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14 de novembro de 2016

Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos – Artigo Técnico

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Texto de Luiz Fernando Leite e Geyson César de Oliveira Freitas

    O mercado petroquímico tem sofrido algumas mudanças nos últimos tempos, com fenômenos que alteram sua estrutura, como o aparecimento do shale gas, e outros de natureza mais conjuntural, como a recente queda dos preços do petróleo e seus derivados. Este trabalho analisa alterações no mercado de aromáticos, devido à migração dos crackers para matérias-primas mais leves, nos EUA e Europa, que reduzem a oferta desta classe de produtos, causando aumento de preço relativo, principalmente para o benzeno. Apresentam-se o panorama do mercado nacional de aromáticos básicos e de alguns de seus principais derivados, onde se destacam o PET e estireno. São identificadas oportunidades no mercado brasileiro de aromáticos, que conta com petróleo de bom rendimento de reformado, visando o preenchimento de lacunas oferecidas no mercado externo e a redução das importações de derivados de aromáticos.

    Introdução – Estamos vivendo um momento de alta disponibilidade de matérias-primas para a petroquímica, a preços baixos, o que resulta em boas oportunidades e novos desafios para este setor. Em meados de 2008, inicia-se uma significativa queda no preço do gás natural no mercado americano, devido ao aumento da produção de shale gas, o que elevou a disponibilidade de hidrocarbonetos leves, resultando numa vantagem relevante para a petroquímica baseada em cargas gasosas. Isto se refletiu em mudança no perfil de carga dos Steam Cracking, pois, em 2005, 30% das unidades processavam nafta e 70% etano, já em 2012, o percentual de etano tinha aumentado para 88%, enquanto a nafta caído para 12% (Shut, 2013).

    Apesar do gás natural sofrer fortes influências regionais, esta oferta abundante nos EUA contaminou globalmente o mercado, reduzindo posteriormente o preço desta commodity nos diferentes mercados, inclusive na modalidade de gás natural liquefeito (LNG). Por exemplo, o preço do LNG no mercado do Japão/Coréia do Sul passou de US$ 15,65/MMBtu, em novembro de 2013 para US$ 4,35/MMBtu em fevereiro de 2016 (FERC, 2016). Além disso outros países também buscam desenvolver seu mercado de shale gas, como no caso a nossa vizinha Argentina.

    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos

    Num segundo momento houve também uma maior disponibilização de shale oil, tornando os EUA menos dependente do petróleo do Oriente Médio. Não foram colocadas em prática, pelos países membros da OPEP, políticas de congelamento ou corte de produção, o que resultou em forte queda do peço do petróleo, a partir de julho de 2014, chegando a atingir valores abaixo de 30 dólares por barril, no início de 2015, estando atualmente próximo a 50 dólares por barril.

    Esta segunda onda impactou positivamente os produtores baseados em nafta petroquímica, reduzindo significativamente a vantagem obtida pelos empresas processadoras de cargas gasosas. A Platts (2016) afirma que a queda do preço do petróleo derrubou o preço global da nafta permitindo aos produtores baseados nesta matéria-prima serem mais competitivos. Neste estudo a comparação teórica do custo de produção para uma unidade de Steam Cracking de 1 milhão de t/a de etileno para diferentes matérias-primas, indo do etano saudita a nafta da Europa Ocidental, variando este na faixa de US$ 200/t a US$ 400/t de eteno, para preço de petróleo próximos a 30 dólares por barril. Só para ter uma noção deste aumento de competitividade, o custo de produção para eteno a partir de nafta, na Europa Ocidental, era de aproximadamente US$ 1000/t, em 2013.

    Química e Derivados, Cenários da petroquímica brasileira: oportunidades na cadeia dos aromáticos

    Por outro lado, a Europa também busca melhorar a sua competitividade, substituindo parte da nafta petroquímica por cargas mais leves como o GLP e iniciou recentemente a importação de gás americano liquefeito, que para suprir plantas na Escócia e Noruega.

    Como se comportará o preço do petróleo futuramente? Há uma série de consultorias fazendo previsões que vão de 20 a 120 dólares o barril, não se pretende discutir este aspecto. Entretanto os fundamentos do mercado de óleo & gás parecem ter sofrido uma mudança de cunho estrutural. A queda do preço do petróleo fez que os produtores de shale, nos EUA, procurassem reduzir significantemente seus custos de produção, por meio de inovações no processo de fraturamento hidráulico, de modo a estabelecer um tampão relativamente efetivo aos aumentos elevados de preço de petróleo. Ademais uma disponibilidade maior de hidrocarbonetos leves para a petroquímica parece ser uma tendência duradoura e diversos novos investimentos estão sendo realizados no mercado americano, tomando partido desta matéria-prima mais competitiva.


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