Produtos Químicos e Especialidades

26 de março de 2005

Cerâmica: Nanopartículas permitem fórmulas inovadoras

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Pesquisa leva ao desenvolvimento de matérias-primas com propriedades diferenciadas

    Quando se fala a palavra cerâmica, a esmagadora maioria dos mortais logo pensa em louças, vasos, artefatos sanitários, itens de decoração e vários outros produtos presentes há séculos no cotidiano dos habitantes dos mais variados cantos do planeta.

    Química e Derivados: Cerâmica: ceramicas24. ©QDEsse material que todos conhecem é originário da argila, matéria-prima encontrada em abundância na natureza.

    Bem menos conhecidos, outros tipos de cerâmicas começam a ser a cada dia mais comentados. Desenvolvidas a partir de pesadas somas que começaram a ser investidas no final dos anos 70 pelos países ricos, as chamadas cerâmicas avançadas ou especiais são obtidas em laboratórios, a partir da síntese química de diversas substâncias.

    Química e Derivados: Cerâmica: ceramicas26. ©QDConforme a sua composição, elas contam com características que as credenciam para funções as mais diversas, tornando-se úteis para diferentes segmentos da economia. Entre as propriedades dessas matérias-primas encontram-se, por exemplo, a elevada resistência mecânica, a possibilidade de agüentar temperaturas altíssimas e o fato de não serem atacadas pela corrosão (veja no quadro abaixo quais são as principais cerâmicas especiais, suas características e em quais funções são mais utilizadas). Tais propriedades estão fazendo com que essas matérias-primas substituam metais, polímeros e outros materiais em dezenas de aplicações.

    A expectativa dos especialistas é de que no futuro a utilidade dessas cerâmicas deve se multiplicar. O otimismo deve-se ao avanço da nanotecnologia, ciência voltada para o estudo e manuseio de partículas cujo tamanho gravita na casa dos milionésimos de milímetros. Quanto menores e mais puras as partículas das matérias-primas pesquisadas, maiores são as possibilidades de adequar suas propriedades a aplicações hoje presentes apenas na imaginação dos pesquisadores científicos que se dedicam ao assunto.

    Pesquisa – No campo da pesquisa de cerâmicas avançadas, o Brasil encontra-se em boa posição, guardadas as proporções do atual estágio da produção científica brasileira perante as dos países avançados.

    Química e Derivados: Cerâmica: Bressiani - País tem mais de 300 doutores em cerâmicas. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Bressiani – País tem mais de 300 doutores em cerâmicas.

    “Ao todo, contamos com mais de 50 grupos de estudos instalados em diferentes universidades de Norte a Sul do País. Na década de 80, o Brasil contava com 10 doutores especializados em cerâmicas, hoje temos mais de 300”, revela José Carlos Bressiani, vice-presidente da Associação Brasileira de Cerâmica (Abre) e diretor de pesquisa, desenvolvimento e ensino do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), um dos pólos nacionais de excelência no tema.

    Inúmeras são as pesquisas realizadas nas universidades brasileiras. Muitos estudos já estão implantados ou encontram-se em vias de serem aproveitados pela indústria. Outros estão em etapas de desenvolvimento científico e visam o aproveitamento desses materiais em projetos que nos próximos anos podem se tornar muito úteis para diversos segmentos da economia.

    É importante ressaltar que o desempenho positivo dos pesquisadores nacionais deve-se mais ao talento do que ao apoio financeiro recebido. A falta de investimentos não resume-se apenas às minguadas verbas destinadas pelas diferentes esferas governamentais à pesquisa científica. A iniciativa privada, que se beneficia de patentes de aplicações desenvolvidas em laboratórios, não tem dado a devida recompensa para as universidades. “Recebemos apenas R$ 180 mil por ano da iniciativa privada para a manutenção de nosso laboratório, que custa em torno de R$ 1,3 milhão por ano.

    Se tivéssemos maior apoio, nossas pesquisas poderiam caminhar de forma mais eficiente”, avalia Elson Longo, diretor do Laboratório Interdisplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec) da Universidade Federal de São Carlos (Liec/UFSCar) , cujos trabalhos voltados para o desenvolvimento de materiais são respeitados no Brasil e no exterior.

    Química e Derivados: Cerâmica: ceramicas16. ©QD


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