Papel e Celulose

3 de novembro de 2014

Celulose: ABTCP 2014 alerta para a necessidade de o setor melhorar competitividade

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Celulose: ABTCP 2014 alerta para a necessidade de o setor melhorar competitividade
    O 47º Congresso da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) confirmou a pujança do setor, um dos poucos em expansão no Brasil atualmente. Porém, todos os participantes foram alertados sobre a necessidade de aumentar a competitividade da produção instalada no país, superando obstáculos conhecidos, como as deficiências de infraestrutura.

    A avaliação dos especialistas, a exemplo de Carlos Farinha e Silva, vice-presidente da Pöyry Tecnologia, indica a supremacia dos brasileiros na produção de celulose de fibra curta, porém associada a custos elevados de transporte para dentro e para fora das unidades de produção (inbound e outbound). “A produção de celulose do Brasil está se deslocando mais para o interior e isso permite reduzir custos de produção, mas as deficiências logísticas cobram um preço elevado”, afirmou. “Os concorrentes internacionais do Brasil, mais bem situados, vivem na situação inversa: sua produção de madeira é mais cara, mas a sua estrutura logística facilita as negociações internacionais”, avaliou. A mais recente unidade produtora nacional de celulose, do grupo Suzano, inaugurada este ano, está instalada no Maranhão, e o investimento anterior, da Eldorado (grupo JBS), foi instalado em Três Lagoas-MS, com partida em 2012.

    Dados apresentados por Farinha mostram que, entre 2003 e 2013, o custo da madeira colocada na indústria no Brasil subiu 93% (em dólares). No mesmo período, os custos verificados no Chile foram incrementados em apenas 20%. Isso se traduz em perda de competitividade do produtor nacional, pois a madeira responde por 42% dos custos de caixa da produção de celulose.

    O Brasil, segundo o especialista, sempre obteve margens maiores de lucro que seus concorrentes mundiais, porém essa distância está se encurtando. Ele estimou em US$ 555/t o custo de produção do produtor marginal (valor acima do qual não se consegue colocar mais produto no mercado) em 2013. E esse valor deve baixar para US$ 445/t até 2023. “O problema é que os custos de produção no Brasil tendem a aumentar”, afirmou. “Daí a importância de reduzir custos, desenvolver novos produtos com a mesma base florestal, a exemplo dos biocombustíveis ou da geração elétrica, e alongar a cadeia de produção, criando derivados viáveis para a celulose e lignina”.

    Química e Derivados, Aguiar: setor precisa avançar na diversificação de produtos

    Aguiar: setor precisa avançar na diversificação de produtos

    “O setor de celulose e papel obteve bons resultados nos últimos anos, mas perdeu competitividade”, reiterou Carlos Aguiar, presidente do conselho deliberativo da Ibá – Indústria Brasileira de Árvores, entidade criada neste ano para combinar os esforços empreendidos pelas várias associações envolvidas com a cadeia produtiva florestal, como Bracelpa, Abipa, Abiplar. Abraf e Bracelpa, unificando a atuação de 70 empresas e associações estaduais.

    Segundo Aguiar, no Brasil os investimentos produtivos pagam entre 17% e 18% de impostos durante a sua construção, além de recolher o imposto de importação sobre os equipamentos e insumos necessários aos projetos. Além disso, as notórias deficiências de infraestrutura encarecem as operações, também garroteadas pelos juros elevados dos financiamentos e pela taxa cambial administrada pelo governo. Nos últimos anos, somou-se ao rol dos problemas o aumento do custo da terra, fator de produção indispensável na atividade florestal.

    Aguiar reconheceu que o governo federal desonerou a folha de pagamento e concedeu aos produtores de celulose e de painéis de madeira a devolução de impostos nas exportações (Reintegra). “Mas ainda falta muita coisa, inclusive criar uma política para florestas plantadas, assunto que foi transferido para a pasta do Ministério da Agricultura, mais capacitado para lidar com ele”, comentou.

    Aguiar salientou que as florestas plantadas oferecem uma contribuição inestimável para o programa mundial de mudança climática, pela sua alta absorção e fixação de dióxido de carbono. “O setor florestal brasileiro já absorve mais de três vezes as emissões de todas as indústrias do país”, comentou.

    Lairton Leonardi, diretor da Solvo Consultoria, apontou um panorama desafiador para o setor florestal daqui a alguns anos. “Os custos crescem, a energia e a água se tornam cada vez mais escassas, enquanto a economia nacional patina”, observou. “Esse ambiente de negócios altamente competitivo exige aumentar a competitividade, principalmente pelo aprimoramento da gestão dos empreendimentos.”


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