Economia

25 de dezembro de 2003

Combustíveis: Cresce o consumo do óleo de xisto no Brasil

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Há uma tendência de utilização do óleo de xisto como combustível líquido. Embora ainda tenha uma participação pequena no mercado, em relação ao consumo do óleo combustível, o óleo de xisto apresenta perspectivas de uso industrial amplamente favoráveis, principalmente quando se busca eliminar problemas de contaminação no meio ambiente, além de reduzir custos. Calcula-se que a economia final no processo varia de 12% a 20%, em comparação ao óleo combustível.

    Química e Derivados: Combustíveis: Fernandes (esq.) e Freitas - mercado potencial pede investimentos para ampliar a oferta.

    Fernandes (esq.) e Freitas – mercado potencial pede investimentos para ampliar a oferta.

    Maior distribuidora privada do produto, a BetunelKoch registrou, em 2003, um incremento de 50% nesse negócio. Para 2004, o superintendente da região Sudeste, Marcelo Augusto Fernandes, projeta crescer mais 50%. A empresa comercializa uma cota de 1.800 toneladas mês, adquirida da Petrobrás, que está sendo pressionada para aumentar a disponibilidade do produto. Atualmente, na refinaria de São Mateus do Sul (Six), no Paraná, a única do país, a Petrobrás produz 16 mil t/mês. Nos últimos quatro anos, a estatal aumentou a oferta em 35% e acredita-se que é possível produzir mais, com a introdução de melhorias no processo industrial.

    “O problema é que o óleo de xisto tem uma demanda maior do que a oferta”, afirma Fernandes. O gerente de vendas da BetunelKoch, Alexandre Ferreira de Freitas, revela que a empresa conta com 90 clientes, dos mais diversificados setores, como indústrias de alimentação, farmacêuticas, cristaleiras e metalúrgicas. Para ilustrar como, às vezes, é difícil suprir o mercado, ele conta que uma grande indústria de alimentos demonstrou interesse em adquirir 1.500 t/mês de óleo de xisto. Dado ao grande volume, ainda não foi possível enquadrar a operação. “Como a oferta é restrita, preferimos priorizar as indústrias em que o óleo de xisto representa uma solução e não apenas mais uma opção de combustível”, acrescenta Fernandes.

    O Brasil abriga a segunda maior reserva de xisto do mundo, só inferior à dos Estados Unidos. Apenas a formação Irati, que se espalha pelos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul, conta com uma reserva medida equivalente a 2 bilhões de barris de óleo, 25 milhões de toneladas de gás liqüefeito e 68 bilhões de toneladas de gás combustível.

    Através do desenvolvimento e consolidação de tecnologia própria, patenteada em diversos países, há condições, no Brasil, de extrair do xisto vários produtos, como óleos combustíveis, nafta industrial, gás combustível, gás liqüefeito e enxofre. “O Brasil é líder mundial em tecnologia”, destaca Freitas. A Petrobrás começou a comercializar o óleo de xisto em 1994. A partir de 1998, fez parcerias com distribuidores privados. Em 1999, a BetunelKoch entrou nesse mercado, aproveitando a sua experiência de mais de três décadas no segmento de asfaltos.

    As empresas distribuidoras atuam livremente, mas a questão logística é determinante no momento de atender a clientela. A BetunelKoch, por exemplo, foi pioneira na introdução do óleo de xisto no Estado de São Paulo. Com seis terminais, capacidade de estoque e uma frota de 40 carretas, está melhor preparada para atender São Paulo e o sul de Minas Gerais. A BetunelKoch, a Gasoil, a Ravatto, a Multirão e a Petrobrás

    Distribuidora transportam 70% do óleo de xisto consumido no país. Combustível de alto poder calorífico, o óleo de xisto desponta como uma melhor alternativa para o óleo combustível derivado de petróleo (OC-1A) substituindo-o em caldeiras e fornos industriais. Fluido em temperatura ambiente, o que facilita seu manuseio, o produto de xisto elimina ou reduz o pré-aquecimento, referente ao armazenamento, bombeamento e até mesmo no tanque de serviço que alimenta o maçarico.

    Reduz a corrosão de dutos, chaminés e bicos e as intervenções para manutenção e/ou desentupimento de linhas, bombas, válvulas, bicos e maçaricos, eliminando os procedimentos de desobstrução e limpeza de linhas nas partidas e paradas da unidade.

    Química e Derivados: Combustíveis: atualidades.Como possui baixo teor de enxofre (1% em média em peso), reduz a emissão de poluentes e a formação de chuvas ácidas. E por ser mais leve que os óleos derivados de petróleo, reduz a emissão de particulados pesados, que causam fumaça e fuligem. É importante também destacar que seu uso não implica em investimento na troca de equipamentos. Há três óleos combustíveis derivados do xisto que estão sendo comercializados: o OTE, que substitui o OC-1A, e o OTL e o OTW, que servem para aplicações específicas. As diferenças entre eles são de viscosidade e ponto de fulgor.

    O OTL é muito leve e fluido. Tem sido procurado para substituir o diesel industrial, onde proporciona significativa economia (75% do preço do diesel). O OTW é francamente fluido em qualquer condição ambiental, dispensando integralmente o pré-aquecimento para uso. Tem sido utilizado por indústrias onde baixo teor de enxofre é um requisito técnico de processo como cerâmicas e cristaleiras, e por indústrias com restrições ambientais. O OTE é mais viscoso que o OTW, porém bastante fluido em relação aos óleos tipo BPF. As vantagens operacionais, as facilidades de manuseio do produto e as perspectivas de redução de custos operacionais são os seus pontos fortes.


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