Máquinas e Equipamentos

11 de junho de 2002

Centrífugas: Clientes começam a se importar menos com o preço das máquinas

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    s consumidores de centrífugas industriais tornam-se a cada dia mais seletivos em suas aquisições, na opinião dos principais fornecedores. De forma lenta, porém contínua, começam a substituir os impulsos antigos de comprar só pelas vantagens imediatas de preço, passando a priorizar mais a durabilidade e a eficiência desses equipamentos de separação. Outro aspecto cada vez mais considerado nas cotações é a oferta de serviços de manutenção pós-venda, uma exigência portadora da vantagem de inibir a ação de empresas pior estruturadas.

    Química e Derivados: Centrífuga: As decantadoras voltam-se a processos mais rudes.

    As decantadoras voltam-se a processos mais rudes.

    Essa mudança comportamental dos clientes se verifica nas variadas aplicações das centrífugas, desde o seu uso mais rudimentar em efluentes, para a desidratação do lodo, até em funções específicas de processo industrial. “Embora o nível de conscientização ainda não esteja no patamar ideal, o crescimento de vendas de equipamentos mais sofisticados em alguns setores, como o de tratamento de efluentes, e a preocupação com a manutenção preventiva em aplicações de processo, são sintomáticos dessa tendência”, explica Cibele David, gerente de processo da Alfa Laval, uma das líderes mundiais do ramo das centrífugas.

    O exemplo em efluentes citado pela gerente é bastante ilustrativo. Fatores como a concessão privada de tratamento municipal e o aumento das exigências ambientais têm influenciado o aumento da qualidade dos equipamentos utilizados no setor. Com o surgimento de operadores privados em alguns municípios brasileiros, que recebem pelo tratamento do esgoto e da água, a eficiência da estação passou a fazer parte das preocupações na hora da construção. Afinal, nas obras sob regime BOT (build, operate and transfer), a concessionária precisa desidratar melhor seu lodo, e com equipamentos mais duradouros, para ter um custo total de operação menor, garantindo margens de lucro maiores.

    Este cenário representa uma modificação substancial do perfil da competição no segmento de desidratação e adensamento do lodo de estações de efluentes e esgotos. No início da década de 90, a disputa travada pelos fornecedores de equipamentos envolvia os filtros-prensa e as centrífugas decantadoras, as

    Química e Derivados: Centrífuga: Viola - mercado aguarda estabilidade cambial.

    Viola – mercado aguarda estabilidade cambial.

    chamadas decanters. Hoje a competição é praticada entre os fornecedores das centrífugas mais modernas e os das mais rústicas. Isso porque, de forma geral, o mercado entendeu as vantagens das decantadoras sobre os filtros: permitem operação contínua, mais limpa (a decantação do lodo ocorre dentro do corpo da centrífuga) e progressivamente se aproximam do nível de concentração de sólidos conseguido pelos filtros.

    Preço importa menos – Outra empresa beneficiada pela nova tendência imposta pelo amadurecimento do setor de saneamento industrial e municipal foi a alemã Westfalia Separator, com sede em Campinas-SP. De acordo com seu gerente de vendas Edilson Viola, o sistema de concessões privadas, embora ainda não tão difundido no País em razão da indefinição em torno da política federal de saneamento, serve como contraponto à maneira pela qual os poderes executivos vinham agindo até então.

    “As empreiteiras, quando constróem para as prefeituras ou para o Estado, seguem a norma usual de licitações, que privilegia os preços baixos”, diz. Essa conduta fez muitas decantadoras importadas, de qualidade duvidosa, invadirem estações de tratamento de esgoto pelo País afora.

    Tanto a Westfalia como a Alfa Laval atestam mudanças nesse cenário, visto que suas decanters, consideradas caras, porém de engenharia mais sofisticada e automatizada, começam a ganhar espaço no tratamento de efluentes e esgoto.

    Química e Derivados: Centrífuga: Cibele - futuro passa pelo controle on-line.

    Cibele – futuro passa pelo controle on-line.

    Com sua linha Al Dec, produzida na Suécia, segundo informa Cibele a Alfa Laval tem conseguido vender muitas unidades de desidratação e secagem, não só para municipalidades, como para a indústria. E com um preço não tão salgado, já que a empresa nacionaliza o máximo possível das máquinas, conseguindo não apenas reduzir o custo de produção como possibilitar também aos compradores o acesso aos créditos concedidos pelo Finame. A empresa, assim como sua concorrente alemã, apenas importa a parte principal das decantadoras, o rotor.

    Para a indústria, Cibele acredita que boa parte das vendas tem a ver com o crescente rigor fiscalizatório. “Muitos órgãos ambientais têm feito exigências no sentido de remover os contaminantes dos efluentes”, diz. Além disso, a indústria começa a priorizar benefícios relacionados ao barateamento no transporte dos lodos. Isso porque, quanto mais densa a torta resultante dos efluentes, maior o volume da carga a ser transportada por caminhão em direção a aterros e outros destinos finais. E essa qualidade de desidratar com eficiência está intimamente ligada à concepção tecnológica da decanter.

    Para atender essa demanda, a Westfalia ampliou recentemente sua linha. Na maior feira do mundo de tecnologia ambiental, a alemã IFAT, ocorrida em maio último, a empresa lançou dois novos modelos, com níveis elevados de desidratação de lodo. De acordo com Viola, isso foi possível graças a um sistema de acionamento diferenciado. As decantadoras do grupo alemão atendem vazões de 2 m³ até 200 m³/hora e podem ser disponíveis em diferentes graus de automação.


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      Um Comentário


      1. um dos maiores problemas nas centrifugas, sãos as manutenções….sempre caríssima e de uma mão de obra cada vez mais escassa de profissionais na area….quanto mais moderna for a centrifuga e com menor intervenção possivel de mecanicos, melhor…talvez devido a isso que as empresas optem pagar mais no custo de aquisição, do que ter que arcar com as carissimas manutenções….ja trabalhei com manutenção de centrifugas, desde as antigas Sharpples tubular B26, quanto as Fristan, até as modernas Alfa laval com sistemas de pratos, sendo estas muito eficientes e de facil manutenção, porém caras… se levar em conta que apenas uma dessas Alfa Laval substituia 15 das B26, o preço passa a ser irrelevante neste caso. Cada B26 separava 1 tonelada de oleo vegetal por hora com um motor de 7,5 cv e uma da Alfa Laval separa 15 toneladas hora com 25 cv..daí e´so fazer as contas para ver a vantagem.



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