Manutenção Industrial

18 de outubro de 2010

Bombas – Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    mercado de bombas industriais registra um crescimento explosivo de demanda, com o perdão do trocadilho. Os pesados investimentos anunciados para exploração e refino de petróleo e para aproveitamento do gás natural nos próximos anos, conjugados com os planos de expansão de algumas atividades industriais, evidenciam um futuro muito promissor para os fabricantes desses equipamentos.

    O lado triste desse enredo se esconde na defasagem da taxa cambial, nas deficiências estruturais (o Custo Brasil), nas taxas de juros elevadas e nos excessos tributários, que conspiram contra o crescimento da produção nacional. Em alguns casos, a importação de equipamentos tende a ser mais viável que fabricar no país.

    “Falta uma política industrial de longo prazo para o setor de bens de capital, sem a qual corremos o risco de os produtores locais se transformarem em meros importadores”, alertou Corrado Vallo, membro do conselho de administração da Omel Bombas e Compressores Ltda. e diretor estratégico do grupo de política industrial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade concluiu recente estudo sobre o impacto do custo Brasil sobre produtos nacionais e chegou a um sobrepreço de 43,8% em relação aos similares fabricados na Alemanha e nos Estados Unidos. Quando comparados a itens de origem chinesa, a diferença se aproxima de 100%, sem mencionar o impacto cambial. “Por mais que a indústria nacional se empenhe em ganhar eficiência, assim fica difícil ser competitivo”, salientou. A estimativa da Abimaq para a defasagem cambial chegou a 44%, com base na cotação do dólar em novembro de 2009.

    “Investimos muito nos últimos anos para aumentar a capacidade e a eficiência da produção, temos uma fábrica no melhor padrão mundial de qualidade e, mesmo assim, só estamos conseguindo manter nossas exportações entre 15% e 20% das vendas totais com um esforço extraordinário, às vezes com rentabilidade irrisória”, comentou Carmelo Moldes, presidente da KSB Bombas Hidráulicas, filial do grupo alemão, com produção no Brasil há mais de cinquenta anos. O esforço é explicado pela dificuldade de abrir portas no mercado externo, sendo preferível manter satisfeitos os clientes já conhecidos. Ele estima a defasagem cambial em 25%, atribuindo a ela as dificuldades encontradas para ser competitivo globalmente, embora ele também sinta o peso dos tributos e dos custos de insumos.

    Por participar de um grupo internacional, a KSB brasileira enxerga bem as diferenças entre ela e as demais unidades da companhia. “Nossos preços de bombas estão muito próximos aos dos Estados Unidos e da Europa, mas o peso dos impostos aqui é mais alto”, comentou. Ele ressaltou que a KSB conta com fundição própria e altamente especializada, em Americana-SP, sendo capaz de operar com aços e ligas nobres, como o superduplex, que exige tratamento térmico específico.

    Apesar desses obstáculos, ambos os entrevistados demonstraram otimismo quanto à evolução das vendas de bombas da linha industrial. As perspectivas são animadoras a ponto de atrair players internacionais a montar operações locais, como a ITT Industrial Process, que comprou no ano passado as operações da brasileira Canberra, por sua vez herdeira de antigas operações da Goulds (hoje uma das marcas mundiais da ITT). Além dela, a Weatherford (Johnson Screens) comprou a gaúcha Bombas Geremia, e a Flowserve mantém ativa a unidade produtiva brasileira que comprou da Dresser (Worthington).

    A razão de tamanho interesse está nas aplicações de petróleo e gás natural. Além do plano quinquenal de investimentos da ordem de US$ 224 bilhões da Petrobras, esse setor deve contar com a atuação de outras companhias, como a OGX. Caso queiram dispor de financiamentos especiais do BNDES, os investidores precisam observar o conteúdo nacional mínimo nos projetos. As bombas (ou motobombas, pois o equipamento geralmente é vendido com o motor acoplado) são o tipo de equipamento ideal para ser suprido localmente, dada a necessidade de contar com suporte técnico e peças de reposição próximos.

    “Direta ou indiretamente, cerca de 55% das nossas vendas vão para a Petrobras”, comentou Corrado Vallo. Durante décadas, a Omel evitou que as encomendas da estatal passassem de 20% da carteira, por razões estratégicas. Vallo explicou que a estatal é o grande consumidor atual de equipamentos, enquanto a exportação vai perdendo fôlego. “Fora a Petrobras, os outros segmentos de mercado estão em compasso de espera”, comentou.

    Quimica e Derivados, Corrado Vallo, membro do conselho de administração da Omel Bombas e Compressores, Bombas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes

    Corrado Vallo: falta uma política industrial para o setor

    Ele salientou ter havido uma forte recuperação de atividade industrial entre 2007 e 2008. A crise mundial chegou ao Brasil apenas no segundo semestre de 2009, mas ainda não foi totalmente superada. “Registramos uma queda de vendas de 30% a 35% no primeiro semestre de 2010 em comparação com igual período de 2009”, informou. Além disso, embora tenha carteira para manter a


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