Química

15 de junho de 2011

Ciência – SBQ tem presença recorde de químicos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Sociedade Brasileira de Química, principal organização da comunidade química nacional, organizou sua 34ª Conferência Anual de 23 a 26 de maio, em Florianópolis-SC. Foi a primeira reunião da SBQ realizada na Região Sul do país e também será lembrada pela participação expressiva de quase 4,5 mil estudantes, profissionais e pesquisadores da ciência que se espalharam pelos vários recintos do resort Costão do Santinho.

    Esse público prestigiou a extensa programação, que incluiu 12 workshops promovidos pelas divisões científicas da SBQ, realizados antes mesmo da abertura solene dos trabalhos, com a conferência da professora e cientista Vaderlan Bolzani (Unesp), sobre o universo micromolecular da biodiversidade. Além disso, entre diversas outras atividades, 14 minicursos, 15 conferências convidadas e duas conferências de empresas, dois grandes simpósios, sessões temáticas e coordenadas e uma exposição de pôsteres completaram o programa.

    Na apresentação oficial do evento, o professor e secretário-geral da SBQ, Adriano Andricopulo, saudou os presentes, informando acerca da participação de representantes de entidades internacionais da química, como a Iupac, American Chemical Society, Royal Society of Chemistry e da Federation of African Societies of Chemistry. Além disso, comentou que 93% dos quase 4,5 mil participantes eram sócios da entidade e que, após o encontro, eles receberiam suas carteiras de identificação.

    Outro ponto destacado por Andricopulo foi a grande participação feminina, com 56,5% das inscrições, contra 43,5% dos homens. “O fato é digno de nota, especialmente no Ano Internacional da Química, celebrando as descobertas da cientista Marie Curie”, comentou.

    Presidente da SBQ, o professor e pesquisador César Zucco salientou a importância da química na evolução da humanidade e sua importância para a vida. “Cada ser humano é uma fábrica de químicos”, pontuou. Além de terem contribuído para o aumento da produção de alimentos, para a produção de insumos que melhoraram a qualidade de vida humana, como os medicamentos e as fibras têxteis artificiais ou sintéticas, foram também os químicos que detectaram os problemas da poluição ambiental e as variações climáticas decorrentes.

    Com isso, o tema “Química para um mundo melhor” não poderia ser mais adequado. “A ciência contribui para um mundo mais confortável, e também dela depende a busca pelo futuro energético do planeta e a preservação e aproveitamento da água”, salientou.

    Embora tão importante, a química ainda é uma completa desconhecida da maioria da população. “Há uma relativa ausência de cultura geral química que impede o povo de conhecer os fatos da sua realidade”, criticou Zucco. Isso dificulta a compreensão da ciência e a sua importância socioeconômica. Ele instou os participantes a motivar os jovens a entender melhor a química, afastando preconceitos erguidos contra ela.

    Zucco também salientou que o químico não é um mágico. “Ele é um profissional racional e criativo, um arquiteto das moléculas”, apontou. Ele mesmo, no entanto, admitiu que a ciência também tem um potencial destrutivo, quando mal conduzida. Isso exige transmitir aos jovens também padrões éticos elevados.

    Revista Química e Derivados - Da Esquerda para a direita: César Zucco, Presidente da SBQ, professor e pesquisador; Vanderlan Bolzani, da Unesp de Araraquara-SP; Glaucius Oliva, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Adriano Andricopulo, professor e secretário-geral da SBQ

    A partir da esq., Zucco, Vanderlan Bolzani, Oliva e Andricopulo falaram durante a cerimônia em um auditório lotado por cientistas e aspirantes (abaixo)

    Comemoração conjunta – Convidado a participar da cerimônia de abertura, Glaucius Oliva, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ressaltou as festividades de 60 anos de fundação da autarquia, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). “Ao final da Segunda Guerra Mundial, quando os avanços científicos produziram a penicilina e a bomba atômica, ficou claro que o Brasil não poderia permanecer afastado das pesquisas científicas e isso fez nascer o CNPq, então chamado de Conselho Nacional de Pesquisas”, informou.

    Oliva salienta que o apoio às iniciativas de C&T já chegou atrasado, além de encontrar um país com enorme passivo educacional. “A grande maioria da população era analfabeta”, disse. Nascido em 17 de abril de 1951, o órgão logo deu origem a outro, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com o intuito de oferecer bolsas de estudo para a formação de doutores no exterior. “A ideia era formar uma base sólida de cientistas que pudessem depois multiplicar no país os esforços de formação”, salientou Oliva. A Capes também investiu no apoio aos pesquisadores locais que aceitassem o regime de dedicação exclusiva, bem como concedeu bolsas de iniciação científica para incentivar a formação superior.

    Revista Química e Derivados - Sociedade Brasileira de Química - 34ª Conferência Anual de 23 a 26 de maio, em Florianópolis-SC - auditório lotado por cientistas e aspirantes

    auditório lotado por cientistas e aspirantes

    O panorama em 2011 é bem mais animador. “Temos uma comunidade científica respeitável, que produz 2,7% de todo o conhecimento mundial, situando-se na 13ª posição global da pesquisa”, informou. Há 30 anos, comparou, a produção nacional não passava de 0,5% da mundial. O país hoje forma 12 mil doutores por ano.

    Mesmo assim, persistem desafios para os cientistas. “Ainda convivemos com a miséria, com problemas no acesso aos alimentos, ao emprego, ao saneamento e à moradia, tudo isso incentiva a pesquisa a seguir adiante, gerando desenvolvimento social”, afirmou. Entre as metas oficiais para C&T estão os avanços na fronteira do conhecimento, melhorar a educação básica e atender aos anseios da população. “A ciência é a base para o futuro”, finalizou Oliva.

    Em seguida, o presidente do CNPq apresentou a palestrante da conferência principal, Vanderlan Bolzani, da Unesp de Araraquara-SP, destacada cientista atuante na área de produtos de origem natural com uso farmacêutico e cosmético. Ela discorreu sobre as linhas de pesquisa em andamento no país com diversas famílias de plantas nativas, um dos pontos nos quais o Brasil conta com grande potencial de crescimento. “Temos 10% de toda a biodiversidade do planeta”, informou.


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