Economia

19 de julho de 2007

Calor – Demanda por equipamentos registra crescimento explosivo e põe fornecedores a plena carga

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    s investimentos bilionários da Petrobrás na ampliação e reconfiguração do parque nacional de refino, além dos projetos de exploração de petróleo e gás, impulsionam as vendas dos fornecedores de equipamentos térmicos no Brasil. Fora a grande cliente estatal, outros setores da economia também vivem dias animados, povoados de anúncios de novas fábricas, a exemplo da produção de alimentos.

    Em relação ao cenário de há cinco anos, os fabricantes de caldeiras e trocadores de calor descrevem um panorama atual diametralmente oposto. Antes, com poucas encomendas de produtos engenheirados, foi preciso ampliar a oferta de equipamentos seriados de baixa complexidade. Com preços baixos e venda fácil, essa opção preservou as empresas, embora tenha sido acompanhada da demissão de turnos completos. A rápida evolução dos negócios exigiu a recontratação de pessoal e lotou as fábricas com pedidos. Até profissionais aposentados foram reconvocados.

    “Já estamos em negociação para assumir, por compra ou arrendamento, outra fábrica para atender aos pedidos”, comentou Lívio Reis Junqueira, gerente de vendas da GEA Brasil Intercambiadores, a maior produtora desses equipamentos no Brasil, atuante nas linhas de casco/tubos, placas e air-coolers (tubos aletados). A unidade própria de Franco da Rocha-SP opera a plena carga e aceita novos pedidos, porém com prazos dilatados.

    Como se não bastasse o ritmo acelerado de projetos de grande porte – a GEA brasileira é muito forte nos projetos de refino e na indústria naval –, Junqueira identifica uma tendência de os clientes anteciparem os pedidos para evitar problemas de prazo de entrega. “Isso nos ajuda a programar a produção, mas não deixa de ser uma concentração de pedidos”, afirmou. Ele espera que a onda de investimentos da estatal do petróleo e das empresas a jusante (petroquímicas e químicas) perdure até 2015.

    Junqueira menciona que os setores industriais de grande porte apresentam ciclos de investimentos. O ciclo atual preponderante é o de petróleo. “A siderurgia se consolidou e deve iniciar novo ciclo de expansões a partir de 2008 e 2009”, comentou. A expectativa desse setor é de investir no Brasil US$ 14 bilhões até 2015, dos quais a parcela referente a trocadores de calor fica perto de 3%. Em 2006, o aumento de vendas da GEA Brasil ficou perto de 50%, percentual que deve ser igualado em 2007.

    Química e Derivados, Lívio reis Junqueira, Gerente de vendas da GEA Brasil Intercambiadores, Calor - Demanda por equipamentos registra crescimento explosivo e põe fornecedores a plena carga

    Junqueira (esq.) e Facirolli: vendas crescem 50% ao ano

    O mercado de caldeiras flamotubulares segue aquecido, com perdão do trocadilho. A líder de mercado Aalborg, de origem dinamarquesa, que comprou a ATA, antiga divisão de caldeiras flamotubulares da Mitsubishi no País, entregou 91 equipamentos em 2006, em grande parte encomendados pelas áreas de alimentos e química/petroquímica (petróleo, inclusive). No primeiro semestre de 2007, o ritmo de vendas está mantido, mas a indústria de bebidas superou as encomendas da área química. “Crescemos muito nas aplicações navais, incluindo plataformas de petróleo, uma especialidade mundial da companhia”, comentou o representante comercial Caio Henrique de Santana Eboli.

    A Petrobrás continua sendo grande cliente, mas a maior parte dos negócios é feita com fornecedores da estatal e com indústrias que gravitam em torno dela. Porém, outros setores econômicos têm demandado mais geradores de vapor de três a 34 toneladas de vapor por hora, com pressão até 21 bar, o campo de atuação da Aalborg. A estatal petroleira, assim como as usinas sucroalcooleiras, costumam investir mais nas caldeiras aquatubulares. No setor de energia, a produção de biodiesel deve se tornar um bom cliente das flamotubulares, como são as empresas de óleos vegetais.

    As caldeiras aquatubulares, de grande porte, registram aumento no volume de negócios desde 2003, depois de uma longa entressafra de investimentos. Esse tipo de equipamento está muito ligado a empreendimentos de vulto, como refinarias, indústrias de celulose e geração de eletricidade, projetos de longa maturação, dependentes do bom andamento da economia nacional. “Temos uma seqüência de ciclos: começou com celulose, passou para a indústria do petróleo e, agora, é a vez do setor químico/petroquímico”, informou Amandio Samello, do departamento de vendas da Companhia Brasileira de Caldeiras (CBC).

    Caldeiras aquecidas – Problemas ambientais e aspectos ligados à economia de energia nos processos industriais influenciam o mercado térmico. Eboli comenta que a maior parte dos pedidos da Aalborg indica o óleo combustível 1A como preferido, com algumas consultas para o 2A. “Em São Paulo, Paraná e Santa Catarina também há consultas para usar óleo de xisto produzido pela Petrobrás”, afirmou. Esse combustível é leve e tem baixo teor de enxofre, sendo recomendado para uso em regiões urbanas.

    O gás natural, que foi a vedete há alguns anos, tendo motivado um grande número de conversões de queimadores, é considerado caro, tendendo a se equiparar ao 1A, segundo Eboli. “O gás tem vantagens ambientais e operacionais importantes”, considerou. Equipamentos a gás se adaptam melhor às flutuações de carga e aceitam a colocação de um economizador na saída dos fumos. Trata-se de um trocador de calor para pré-aquecimento da água de alimentação, capaz de oferecer um adicional de 5% no rendimento térmico do sistema, chegando ao total de 96%. Quando se usa o óleo combustível, a presença de enxofre exige manter alta a temperatura de saída dos fumos, sob pena de corrosão por ataque ácido, impedindo a colocação do dispositivo. Nas contas da empresa, o investimento no economizador é recuperado em três meses.


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