Petróleo & Energia

25 de maio de 2003

Camaçari: O grande pólo da Bahia pensa ainda em crescer mais

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Publicado por: Jose Valverde
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    Ao festejar seu jubileu de prata, o pólo de Camaçari confia no potencial do Nordeste para acelerar o ritmo de expansão

    Química e Derivados: Camaçari: camacari_abre.

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    ob a regência política do presidente Ernesto Geisel, o 2° Pólo Petroquímico foi criado para desenvolver a Bahia e o Nordeste – mas agora, 25 anos depois, está na dependência de que a Bahia e o Nordeste se desenvolvam para assegurar sua própria prosperidade.

    “O Nordeste é a região do Brasil que mais crescerá nos próximos 25 anos, e é este crescimento que vai assegurar a dinâmica do pólo”, põe fé o vice-presidente de relações institucionais da Braskem, Alexandrino Alencar. “Nós vamos assistir no Nordeste um grande processo de agregação de valor, a Bahia deixará de ser Estado exportador de resinas para ser, em amplo sentido, exportador de produtos acabados”, profetiza.

    Esta visão está associada à inevitabilidade da desconcentração industrial, que já levou para a Bahia o complexo da Ford e a fábrica da Monsanto, e principalmente ao sucesso de atividades que já encontraram condições excepcionais para formar clusters no Nordeste. São exemplos, na própria Bahia, entre outros, a agroindústria florestal e de celulose, os grandes projetos de turismo e hotelaria, a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, a agricultura no cerrado (soja e algodão), a ressurreição da cacauicultura, e o despertar da caatinga, onde a caprinocultura e outras atividades antes incipientes estão adotando novos métodos e viabilizando a versão regional da pequena propriedade que sustentou o desenvolvimento dos Estados sulistas.

    A iminência de uma política industrial com um capítulo específico para a região, e a anunciada volta da Sudene focada no desenvolvimento do semi-árido, ampliam a boa expectativa. A convicção de que não é mais possível prescindir de políticas públicas consistentes, que realmente superem as questões das disparidades regionais e do agravamento social, conta positivamente, juntamente com uma certeza: aqui a expansão no consumo de plásticos, justamente por partir de uma base acentuadamente menor tende a superar à média nacional de duas vezes e meia a variação do PIB.

    Investir na expansão do 2° Pólo Petroquímico para assegurar crescentes ganhos de escala é ir ao encontro desta futura realidade, pretensão que exige inicialmente, no âmbito da Braskem, a superação de dois desconfortos estratégicos, os situados, precisamente, logo antes e depois da produção. Logo antes, há a questão do suprimento de nafta; logo depois há o desconforto maior, justamente a até hoje renitente ausência de mercado local para a maior parte das resinas.

    Suprimento – A construção de uma refinaria, com participações da Petrobrás e da Braskem, seria a solução mais lógica para assegurar o suprimento de nafta e outras matérias-primas, nas melhores condições de preço, qualidade e segurança, mas a possível execução de tal empreendimento depende, antes de tudo, da atitude que a Petrobrás adotar em relação à petroquímica. A prevista volta da Petroquisa à condição de investidor crescente, sem deter controles majoritários, mas assumindo papel relevante na co-gestão, como pleiteia a própria Braskem, seria incluída nesse tabuleiro.

    Dependeria também de a Braskem acumular reservas e liquidez para garantir a contrapartida no capital, objetivo que passa pela amortização da dívida de R$ 5,6 bilhões (70% em dólar), correspondente a pouco menos da metade do valor dos ativos. Segundo previsão feita pelo presidente José Carlos Gubrisich em março, na apresentação do primeiro balanço anual, significativa amortização da dívida será alcançada nos próximos cinco anos.

    Atualmente, o suprimento de nafta depende de importações do exterior, que já foram maiores e no primeiro trimestre representaram 23% da carga total de 857 mil t., e também das transferências que a Petrobrás faz de Duque de Caxias-RJ (Reduc) para. complementar o fornecimento da refinaria local, a Relam.

    Química e Derivados: Camaçari: Silveira - gás natural pode aumentar competitividade.

    Silveira – gás natural pode aumentar competitividade.

    A idéia da refinaria não é nova. Há precisos cinco anos, em reportagem de Química e Derivados de junho de 1998 (edição 361) pautada no 20º ano do 2° Pólo, o superintendente da então Copene, Marco Antônio Ebert, revelou que já havia, preliminarmente, uma avaliação técnica e econômica. A refinaria, ao custo estimado de 800 milhões de dólares, poderia ser em Mataripe, no sítio da Landulfo Alves, ou no próprio Pólo, a 30 quilômetros. Responderia por cerca de 50% da demanda de nafta já ampliada (5 milhões t/ano) em função da cogitada instalação da terceira unidade de craqueamento, que elevaria de 1,2 milhão t/ano para 1,8 milhão t/ano a produção de eteno. Dois processos estavam sendo considerados: coqueamento retardado do resíduo a vácuo, ou hidrocraqueamento do gasóleo de vácuo. “O processo de hidrocraqueamento realmente consome quantidade expressiva de hidrogênio, porém permite produzir matérias-primas e combustíveis de excelente qualidade” justificou, na mesma matéria, um engenheiro da Copene. A refinaria supriria também os processos que exigem óleo, gases, combustíveis e coque de petróleo. Tudo isso estava vagamente previsto para estar materializado em 2003.

    A condição de empresa que negocia ADRs na Bolsa de Nova York não permite especular, alega a Braskem para não comentar a fundo a questão do suprimento. Revela apenas que tal questão passa, primeiramente, pelo aproveitamento de gases de refino da Relam. Alexandrino Alencar confirma, sem prever data, que a instalação do terceiro cracker, “fator altamente estratégico”, está nos estudos preliminares que indicarão as alternativas de crescimento.


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