Papel e Celulose

26 de março de 2005

Celulose: Veracel finaliza megaprojeto na BA

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Publicado por: Jose Valverde
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    A partida está prevista para se-tembro, mas será em abril de 2006 que a fábrica do megaprojeto agro-industrial de US$ 1,25 bilhão que a sueca Stora Enso e a Aracruz implantam no Extremo Sul da Bahia alcançará o volume de produção que a colocará no mesmo patamar recentemente ocupado pela Gold Hai Pulp and Paper, na província chinesa de Hainan, a primeira fábrica com capa-cidade de produzir 900 mil t/ano de celulose em uma única linha de pro-dução: um só digestor, uma só caldeira de recuperação, lavadora, secadora, etc.

    Para ser montada, a fábrica foi dividida em 14 “ilhas” ou pacotes, cada qual confiado a uma empresa executora das etapas da engenharia básica, detalhamento, construção civil, montagem eletromecânica, consorciamento, treina-mento, start-up e pós start-up. É o chamado regime de Engineering, Pro-curement and Construction (EPC), um processo mais ou menos comum na siderurgia, mas que no setor papeleiro Brasil foi empregado apenas na fábrica da Aracruz em Barra do Riacho-ES. “Na nossa visão, e isso está sendo provado aqui em Eunapólis-BA, essa modalidade assegura maior comprometimento dos fornecedores, prazos de execução e custos de implantação mais baixos”, ressalta Renato Guéron, diretor do projeto. “São fatores fundamentais para garantir melhor retorno aos acionistas”.

    O ambiente, que na montagem da fábrica chegou a ser compartilhado por 12 mil pessoas, a partir a partida, ao ritmo de 330 mil t/ano, em junho, será o local de trabalho de duas mil. Por alto, serão 300 pessoas na atividade operacional; 500 em serviços diversos; 700 na floresta; e outras 500 trabalhando fora.

    A fábrica – Do arranha-céu de aço com 57 m de altura e 10,5 m de diâmetro, apresentado como o maior digestor do mundo, junto com o similar chinês, será extraída a celulose de fibra curta de mais alta resistência e melhor rendimento possíveis, prometem os empreendedores. “O que a tecnologia oferece de inovação são justamente as condições internas, que asseguram a obtenção dessa celulose”, festeja Guéron. Mais resistência é fundamental para atender a nova demanda dos fabricantes de papel, ávidos para economizar energia. “Quanto mais resistência, maior a possibilidade de a fábrica de papel rodar com mais velocidade, menos quebras e menos refinação”. Outro festejado resultado também é atribuído às condições internas do digestor: a relação madeira/celulose extraída ultrapassará a até recentemente almejada marca de 50%, e deve ficar entre 52% e 55%.

    O sistema digestor da Veracel procede principalmente dos EUA, onde foram produzidos o próprio digestor; o vaso de pré-impregnação; e o sistema de alimentação de cavacos, apresentado como a maior inovação. A novidade consiste no uso em série de três bombas centrífugas para bombear cavacos e licor vindos do funil de cavacos, para o separador de topo do vaso de impregnação. “Cada bomba aumenta progres-sivamente a pressão do fluxo de cavacos e licor”. As vantagens são: redução nos custos do investimento e manutenção; menos equipamentos no lay-out e, conseqüentemente, mais simplicidade operacional; e mais flexibilidade para expansões.

    Depois de espessado na unidade de evaporação, e assim passar à consis-tência de um óleo pesado, o efluente do digestor (licor negro) será queimado em “uma das maiores caldeiras de recuperação do mundo”, uma Kvaerner para 4 mil t/dia de sólidos secos, fabricada na Finlândia. São dois os resultados: 1) 617 t/hora de vapor à pressão de 94 kPa, para gerar 125 MW; 2) a recuperação dos inorgânicos (soda cáustica e sulfeto de sódio), que voltam para compor o licor de cozimento, fechando o ciclo quase totalmente.

    Os 125 MW, a serem produzidos em um turbogerador encomendado à Mitsubishi no Japão, atenderão a 130% do consumo da fábrica. Os 30 MW exce-dentes serão repassados principalmente a uma das empresas supridoras instaladas no sítio da Veracel, a EKA Chemicals, fabricante do dióxido de cloro e oxigênio requeridos no branqueamento.

    O prometido branqueamento de 92% ISO, comparado aos índices de 88% a 90% que “predominam no mercado”, é apontado como importante diferencial de qualidade, a ser obtido no sistema de quatro a cinco estágios que inclui lavadores do tipo DD washer, à base de dióxido de cloro e peróxido de hidrogênio. A ausência de cloro elementar nesse processo é ressaltada. “A alvura é a mais desejada nas produções de papéis de escrever e imprimir, as aplicações mais destacadas para a celulose de fibra curta”, ressalta Guéron.

    Alvejada e com 92% de água, a pasta de celulose é conduzida sucessivamente para prensas e túnel secador, onde chega à umidade de 8% com que se apresenta na cortadeira. Essa etapa do processo evidencia o enfoque globalizado pre-sente em toda a formação do ativo industrial: a mesa desaguadora, de tecnologia Andritz, procede da Áustria; as prensas (Voith) foram fabricadas no Brasil; e o túnel secador (Andritz) na Suécia.

    Na cortadeira, via cortes transversais e longitudinais a celulose alvejada assume a forma de folhas, que são empilhadas e enfardadas em fardos de 250 quilos que depois de prensados e amarrados com arame são unidos para compor pilhas maiores, de duas toneladas.

    A despeito da afirmada excelência industrial, o grande diferencial a favor do projeto é a produção florestal, representada pelo comprovado rendimento dos milhões de clones híbridos de eucalipto que vegetam com exuberante viço em 70 mil hectares de sete municípios formados pelas terras ensolaradas, e abundantemente regadas pela chuva, da aparente Ilha de Vera Cruz avistada por Cabral em 1500. A este rendi-mento, apresentado como o melhor do mundo em florestas de eucalipto, soma-se a reduzida distância média entre as florestas e a fábrica que as carretas percorrerão para suprir o digestor.


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