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3 de setembro de 2004

Combustíveis: Traçantes químicos combatem a adulteração da gasolina

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Abastecer o veículo é uma operação simples, mas não pode ser considerada 100% segura. O risco consiste em encontrar pela frente a chamada “gasolina batizada”, que vem causando um prejuízo grande para os consumidores e para o País. A CPI dos Combustíveis e a Receita Federal calcularam que a adulteração e a sonegação custam aos cofres nacionais cerca de R$ 10 bilhões ao ano.

    A partir dos índices de não-conformidade sistematicamente encontrados, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) considera críticos os mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro, os dois maiores do país. As fraudes atingem, além da gasolina, o óleo diesel e o álcool hidratado.

    Como a oportunidade é irmã gêmea da crise, a Carbono Química está desenvolvendo a comercialização de um produto para ajudar a controlar essas fraudes. Como representante da Nalco Energy Services, dos Estados Unidos, a empresa vem oferecendo às distribuidoras de combustíveis, desde o início deste ano, os traçantes da Linha Unimark, que têm uma experiência bem sucedida de sete anos em seu país de origem. “É uma ferramenta de fidelização para as distribuidoras verificarem com os postos. A finalidade é rastrear o produto ao longo da cadeia”, argumenta o diretor-operacional, Roberto Giannini.

    Química e Derivados: Combustíveis: Amarilla -  molécula específica para cada cliente. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Amarilla – molécula específica para cada cliente.

    Os traçantes Unimark são desenvolvidos com exclusividade para cada cliente (molécula exclusiva), não alteram as propriedades do combustível e só podem ser identificados por um teste que dura, aproximadamente, 30 segundos. “Para saber, por exemplo, que a gasolina é da BR, só se tiver o traçante específico”, explica o diretor comercial, Victor Luis Maluf Amarilla.

    O produto é adicionado ao combustível na proporção de 10 ppm de princípio ativo – um litro de traçante para cada 100 mil litros de combustível. A detecção de irregularidade ou não pode ser feita por aparelho ou visual. Assim que o combustível é colocado em um frasco com o agente extrator e o agente revelador, o traçante imediatamente desenvolve a cor específica selecionada pelo distribuidor. Essa é a avaliação qualitativa.

    No teste quantitativo, o processo de intensidade de cor indica quanto de combustível existe na amostra. São utilizados 4 ml de combustível, 1 ml do agente extrator e 1 gota do agente revelador. Com um espectrofotômetro se determina o traçante. Se o produto foi adulterado, o teste de intensidade não apresentará os 10 ppm de traçante e sim um índice menor. “O ensaio é muito preciso”, garante Amarilla. A Carbono distribui o traçante e fornece os kits com tubos de ensaio, o extrator e o revelador.

    Amarilla afirma que existem muitos traçantes no mercado, mas frisa que o diferencial oferecido pela Carbono é a facilidade na detecção da adulteração. “Esse tipo de traçante tem uma química muito complexa. Qualquer tentativa de clonagem resulta em novo produto. Os métodos de detecção são simples e fornecem resultados confiáveis.” Além disso, ele revela que o produto é “bastante barato”: “Custa para a distribuidora de 2 a 3 centésimos de centavo por litro de gasolina.”

    Giannini explica que a adição nos combustíveis é tão pequena que não exige regulação da ANP. “Este é um produto para gente séria. O dono do posto vai pensar duas vezes antes de fazer bobagem”, conclui.

    Ao analisar amostras de gasolina, óleo diesel e álcool hidratado, a ANP constatou que os índices de não-conformidade sofreram uma redução em julho deste ano, em relação ao mês anterior. Ainda assim, eles foram mais elevados do que a média do primeiro semestre do ano. Picos de não-conformidade para gasolina foram observados nos Estados de Pernambuco e de Alagoas. Para óleo diesel, em Pernambuco e no Paraná. E, para álcool hidratado, no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Maranhão e Piauí.

    Segundo a ANP, a destilação (44% das não-conformidades) e o teor de álcool (37%) foram os responsáveis pela maioria dos problemas encontrados na gasolina, em julho. A octanagem apresentou-se fora dos padrões em 16% das amostras coletadas. No óleo diesel, grande parte das não-conformidades refere-se a problemas de armazenamento de combustível – aspecto e cor – e distribuição – presença de corante vermelho e teor de enxofre. Em julho, 30% das amostras analisadas foram consideradas não-conformes em relação à presença de corante, 36% em relação ao aspecto e 4% apresentaram elevado teor de enxofre.

    Já o álcool continua apresentando índices expressivos de não-conformidades que, de acordo com a ANP, podem ser imputados a problemas de produção e/ou armazenamento – pH, condutividade e aparência. 32% das não conformidades do mês de julho foram de teores alcoólicos fora da especificação, provavelmente por adição de água ao combustível em algum ponto da cadeia de comercialização.

    A ANP também informa que “as não-conformidades detectadas por bandeira das distribuidoras dos postos revendedores monitorados indicam, de uma forma geral para todos os produtos, uma relativa concentração em algumas distribuidoras”.



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