Couro e Curtumes

15 de maio de 2011

Calçados – FCC exibe tênis com conceito sustentável

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    FCC, uma das maiores fabricantes de sistemas de colagens, compostos termoplásticos e solas de couro da América Latina, apresentou na Fimec 2011 um modelo de sapato feito de materiais obtidos de fontes sustentáveis. Na concepção da empresa, isso representa um avanço importante, pois o par de calçados conceitual usa apenas materiais reciclados, termoplásticos, em sua grande maioria, combinando-os com insumos de origem renovável.

    Boa parte dos seus componentes – solado TR, palmilha TR, forro de couro e adesivos – são fabricados com materiais de fontes renováveis. Concebido com Fortiprene TR Verde, produto que a empresa lançou na feira, o Conceito FCC Calçado Verde é uma forma de mostrar às indústrias calçadistas que é possível investir na construção de um sapato feito totalmente de materiais de fontes renováveis.

    O principal desafio para o desenvolvimento desse conceito era obter solados e palmilhas originados de fontes renováveis, sem perder as características necessárias para estes componentes: flexibilidade, aparência e resistência ao desgaste. Depois de três anos de pesquisa, a FCC conseguiu viabilizar um solado feito de borracha reciclável, que contém até 50% de matérias-primas de fonte renovável em sua composição.

    A apresentação do novo produto se deu dois anos após a FCC ter lançado e registrado patente do composto Fortipur 4222 Bio, que tem como principal característica a biodegradabilidade. Denominada borracha termoplástica de quarta geração, a resina reduz significativamente a utilização de recursos derivados do petróleo, privilegiando os materiais de origem vegetal.

    O Fortiprene TR Verde, com origem vegetal, foi o principal lançamento de resina termoplástica da FCC durante a feira. Segundo o diretor Júlio Schmitt, o produto foi desenvolvido “para ser uma solução imediata para os fabricantes de solados, pois pode ser transformado em qualquer injetora de plásticos”. A FCC projeta que nos próximos dois anos em torno de 50% das suas vendas de matérias-primas para solados deverão ter como matriz o novo produto, “porque ele atende à questão econômica, por ser um substituto para os derivados de petróleo, sem impactar o preço final do calçado”, afirmou.

    Para pontuar o que é um produto verde, a FCC levou à Fimec um calçado-conceito 100% produzido com materiais termoplásticos recicláveis ou associados a outros materiais. Trata-se de um tênis com a sola de TR Verde, palmilha feita do mesmo elastômero termoplástico, forrada com couro natural, obtido pelo processo de curtimento com taninos vegetais oriundos de florestas renováveis, que não emprega metais pesados. Os resíduos oriundos do curtimento são biodegradáveis e totalmente compostáveis. Os resíduos líquidos do processo são destinados para agricultura, pois a aplicação vem recuperando a qualidade nutritiva e o pH do solo de propriedades da região, com resultados comprovados por análises semestrais e permanente acompanhamento dos órgãos de fiscalização.

    O adesivo usado para colar o forro na palmilha é à base de água, produzido pela FCC, sem nenhum solvente petroquímico. O cabedal (parte de cima do calçado) é feito de lona de algodão 100% natural com tingimento à base de água. Todas as costuras também são feitas com o uso de linhas do mesmo tipo de algodão. Os cadarços usados no protótipo são fabricados com fibras obtidas do PET reciclado.

    Com 42 anos de atividade, a FCC tem quatro unidades produtivas: a matriz em Campo Bom-RS e as de Jacuípe-BA, Morada Nova-CE e Canelones, no Uruguai). Na cidade de São Paulo, possui uma central de distribuição. A FCC desenvolve tecnologia própria na síntese de poliuretanos, sendo um grande e diversificado fornecedor de elastômeros termoplásticos na América Latina, contando com a certificação de seus processos, garantindo a aceitação de seus produtos em todos os continentes, não desenvolvendo mais resinas nem compostos que não possam ser posteriormente reciclados.

    Ainda fabrica itens menos amigáveis ao meio ambiente, como o poliuretano termofixo, porém o faz de forma descontínua. Nos próximos anos, ele não será mais fornecido pela empresa, que se concentrará no PU termoplástico e reciclável. “Nossa meta é a produção de insumos e matérias-primas que se decomponham sem agredir a natureza”, resume Schmitt.

     



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