Economia

11 de junho de 2002

Comércio: Dólar caro e portos parados prejudicam comércio químico

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Expectativa eleitoral e conjuntura mundial desfavorável exigem cautela e fazem setor rediscutir questões como o tamanho ideal e o foco das operações, feitas com zelo ambiental

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    comportamento ciclotímico das cotações do dólar deixa de cabelos em pé qualquer empresário brasileiro. No comércio de produtos químicos, itens atrelados à moeda norte-americana, o efeito é ainda mais forte. A instabilidade econômica espanta compradores de artigos duráveis, como automóveis e utensílios domésticos, produzindo reflexos gravosos ao consumo de produtos químicos. Com o mercado frouxo e a gangorra cambial, os comerciantes muitas vezes ficam na situação desconfortável de realizar vendas a preços abaixo do custo de reposição dos estoques.

    A situação ficou ainda pior a partir de abril, com a deflagração da “operação padrão” dos auditores fiscais federais encarregados de liberar mercadorias importadas. Por quase dois meses o fluxo de mercadorias ficou estrangulado nos portos. Mas os compromissos de compra tiveram de ser honrados no vencimento, com a conversão da moeda feita pelo valor do dia. Ou seja, comprometendo o capital de giro das empresas, também oneradas por despesas com fretes, estadia em armazéns, taxas de capatazia, aluguel de contêineres e impostos.

    Química e Derivados: Comércio: Medrano - distribuidor regional volta a ser valorizado.

    Medrano – distribuidor regional volta a ser valorizado.

    “A volatilidade cambial é ruim para todos”, lamentou o presidente da Associação Nacional e do Sindicato Estadual de Produtos Químicos (Associquim/Sincoquim) Rubens Medrano. “Quando o dólar sobe, os negócios param.” Como exemplo ele citou o mês de junho, durante o qual o dólar passou de R$ 2,90, registrando queda de vendas da ordem de 20%.

    Nem a conquista da Copa do Mundo de futebol animou o mercado. “Estamos seguindo a cartilha do Felipão: se empatar está bom”, disse Medrano, referindo-se ao desempenho do setor para este ano. O primeiro semestre de 2002 já ficou abaixo das vendas do mesmo período de 2001. Levantamento realizado pela Associquim indicou, para o ano passado, queda do faturamento setorial da ordem de 5% em moeda forte. Em reais, o total das vendas cresceu 15%, chegando a R$ 1,5 bilhão, quase 8% do total faturado pela indústria química brasileira.

    Além do comprometimento do capital de giro, a paralisação da aduana provocou desabastecimento em alguns ramos industriais, como na indústria de tintas e de componentes automobilísticos. Apenas ingredientes alimentícios e farmacêuticos tiveram liberação normal. Ante à retomada das paralisações, já anunciada para agosto, a entidade setorial enviou ofício ao Ministério da Fazenda, solicitando a liberação das mercadorias mediante o recibo de recolhimento fiscal feito pelo importador. “A lei prevê que o poder público tem prazo de cinco anos para cobrar diferenças de recolhimento que entender cabíveis”, explicou Medrano. A demora na liberação de mercadorias nos portos aconteceu na época usada pelos comerciantes para formar estoques, visando atender a demanda do segundo semestre do ano.

    Risco e oportunidade – O mesmo cenário revela sustos e também boas oportunidades de negócios. As vendas de commodities químicas, nos últimos anos perdendo atratividade frente às valiosas especialidades, ofereceram remuneração satisfatória em 2001 e 2002. “Por conta da crise de eletricidade, a soda cáustica apresentou picos de preço em 2001, permitindo boa remuneração”, comentou Eduardo Castro, diretor da Morais de Castro, tradicional distribuidora sediada em Salvador-BA, com filiais em Pernambuco e no Rio de Janeiro. No ano passado, as vendas cresceram, tanto em volume, quanto em valor, perfazendo R$ 24 milhões, contra R$ 18,7 milhões do ano anterior. Mantendo a política de 40 anos de reinvestir resultados, a empresa está modernizando sua área administrativa.

    No caso da soda, Castro verificou que os preços baixaram no início de 2002, com o fim das restrições de consumo de energia. Mas eles voltaram a subir em junho, e não devem ficar contidos pelos próximos anos. “Estudos mostram que falta capacidade produtiva de soda no mundo, aliás o Brasil já a importa há anos”, afirmou. Houve aumento nacional da demanda, sobretudo a partir da inauguração, no ano passado, de uma grande unidade produtora de defensivos agrícolas da Monsanto, em Camaçari-BA, que absorveu grande parte da produção da antiga Cia. Química do Recôncavo (CQR), controlada pela Trikem (grupo Odebrecht). Também as vendas para lavagem de garrafas de cerveja foram maiores durante a Copa do Mundo, segundo Castro. Ao mesmo tempo, algumas unidades produtoras de soda e cloro encerraram atividades ao redor do Planeta. O desabastecimento global pode ser avaliado pelo fato inédito de os preços do álcali e do cloro subirem simultaneamente. “A produção de PVC no Brasil também está a pleno vapor”, afirmou, com base nas vendas de iniciadores de polimerização feitas pela Laporte/Degussa, para quem presta serviços de operação logística.

    Apesar dos bons resultados obtidos em 2001, quase igualados em 2002, o diretor aponta alguns problemas do setor: “Paguei em impostos seis vezes mais do que obtive em resultados”, comentou, salientando a urgência de uma reforma tributária nacional. Fora isso, ele criticou a atuação de algumas empresas oportunistas que não atendem os requisitos de segurança e proteção ambiental.

    Também a crise argentina produz reflexos no mercado nordestino, a mais de 3 mil km distante. “O TDI da Argentina está chegando ao Nordeste com preço muito baixo, bloqueando as vendas do produto nacional, e influenciando também os negócios com polióis”, afirmou Castro. Apenas itens especiais dessas linhas encontram compradores.


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