Química

25 de abril de 2003
 

Cerâmica: Pólo cerâmico recebe gás para crescer

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Publicado por: Jose Valverde
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    Bahia conta com importantes jazidas de argilominerais que poderão ser transformados a partir da conclusão de gasoduto

    Química e Derivados: Cerâmica: fonte - Cia. Baiana de pesquisa mineral. - CBPM.

    fonte – Cia. Baiana de pesquisa mineral. – CBPM.

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    gasoduto que a estatal Bahiagás está construindo entre o município de Candeias, na Grande Salvador, e Feira de Santana, a 108 quilômetros da Capital baiana, com conclusão prevista para o segundo semestre, é a peça que faltava para tornar viável o florescimento do Pólo Cerâmico do Recôncavo, focado no mercado regional e principalmente na exportação, como aposta o governo da Bahia. O gasoduto será suprido pelas reservas históricas do Recôncavo, que somam 30 bilhões de m³, pelo gás procedente de Sergipe e, no futuro, pelas recentemente descobertas reservas marítimas de Camamu Norte, ao sul do Recôncavo, avaliadas em 22 bilhões de m³.

    Haverá gás em abundância e na porta para transformar, em revestimentos e louças diversas, a parcela de tonalidade branca ou clara das 188 milhões de toneladas de argila e caulim contidas em 98 depósitos já cadastrados no Recôncavo por outra estatal, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). Há margem também, embora o foco não seja a exportação e sim o suprimento do mercado local, para projetos de cerâmica estrutural, a dos blocos e telhas.

    Dezoito dos depósitos de argila já foram estudados detalhadamente e os estudos estão à disposição dos empresários. “A disponibilidade de matéria-prima de excelente qualidade está assegurada”, promete o geólogo da CBPM especializado em argila, Valter Mônaco Filho. As pesquisas em busca de novas formações prosseguem. Mônaco Filho explica que não basta descobrir a jazida, é preciso elaborar o laudo tecnológico, fazer o estudo da área, caracterizar física e geologicamente o mineral, e indicar as possibilidades de aplicação.

    Química e Derivados: Cerâmica: Ribeiro - região conta com infra-estrutura completa.

    Ribeiro – região conta com infra-estrutura completa.

    Ao gás e à argila, o coordenador de Mineração da Secretaria de Indústria Comércio e Mineração, geólogo Adalberto de Figueiredo Ribeiro, acrescenta outros fatores favoráveis, como a completa infra-estrutura, incluindo os portos de Salvador e Aratu, onde os fretes estão entre os mais baixos do Brasil, e três distritos industriais – Camaçari e Aratu, na Grande Salvador, e Subaé, em Feira de Santana; e os incentivos fiscais, com destaques para a redução do Imposto de Renda, restrita ao Nordeste, e para o dilação do ICMS oferecido pelo Estado. Ressalta, também, o custo da mão-de-obra local, cerca de 25% menor em comparação ao de Estados do Sul e Sudeste.

    A assessora da CBPM Ana Cristina Magalhães explica que o governo baiano imagina um pólo, constituído por “empresas de grande porte e tecnologia avançada”, atuando principalmente no ramo cerâmico que mais agrega valor, o das peças claras, de onde procedem as louças sanitária e elétrica; a chamada louça de mesa (travessas, pratos, xícaras, etc.); os revestimentos tipo grés; e o porcelanato, o concorrente cerâmico de mármores e granitos que chega ao mercado com valores entre R$ 60 a R$ 90 por metro quadrado.

    O governo aponta os municípios mais adequados à localização dessas empresas: Camaçari, Dias d’Ávila, Candeias, na Grande Salvador; Santo Amaro e Feira de Santana, a cerca, respectivamente, de 80 e 110 quilômetros da referida Capital.

    Duas das empresas que formarão o pólo cerâmico do Recôncavo, ambas dotadas de tecnologia de ponta, já estão produzindo: a Céramus Bahia, do Grupo Eliane, fabrica em Camaçari 6 milhões de m²/ano de revestimentos; e a Moliza Revestimentos Cerâmicos, instalada em Candeias (Centro Industrial de Aratu), 4,8 milhões de m²/ano.

    Química e Derivados: Cerâmica: Ana Magalhães - pólo usará tecnologia avançada.

    Ana Magalhães – pólo usará tecnologia avançada.

    O Grupo Eliane, dono de 11 fábricas, seis em Santa Catarina, chegou à Bahia em 1997 ao adquirir, unificar, e depois ampliar e modernizar duas cerâmicas locais, a Iasa e a Céramus. Mantém 300 postos-de-trabalho e envia parte de sua produção para países da América do Norte e Central, e outra parte para Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País, revelou o gerente Manoel Diniz Heleno.

    Em Candeias, onde investiu R$15 milhões em fornos e prensas de fabricantes nacionais, esmaltadeiras e classificadores procedentes da Itália, a Moliza desde o ano passado exporta 20 referências de piso para vários países. Criou 200 postos-de-trabalho. A primeira ampliação já foi anunciada pelo executivo Osmar Feltrin.

    Em instalação estão as duas fábricas da Indústria Cerâmica Fragani (Incefra), um investimento conjunto de R$32 milhões que proporcionará 286 postos-de-trabalho em Dias d’Ávila. As fábricas são: a Tecnogrés Revestimentos, que tem previsão de produzir, pelo processo “atomizado”, revestimentos grés e porcelanato, com dois focos de mercado: exportar para os EUA e atender o consumidor brasileiro de padrões médio e alto; e a Indústria Cerâmica do Nordeste (Incenor), que através da “via seca” produzirá revestimentos para piso e parede, com foco em um mercado menos seletivo, “no eixo Norte/Nordeste”. Em Cordeiropólis-SP, onde está sediada, a Incefra produz pela via seca 13.800.000 m²/ano de revestimentos de alta qualidade.

    Matéria-prima – Para os revestimentos e louças preferencialmente cogitados para o Pólo do Recôncavo são adequados principalmente três dos seis tipos das argilas encontradas nessa região e classificadas pela CBPM em uma escala local de G1 a G6, de acordo com cor, características mecânicas e possíveis aplicações. Os três tipos, que correspondem a argilas claras e refratárias: o caulim primário (G1); a caulinita formacional (G2); e a caulinita de várzea (G3). As outras argilas, G4, G5 e G6, são mais plásticas do que as claras, mas são adequadas à cerâmica estrutural. Na queima, adquirem colorações vermelha, avermelhadas, cinza, esverdeadas e outras.


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