Química

15 de abril de 2010

Calor – Clientes exigem redução do consumo de combustíveis e da emissão de poluentes

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    uita fumaça e pouco fogo. Essa expressão popular resume a situação dos fornecedores de equipamentos térmicos no Brasil. Em contraste com a avalanche de projetos de investimentos em petróleo, petroquímica, na indústria química e suas derivações, o volume de pedidos se mantém calmo até demais. Antes da crise do terceiro quadrimestre de 2008, as carteiras de pedidos estavam lotadas. Ainda bem, porque vários projetos foram adiados e os pedidos remanescentes mantiveram ativas as produtoras desses bens de capital até uma normalização de ritmo, ainda abaixo do de 2008, verificada desde o segundo semestre de 2009 até agora.

    É preciso considerar a crescente importância da redução do consumo de combustíveis para geração de calor. Além do aspecto puramente econômico, voltado para a redução geral dos custos, essas medidas também são adotadas por contribuir com benefícios ambientais. Em muitos casos, a substituição do óleo pelo gás natural ou, melhor ainda, por resíduos de processos com origem renovável, caso do bagaço de cana ou de serragem prensada de madeira, pode ser aproveitada para gerar créditos de carbono nos critérios do Protocolo de Kyoto. Esses motivos justificam investimentos na substituição ou atualização dos geradores de valor, principalmente, dos trocadores de calor e também incentivam a estudar melhor os processos industriais, buscando sinergias.

    A importação de equipamentos térmicos e seus componentes ainda não constitui uma ameaça concreta para a produção nacional. Mas é apontada como um risco potencial, tanto pelo baixo preço do aço e das ligas no mercado internacional quanto pelos menores custos de produção nos países asiáticos, principalmente pela alta incidência de impostos e taxas no Brasil, situação agravada pela valorização do real em relação ao dólar.

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    Trocadores de calor da Apema prontos para entrega

    “Não estamos sentindo uma competição forte com equipamentos importados, mas alguma coisa aparece quando fábricas inteiras são trazidas do exterior em regime de turn key”, comentou Caio Henrique de Santana Eboli, representante comercial da Aalborg Industries no Brasil. A favor dos bens de capital nacionais está a proximidade com o fabricante, que tem mais facilidade para prestar suporte e assistência técnica, além de suprir rapidamente peças de reposição eventualmente necessárias. Alguns componentes, como válvulas especiais e os sistemas de controle e automação são importados, geralmente pela falta de produção local.

    Em alguns casos, a importação de componentes se firmou. “A importação nos ajuda a ser competitivos contra concorrentes internacionais”, afirmou James José Angelini, diretor-comercial da Apema Equipamentos Industriais. Ele explicou que a produção local leva vantagem nos materiais mais comuns, como o aço carbono. Quando é preciso usar materiais mais nobres, como o aço inox e as ligas metálicas, os estrangeiros invertem a situação.

    A Apema exporta alguns de seus trocadores quando instalados em equipamentos fabricados por seus clientes. Angelini explica que a empresa possui uma linha com vários trocadores de calor padronizados, tanto de casco e tubos quanto de placas, desenvolvidos a pedido de algum cliente para consumo em larga escala, e por longo período. Além disso, oferece a possibilidade de produzir trocadores sob encomenda até o limite de 60 toneladas de peso bruto, com dimensões de 2,5 por 12 metros por peça, com engenharia própria, dotada dos principais softwares de cálculo e dimensionamento, além de seguir as principais normas construtivas internacionais, entre elas a Asme e a API. “A linha padronizada sofreu uns dois meses com a crise e retomou o ritmo, mas o mercado dos engenheirados ainda está em compasso de espera”, afirmou. A Apema foi recertificada no ano passado na norma ISO 9001:2008.

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    Angelini: importar componentes ajuda a manter a competitividade

    Ele explica que a importação de componentes, como os tubos, exige cuidados. “A China faz tubos bons e ruins, é preciso conhecer o fabricante e o produto”, disse. A Apema usa esses suprimentos em geral nos produtos standard, feitos de cobre e suas ligas. Angelini salientou que não existe produção no Brasil de tubos sem costura para troca térmica feitos de aços especiais. Obrigado a importar, ele credita aos impostos incidentes em cascata e aos custos logísticos a perda de competitividade. “Nesse tipo de produto, a mão de obra pesa pouco no custo total do equipamento”, calculou.

    Trazer do exterior trocadores de calor especiais, sem produção local, é a proposta da TBM – Technical Business Management, de Campinas-SP. Formada em março de 2009 por três experientes profissionais do ramo, todos ex-executivos de importantes empresas da área, a TBM fechou um acordo de representação comercial e suporte técnico com a FBM Hudson Italiana, líder mundial em trocadores resfriados por ar (air cooled) e também detentora da tecnologia Breech Lock para trocadores casco e tubos para aplicações de altíssima pressão (por volta de 250 kgf/cm²). “São trocadores com cabeçote quase que rosqueado ao corpo, usados em unidades de amônia e ureia”, comentou Vitor Meneses, um dos sócios-diretores da TBM e especialista técnico.

    “Além de cuidar da parte comercial, nós também apoiamos tecnicamente os clientes e o fabricante, conferimos os dados de projeto e acompanhamos a instalação e a operação”, explicou Lívio Reis Junqueira, outro sócio-diretor, com atuação comercial em petroquímica e petróleo. Embora a FBM tenha vários equipamentos instalados no Brasil, especialmente os resfriados a ar, instalados em várias refinarias de petróleo, a atuação de representantes locais é fundamental para evitar problemas com diferenças culturais, de documentação e em alguns aspectos legais específicos do Brasil, capazes de fazer um estrangeiro arrancar os cabelos. O terceiro sócio é o engenheiro Sérgio Morello.


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