Calor Industrial

24 de março de 2003

Calor: Clientes querem ganhar eficiência para cortar custos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Preço elevado dos combustíveis fósseis faz a demanda pela queima de biomassa aumentar, e também torna os clientes mais atentos à eficiência dos equipamentos térmicos, nos quais pequenos ganhos se traduzem em grande economia a longo prazo.

    Química e Derivados: Calor: Caldeira de 4 passes tem chaminé na frente.

    Caldeira de 4 passes tem chaminé na frente.

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    s compradores de equipamentos térmicos tentam conciliar economia a longo prazo, pela redução do consumo de combustíveis, com a economia imediata no custo de aquisição. Fiéis ao aforismo de John M. Keynes, pelo qual todos estaremos mortos no longo prazo, muitos embasam a escolha do fornecedor pelo peso imediato no caixa da empresa, acrescido dos juros e correção monetária oriundos dos financiamentos bancários. No entanto, ganhos mínimos de eficiência do sistema são capazes de justificar o gasto de alguns milhares de reais a mais no preço de compra, recuperáveis em poucos anos de operação. Isso sem mencionar a necessidade de enquadramento nos limites legais de emissão de particulados e poluentes, como os óxidos de enxofre (SOX) e nitrogênio (NOX).

    O preço dos combustíveis segue alto, ainda que o dólar tenha perdido valor frente ao real e a guerra contra o Iraque não mias provoque temores quanto às cotações internacionais do petróleo. Mantida a política de preços internacionais, restou aos consumidores industriais buscar alternativas para redução de custos. No caso das caldeiras, a queima de biomassa (lenha ou resíduos, como o bagaço) tornou-se opção preferencial, onde for disponível o material.

    “Quase 80% da demanda atual é representada pelas caldeiras a lenha”, comentou Eder Douglas de Moraes, diretor industrial da Steammaster, fabricante de caldeiras desde 1974 em Varginha-MG. “Quem não tem lenha precisa ter gás natural.” Ele considera a possibilidade de, em poucos anos, o preço da lenha aproximar-se dos combustíveis hidrocarbonetos e já prepara a indústria para fornecer equipamentos voltados para a queima de líquidos e gases. “Porém, nas condições atuais, mesmo que a lenha dobre de preço, o custo de sua utilização para a mesma geração de vapor ainda será um terço da queima de óleo BPF”, calculou.

    Química e Derivados: Calor: Andrade - fusão ampliou acesso à tecnologia.

    Andrade – fusão ampliou acesso à tecnologia.

    “O uso de óleo combustível chega a ser quatro vezes mais caro que o de lenha”, estimou Lourenço J. Andrade, do departamento comercial da Aalborg, empresa que comprou, em 2000, a líder de mercado ATA Combustão Térmica, antes controlada pelo grupo Mitsubishi. A relação histórica entre os combustíveis sempre foi de 2:1, a favor do vegetal. “A lenha precisa ser muito barata para compensar a dificuldade de manuseio e o custo da cadeia logística, que limitam a sua aplicação”, comentou Caio Henrique Eboli, representante comercial da Aalborg e consultor, por meio da Consultherm. Distantes da lenha e das linhas de distribuição de gás natural, consumidores de grande porte procuram consumir óleos mais viscosos para reduzir custos.

    O panorama de mercado é semelhante nos aquecedores de fluidos térmicos. A demanda por equipamentos que consomem biomassa já supera à de óleo combustível, perdendo apenas para o gás natural. “No nosso caso, os aquecedores a biomassa também podem usar óleo ou gás, sem grandes alterações”, afirmou Joaquim Luiz de Barros, diretor-superintendente da empresa.

    A fornalha de biomassa é colocada sob o aquecedor, em cujo topo pode ser alojado um queimador para óleo ou gás. Segundo o superintendente, a venda de equipamentos térmicos ampliou sua participação no faturamento da Konus-Icesa, onde compete com projetos de equipamentos para siderurgia, segmento econômico muito ativo no País há alguns anos. “De julho de 2002 para cá, a área térmica está respondendo por 50% do faturamento”, comentou, ressaltando tratar-se, em ambos os casos, de produtos fabricados sob encomenda, portanto sujeitos a sazonalidades.

    Química e Derivados: Calor: Eboli - eficiência térmica chega a 95%.

    Eboli – eficiência térmica chega a 95%.

    Os fabricantes de queimadores industriais vivem um período de “ressaca” das fortes vendas de equipamentos para gás natural. “A maior disponibilidade do gás oriundo da Bolívia, embora tenha atraído um grande número de novos fornecedores de baixo custo, permitiu que 2001 fosse o melhor ano em mais de três décadas de atuação da empresa no País”, afirmou Carlos Rico, gerente comercial da Weishaupt do Brasil.

    Já os resultados de 2002, pressionados pela ansiedade pré-eleitoral e pela evolução da taxa de câmbio, que encareceu alguns componentes, não foram tão bons. “As vendas de janeiro de 2003 foram boas e a expectativa da guerra do Iraque brecou os negócios em fevereiro, mas o ano deve repetir o desempenho do anterior”, avaliou. Com a protelação dos investimentos, a participação da área de manutenção dos mais de 10 mil queimadores da marca instalados no País nos negócios da empresa torna-se mais significativa.

    Comparando os resultados de 2002 com os de 2001, a Weishaupt registrou venda 52% maior de queimadores de óleo combustível, enquanto a de equipamentos para gás (natural e GLP) apresentou queda de 51%. Nas linhas de óleo, as vendas se distribuíram em 33% para viscosos (pesados) e 57% para o diesel, este muito procurado para substituição do GLP. “Os queimadores de óleo leve (diesel) são eficientes, emitem baixos teores de particulados e de NOX”, explicou Johann Braun, diretor-geral da empresa no Brasil. Nos queimadores a gás, a queda nos produtos a GLP chegou a 57%, contra 38% dos a gás natural. “O GLP está caro demais, e o gás natural ainda não conta com uma política de preços bem definida, com variações regionais significativas, capazes até de inviabilizar seu consumo”, disse Rico.


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