuidores brasileiros receberam os primeiros certificados de conformidade com o Programa de Distribuição Responsável (Prodir), a saber: Cosmoquímica, Ipiranga Comercial Química, Best Química, Gotaquímica, Beraca/Sabará e Makeni. Além disso, representantes do comércio químico do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru e Uruguai elaboraram a “Carta de Trancoso”, documento por meio do qual criaram uma comissão com a tarefa de constituir a Associação Latino-Americana dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Aladquim).

    “A formação de uma entidade representativa do setor em âmbito regional amplo é coerente com os movimentos atuais de segmentação do setor por grandes blocos comerciais, a exemplo da possível criação da Alca, além da profusão de acordos bilaterais entre vários países”, explicou Rubens Medrano. Já há esforços internacionais para harmonizar regulamentos aduaneiros e sanitários, eliminando barreiras não-tarifárias, fator que apóia a iniciativa do setor. Ao mesmo tempo, o Conselho Internacional de Associações do Comércio Químico (ICCTA) divulga e incentiva a adoção de seus Programas de Distribuição Responsável, padronizando muitas operações. “Temos consciência das dificuldades em montar uma entidade setorial desse porte, mas elas precisarão ser vencidas para que possamos defender nossos interesses e o livre comércio entre os países”, afirmou.

    Temário diversificado – O encontro começou com palestra do economista José Roberto Mendonça de Barros, professor da FEA-USP, consultor, e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. Na sua análise, o governo Lula conseguiu recuperar a credibilidade internacional do País, por meio de um programa fiscal rígido. No entanto, isso acarretou a queda no PIB, atrasou investimentos no País, redundando em desemprego. Para 2004, seus cálculos apontam uma expansão do PIB da ordem de 3,5%. “É um resultado ainda decepcionante, muito aquém da necessidade social do País”, lamentou.

    Assustador foi ouvir de empresários o comentário que o palestrante teria sido muito otimista na sua previsão.

    Em seguida, as perspectivas e vicissitudes do setor petroquímico foram detalhadas pelo presidente do conselho da Abiquim, Carlos Mariani Bittencourt. Em faturamento líquido, a química brasileira foi ultrapassada pelos concorrentes mundiais, tendo despencado do quinto posto mundial, em 1990, com US$ 32 bilhões, quase alcançando a China, então com US$ 34 bilhões, para a 11ª posição em 2002, ainda que tivesse faturado US$ 37 bilhões. Nesse ano, a China já assumiu a quarta colocação, com US$ 97 bilhões, tendendo a bater a marca de US$ 100 bilhões já em 2003.

    A petroquímica mundial está na iminência de um período de escassez de insumos e produtos, que provocará a elevação de preços e a recuperação de margens no setor industrial. Pelo lado da oferta de eteno, o Oriente Médio apresentará grande crescimento até 2010, chegando a 15 milhões de t/ano. A China também investe para dobrar a capacidade instalada, perfazendo 13 milhões de t/ano em 2010. “Enquanto a China investe para crescer 13,1% ao ano, e o Irã, 40% ao ano, o Brasil ampliará sua capacidade petroquímica em 4,8% ao ano de 2003 a 2010”, ressaltou Mariani. No caso brasileiro, a questão fundamental é o suprimento de nafta ou gás natural em quantidade e preços suficientes para justificar o investimento em novas capacidades petroquímicas.

    Por sua vez, o vice-presidente da Basf S/A Fernando Figueiredo criticou a falta de atenção do governo para com o setor produtivo nacional, em especial o químico e petroquímico. “A grande importação de produtos revela oportunidades de investimento”, afirmou. No entanto, a falta de infra-estrutura logística de qualidade e de suprimento de matérias-primas e insumos, aliadas ao alto custo tributário das operações locais, em ambiente de baixa segurança institucional pela falta de marcos regulatórios entravam o deslanche dos projetos, que acabarão sendo transferidos para outras regiões do mundo.

    Assuntos globais – A presença de representantes de associações do comércio químico da Europa e da América do Norte permitiu perceber muitas semelhanças com os cogêneres brasileiros. A palavra de ordem é cortar custos, já que a concorrência acirrada emagrece as margens de lucro também nessas regiões.

    “Estamos substituindo nosso sistema de ligações telefônicas por outro, que usa a estrutura da internet, com ferramentas de tecnolgia das informações, para cortar despesas”, afirmou o belga Edgar Nordmann, presidente da distribuidora Nordmann, Rassmann GMBH & Co e presidente da Associação Européia de Distribuidores Químicos. Lá como aqui, a saúde financeira das companhias torna-se relevante para manter bom relacionamento com fornecedores, interessados em negociar contratos com empresas saudáveis.


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