Calor Industrial

7 de dezembro de 2001

Caldeiras: Previsões otimistas contam com várias justificativas

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Necessidade de renovação das linhas antigas, termoelétricas e ampliações em papel e celulose fazem crescer o volume de pedidos nas caldeirarias

    Química e Derivados: Caldeiras: Gerador de vapor por recuperação térmica da Mitsubishi, instalado no Japão.

    Gerador de vapor por recuperação térmica da Mitsubishi, instalado no Japão.

    Se depender das expectativas dos empresários brasileiros do setor de caldeiraria, 2002 será um ano promissor, compensando a queda de 5% nas vendas de geradores de vapor registrada em 2001. No ano passado, foram vendidas 60 caldeiras, divididas em cinco de recuperação química, 21 compactas (acima de 35 toneladas/hora), 16 de força e 18 de recuperação de calor. Os motivos para o mau desempenho foram a retração do mercado por causa da crise cambial, a oscilação político-econômica na Argentina, os atentados terroristas contra os Estados Unidos e a crise energética no Brasil. Além desses problemas, o País não colocou em prática todos os investimentos prometidos em termoelétricas.

    Química e Derivados: Caldeiras: Cabral - tarifas incertas adiam conversões para gás.

    Cabral – tarifas incertas adiam conversões para gás.

    Os geradores de vapor representam aproximadamente 9% do faturamento de toda a indústria nacional de máquinas e equipamentos, segundo estimativa do vice-presidente da Câmara Setorial de Projetos e Equipamentos Pesados e Infra-estrutura, da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Bosco Cabral.

    Como as vendas setoriais foram de R$ 30,1 bilhões em 2001, as caldeiras sozinhas representariam quase R$ 900 milhões. No ranking brasileiro das indústrias que mais venderam caldeiras do tipo aquatubulares compactas acima de 35 toneladas ficaram a CBC, com 58%; Confab, com 10,5%; Aalborg, com 15,5%; H. Brummer, com 0,5%; e os 15,5% restantes entre empresas menores.

    A Aalborg foi responsável por 70% das vendas das flamotubulares e a americana Foster Wheeler, que opera atualmente no Brasil, comandou o mercado com a venda de caldeiras de força. Ela ganhou o projeto da planta da Alunorte, no Pará. Vendeu uma Power Boiler de 250 toneladas, para queima de orimulsion (óleo de natureza pobre, com muita sujeira, borra e água). Outro projeto conquistado pela Foster Wheeler foi uma caldeira de energia de 80 toneladas para termoelétrica vendida à VCP.

    Atualmente, o tipo de caldeira mais procurada no País é a de recuperação de calor em processos de geração termoelétrica, devido ao alto custo de implantar novas hidroelétricas e a prioridade de geração de energia usando o gás da Bolívia.

    Química e Derivados: Caldeiras: Rodrigues quer maior oferta de gás nacional.

    Rodrigues quer maior oferta de gás nacional.

    Pontos negativos – Pesquisa realizada pela Abimaq, sobre os efeitos do racionamento de energia no País, mostrou que a partir do primeiro semestre o setor passou a enfrentar alguns problemas, como a queda nas encomendas e contratos, solicitação de adiamento na entrega de pedidos em carteira, aumento nos custos de insumos, componentes e outros materiais e, finalmente, a diminuição da atividade no segundo semestre, invertendo a tradicional sazonalidade do setor.

    Ainda assim, de acordo com João Bosco Cabral, também gerente comercial da Aumund Ltda., o Brasil tem um índice de produção razoável diante do mercado internacional. “Na América do Sul nosso País está em primeiro lugar e ganhamos competitividade no mercado externo”, garante Cabral.

    Desde a década de 70, depois de inúmeros altos e baixos, 1999 foi o ano da virada. O aquecimento do mercado, na opinião de Cabral, foi significativo. Surgiram investimentos na siderurgia, petróleo e gás, papel e celulose, este com crescimento de mais de 100% e no qual a expectativa é bastante positiva. Se levar em conta que a matriz energética de um país industrial é um dos itens mais importantes e, no momento em que o risco de faltar energia é iminente, o uso do gás natural simboliza um novo tempo, tanto para quem vai utilizá-lo, como para as indústrias de caldeiras. Na opinião de Cabral, muitas empresas não se sentem seguras para trocar sua fonte de energia tradicional, óleo ou outro combustível, como o carvão, por gás.

    Para ele, o entrave ainda está na questão da tarifação. Concorda com o vice-presidente da Abimaq o assistente comercial e de marketing da CBC Indústrias Pesadas Rodolfo Rodrigues.

    “É preciso acabar com a dependência que temos hoje do gás da Bolívia. A Petrobrás precisa garantir a produção desse combustível”, alerta Rodrigues. Para Yusuke Honda, da Aalborg, o uso do gás está em crescimento e em escala positiva. “Hoje representa algo próximo a 40% das caldeiras vendidas. Há cinco anos esse número era em torno de 20% a 25%, apenas”, acentua Honda.

    Porém, ele concorda com Cabral no que diz respeito ao custo. Na sua opinião, muitos ainda resistem, ou optam pelo uso da lenha, em função dos freqüentes aumentos nos preços de óleo e do gás natural.

    Cabral explica que o impacto com a crise energética foi muito maior que o imaginado. Ele afirma que a indústria de base já havia desenvolvido, ao longo dos anos, soluções para redução do consumo de energia no seu processo interno. “A única forma encontrada para se alcançar a meta foi diminuir a produção”, lamenta.

    Mesmo com todos esses problemas, empresas como a Aumund apostam em 2002. “A força da economia brasileira, a necessidade de investimentos em energia e petróleo, a questão da melhoria de competitividade contínua em alguns segmentos faz com que esperemos que este ano seja melhor que o passado”, afirma esperançoso Cabral.

    Para que tudo isso se realize, ele aconselha: “O Brasil deve continuar atraindo o capital externo, pois parte do capital da indústria de base vem dele.”


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