Química

15 de fevereiro de 2010

Cargas Minerais – Aditivos evoluem e ampliam funções nas tintas para além do simples enchimento

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Publicado por: Denis Cardoso
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    onverse com qualquer representante de uma empresa de cargas minerais e tente extrair dele explicações rápidas sobre os seus produtos disponíveis para o segmento de tintas. Missão impossível hoje em dia, tamanha é a variedade de itens existentes nos portfólios das companhias e também as inúmeras funções que esses ingredientes exercem sobre o produto final. Sem contar a complexidade das operações logísticas envolvendo as remessas de produtos úmidos, dispersos em água, sistema conhecido no mercado como slurry.

    Nem sempre foi assim. Há pouco mais de uma década, os fabricantes de tintas no Brasil tinham uma visão mais restrita da contribuição dos minerais para suas formulações. Chamados originalmente de “cargas”, esses insumos, agora promovidos a “aditivos”, eram utilizados apenas como enchimento e reverenciados somente como importantes redutores de custos, pois eles substituem em parte ingredientes mais caros, como o dióxido de titânio, aplicado como pigmento branco e agente opacificante.

    Carbonato de cálcio, talco, alumina hidratada, diatomita, dolomita, mica, caulim e sulfato de bário são algumas das matérias-primas mais ofertadas atualmente pelos fornecedores de cargas, que atendem tanto as fábricas de tintas quanto as de outros setores, como as de papel e as de plásticos. Cada um desses minerais, porém, pode dar origem a mais de uma centena de subprodutos, naturais ou sintéticos, graças ao emprego de diferentes processos de tratamento e beneficiamento, como classificação, britagem, moagem, flotação, peneiramento, aeroclassificação, calcinação, hidratação, carbonatação, precipitação, micronização e atomização. Muitas vezes produzidas em laboratório especialmente para satisfazer uma demanda específica de um determinado cliente, essas fórmulas interferem em diversas propriedades do filme. Entre as melhorias de desempenho mais comuns atribuídas ao uso de aditivos minerais estão: resistência mecânica do filme; resistência química e às intempéries; porosidade; alvura; fosqueamento, opacidade, permeabilidade; lavabilidade; poder de cobertura; brilho, lustre, dispersão, retenção, uniformidade de cor e sedimentação. Teoricamente, buscam-se com as cargas resultados que combinem a melhoria de qualidade das tintas com menores custos finais de produção, via redução de uso de outros aditivos, resinas e pigmentos.

    “Antigamente, as cargas minerais eram vistas como o ‘primo pobre’ dos componentes da tinta. Hoje, não podemos dizer que esses aditivos são o ‘primo rico’, pois continuam sendo os mais baratos entre os insumos que compõem o processo de formulação, mas pode-se afirmar que eles são considerados agora ‘bons parentes’”, diz José Carlos Bartholi, diretor-comercial da Minérios Ouro Branco, que prefere chamar os seus produtos de “especialidades minerais”. “Oferecemos aditivos de alto desempenho, que interferem em diversas propriedades do filme, como melhoria ao intemperismo, lavabilidade e resistência mecânica”, garante. Na carteira de oferta da Ouro Branco, com unidade industrial no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo, é possível encontrar as principais cargas minerais do mercado, como talco, dolomita, caulim calcinado, carbonato de cálcio precipitado, sulfato de bário e mica. Na visão de Bartholi, as indústrias de tintas buscam cada vez mais aditivos com partículas menores e tratamentos superficiais. “A empresa que tem hoje um portfólio mais elaborado faz a diferença no mercado”, avalia o diretor da companhia.

    A geoquímica Elaine Luciano, da J. Reminas Mineração, com fábricas em Cachoeiro de Itapemirim-ES e Guarulhos-SP, conta que, há menos de duas décadas, a empresa atuava no mercado apenas como uma simples portadora de jazidas, que extraía seus minerais, lavava, moía, ensacava e distribuía. “Antes, os minerais eram utilizados como uma espécie de farinha para confecção de um bolo: adicionava-se, sem quase nenhum critério, grandes quantidades de cargas brancas, principalmente carbonato de cálcio, para engrossar a tinta e baratear o produto”, lembra.  Com o avanço tecnológico das fábricas brasileiras, os compradores desses minerais passaram a exigir dos fornecedores produtos de melhor qualidade, descartando primeiramente as remessas de cargas impuras. Até então, era comum que as companhias entregassem aos seus clientes minérios contaminados com metais e outras impurezas, comprometendo a qualidade da tinta. Para acabar com esse problema, as empresas passaram a desenvolver processos de purificação das cargas, utilizando equipamentos como o eletroímã, responsável pela retirada desses metais, chamados no mercado de “pontos pretos”. “De dez anos para cá, as empresas conseguiram eliminar totalmente a presença de metais nas cargas”, garante a geoquímica da J. Reminas

    Com o fim das contaminações, a indústria de tinta passou a procurar no mercado cargas mais leves, pois em muitos casos as tintas acabavam decantando (formação de uma espécie de barro no fundo das latas), influenciadas pelo peso desses minerais. Os fornecedores de cargas passaram então a micronizar os minérios, para diminuir a densidade das partículas e, com isso, deixá-las mais tempo em suspensão. Não demorou muito tempo para que o mercado brasileiro vivesse uma verdadeira “febre dos micronizadores”, equipamentos cujo valor de aquisição pode superar facilmente os R$ 600 mil. Nesse tipo de máquina, as partículas se chocam conforme a regulagem de um jato de ar e depois se quebram até atingirem o limite máximo, que depende de cada tipo de pedra.


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