Máquinas e Equipamentos

14 de fevereiro de 2012

Bombas – Produção local sofre com câmbio defasado

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    s dificuldades hoje enfrentadas no mercado externo pelos produtores de bombas instalados no Brasil parecem tornar a cada dia mais relevante, no âmbito da inserção dessa indústria no mercado global, as transações intercompany, nas quais plantas instaladas em algum país exportam para as matrizes das respectivas empresas, ou para operações mantidas por elas em outros mercados.

    Com essa modalidade comercial uma transnacional pode, por exemplo, beneficiar-se da especialização de uma filial em determinado tipo de bomba. Além disso, lembra Silvio Beneduzzi, da Netzsch, “contando com um projeto global, as bombas fabricadas tanto na Europa como na Ásia e no Brasil têm a mesma construção e o mesmo número de identificação; isso facilita os projetos adquiridos em uma região, mas com destino final em outra”.

    E hoje, afirma Beneduzzi, embora as condições competitivas do Brasil na disputa do mercado internacional não sejam muito favoráveis, a situação já é um pouco melhor, comparativamente àquela vigente há não muito tempo, quando o real estava ainda mais valorizado (em relação ao dólar). “Com o dólar valendo algo como R$ 1,75 ou R$ 1,80, também no quesito preço voltamos a ter boa competitividade internacional”, ele diz. “E, em razão da padronização de produto, qualquer componente Netzsch pode ser adquirido em qualquer lugar do mundo com a mesma qualidade.”

    Apostando nesse potencial exportador, este ano a Netzsch inaugurará um novo centro de distribuição nas Américas (mercado atendido pela operação brasileira). Ele será instalado no Peru e se integrará a um conjunto já composto por centros de distribuição localizados nos Estados Unidos, Canadá, México e Argentina.

    Para Biagio Pugliese, da KSB, embora a competitividade internacional da indústria brasileira de bombas esteja ainda bastante comprometida, surgem algumas oportunidades de exportação e elas não estão restritas à modalidade intercompany: “Recentemente, comercializamos bombas para uma empresa da Coreia do Sul, que as instalará em uma planta química em Cingapura”, exemplificou.

    Mas, se são ainda possíveis, as exportações de bombas constituem hoje operações de “alto risco”, como avaliou Moldes. “As margens precisam ser muito apertadas e qualquer imprevisto faz a operação entrar no vermelho”, comentou.

    A KSB, conta Moldes, tradicionalmente exportava algo entre 15% e 20% de sua produção. “Hoje, suamos para manter esse índice ao menos nos 15%.”

    química e derivados, Corrado Vallo, da Omel, bombas

    Vallo: produção europeia desembarca no Brasil

    Além de maiores dificuldades na exportação, a indústria brasileira de bombas precisa hoje enfrentar a crescente concorrência da importação. “Com a crise em seus países de origem, os europeus tentam colocar sua produção nas nações emergentes e a indústria brasileira nada pode fazer, pois enfrenta um conjunto de fatores que mina sua competitividade internacional”, queixa-se Corrado Vallo, da Omel. Segundo ele, bombas feitas na Europa chegam aqui com preços entre 25% e 35% inferiores aos das bombas produzidas no Brasil. “E, no caso das bombas chinesas, não dá sequer para pensar em comparar preços”, acrescentou.

    Por enquanto, ressalta Vallo, a concorrência dessas bombas chinesas se limita ao segmento dos equipamentos menores e seriados, voltados, por exemplo, para uso doméstico e para trabalhos mais simples com água. Não chegou ainda ao mercado das bombas industriais e ao das aplicações especiais, nos quais os elevados requisitos de qualidade devem ser combinados a itens como serviços, assistência e reposição de peças. A Petrobras, ele especifica, ainda não aceita bombas chinesas. “Mas quem sabe como será daqui a cinco ou dez anos? Afinal, a Petrobras já compra plataformas fabricadas na China”, indagou Vallo.

    Preocupada com o crescimento das importações, a Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) desenvolve um processo destinado a tornar não automáticas as licenças de importação de bombas centrífugas de vazão inferior ou igual a 300 litros por minuto.

    Simultaneamente, trabalha para incluir bombas no PBE (Programa Brasileiro de Etiquetagem), coordenado pelo Inmetro e destinado a promover a conservação de energia pela afixação de etiquetagem informativa sobre a eficiência energética de aparelhos e equipamentos. “O PBE favorece o fabricante nacional, configurando uma barreira técnica contra as importações de equipamentos”, defende Nelson Reginato, presidente da CSBM da Abimaq.


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