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15 de maio de 2012

Cloro / Soda – Setor pede energia com preço menor

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    setor de cloro/álcalis amargou uma queda de produção de 4,7% em 2011, provocada pelo apagão de eletricidade na Região Nordeste no início deste ano. Durante o período, o setor também verificou um forte aumento das importações de soda cáustica, evidenciando problemas estruturais do país, entre eles as deficiências logísticas e o alto custo da eletricidade.

    Dadas as especificidades das demandas setoriais, a Associação Bra­si­leira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor) promete deixar de lado seu comportamento discreto (low profile) para assumir um papel mais relevante, com maior exposição na sociedade. “Não rompemos os laços com outras entidades, como a Abiquim e a Abrace, mas precisamos de respostas mais rápidas para nossas necessidades, em especial quanto ao preço do gás natural e da eletricidade”, explicou Aníbal do Vale, presidente da Abiclor e também da Carbocloro. “Queremos ter voz própria.”

    No dia 5 de junho, com apoio da entidade setorial, será lançada em Brasília uma frente parlamentar, liderada pelo Deputado Federal Vanderlei Siraque (PT-SP, com base eleitoral na região do ABCD), com propósito de revelar as dificuldades por que passa o setor químico e petroquímico nacional e discutir soluções. “Mais de duzentos parlamentares já assinaram a proposta da criação da frente”, informou o diretor executivo da Abiclor, Martim Afonso Penna. O setor já possui experiência em caminhar sozinho pelos meandros burocráticos de Brasília, tendo conseguido sensibilizar o governo para implantar no ano passado preços de referência para a importação de soda cáustica em escamas, que também passou a respeitar as normas brasileiras de rotulagem e embalagem.

    Revista Química e Derivados, Cloro Solda, Tabela

    Segmentos consumidores de Soda Cáustica – Clique para ampliar

    O setor de cloro/álcalis participará da conferência Rio+20, na qual apresentará uma palestra sobre sustentabilidade. Aliás, a produção brasileira de cloro/soda acompanha de perto as congêneres dos países desenvolvidos, com predomínio da tecnologia de células eletrolíticas a diafragma (63% da capacidade instalada), seguida pelas células com membranas (23%) e, finalmente, as células com amálgama de mercúrio (14%). Estas, embora não sejam mais construídas, ainda são encontradas em quase todos os países do mundo, como explicou o presidente da Abiclor. A tecnologia de membrana é mais moderna e eficiente, consumindo menos eletricidade por unidade produzida, daí ser a preferida em novos projetos.

    Outro fator importante de sustentabilidade se refere ao uso do hidrogênio liberado durante a dissociação do cloreto de sódio. “Temos um aproveitamento superior a 80% do hidrogênio, tanto como insumo para outros produtos quanto como combustível para a geração de vapor de processo”, explicou Vale. Em 2011, segundo a Abiclor, o setor aproveitou 84,7% de todo o hidrogênio obtido, percentual próximo ao dos melhores produtores mundiais.

    Revista Química e Derivados, Cloro, Soda,

    Indústria Química absorve cloro produzido – Clique para ampliar

    As metas setoriais de sustentabilidade incluem reduzir ainda mais as emissões de gases geradores do efeito estufa, usar a água de forma cada vez mais eficiente nos processos, além de promover uma atuação mais próxima das comunidades. Isso inclui a distribuição gratuita de hipoclorito de sódio para hospitais, escolas e órgãos públicos, tanto para sanitização da água quanto para a prevenção da dengue.

    Também os indicadores de segurança em toda a cadeia produtiva de cloro/soda vêm sendo acompanhados. Considere-se que essa indústria produz um gás venenoso (cloro) e outro potencialmente explosivo (hidrogênio), portanto, precisa ser muito severa nos cuidados operacionais. Desde 2009, o índice de acidentes com afastamento por milhão de horas trabalhadas, porém, está aumentando. Em 2008, esse índice ficou em apenas um acidente, subindo nos anos seguintes para 1,43, 1,78 e, finalmente, 3,35 em 2011. Essa elevação se relaciona a casos registrados durante obras de ampliação e manutenção programada de unidades, como na Braskem de Alagoas, em maio de 2011.

    Os indicadores de segurança no transporte de produtos do setor apresentaram um desempenho bem melhor, mantendo a tendência de queda iniciada em 2007, quando foi registrado 1,18 acidente por 10 mil viagens. Em 2011, esse índice foi de apenas 0,36, refletindo os esforços das empresas associadas.

    Relevância – Embora reúna apenas oito empresas (Braskem, Carbocloro, CMPC, Produquímica/Igarassu, Dow, Canexus, Pan-Americana e Solvay Indupa), perfazendo a capacidade de produção total de 1.548 mil t/ano de cloro e de 1.690 mil t/ano de soda cáustica, construída mediante o investimento ao longo de décadas de US$ 1,7 bilhão, o setor é vital para o desenvolvimento de várias cadeias industriais. “Cerca de 85% dos produtos farmacêuticos, por exemplo, dependem do cloro para sua produção, assim como 60% de todos os produtos químicos”, explicou Vale.

    Em 2011, o setor apresentou uma taxa de utilização de capacidades de 82%, em média, com pico de 92%. Em 2010, a média ficou em 87%, sendo a diferença atribuída ao apagão de fevereiro e à antecipação para o quarto trimestre do ano passado da parada programada de um cracker petroquímico de Camaçari-BA. Aníbal do Vale salienta que os mais recentes investimentos em expansão do setor foram efetuados em 2008 e 2009. Está prevista para os próximos meses a conclusão das obras de expansão da unidade de soda-cloro da Braskem em Alagoas, para suprir o aumento de 200 mil t/ano na fabricação local de PVC.

    Ao mesmo tempo, as importações de soda passaram de 1,17 milhão de toneladas em 2011, 10,3% acima da quantidade importada em 2010. Isso representa quase a metade do consumo aparente do álcali no Brasil. Segundo a Abiclor, a maior parte dessas importações é realizada pelas indústrias de beneficiamento de minérios de alumínio instaladas na Região Norte.


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