Máquinas e Equipamentos

14 de outubro de 2002

Bombas: Melhora o desempenho das bombas nacionais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Equipamentos feitos no país conquistam novos mercados, adotam motores de alto rendimento e dispositivos de controle modernos, além de selagem mais eficiente

    Química e Derivados: Bombas: bombas_abre.

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    demanda por bombas para processos industriais no Brasil cresceu desde o ano 2000, mas não explodiu. Os investimentos da Petrobrás, estimados em US$ 100 bilhões até 2010, somados à implantação da Rio Polímeros, além de polpudas inversões de capital em mineração, seriam suficientes para justificar aumento exponencial de vendas. No entanto, a desaceleração de parte de segmentos, como o de papel e celulose – pesados investidores há poucos anos – e do saneamento básico, seguraram as vendas. Um outro fator esfriou as pretensões dos fornecedores nacionais: a importação de bombas como parte de sistemas completos, ou em instalações do tipo turn key, embaladas por financiamentos internacionais atraentes e favorecidas por regime especial de internação, no caso da indústria petroleira.

    “De 2000 para cá, tivemos anos bons de vendas, mas não excepcionais”, resumiu Gilberto Chiarelli, diretor comercial da KSB e ex-presidente da Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM) da Abimaq. “Para nós, 2003 é uma grande incógnita; há muitos projetos aguardando definições e, se confirmados, garantirão excelentes resultados.”

    Química e Derivados: Bombas: Chiarelli - bombas nacionais são competitivas.

    Chiarelli – bombas nacionais são competitivas.

    O faturamento médio anual do setor evoluiu da casa dos R$ 500 milhões, em 2000, para algo entre R$ 600 milhões a R$ 700 milhões. Apesar disso, segundo Chiarelli, a ociosidade das fábricas nacionais do ramo ainda é elevada, beirando os 30%, considerando dois turnos de trabalho. A situação é mais ou menos constante entre as 43 associadas do CSBM, mais da metade do total estimado de 75 produtores de bombas instalados no Brasil.

    Ele salientou que a entidade setorial não pede a volta da reserva de mercado havida no passado, considerada “um atraso que não reverte benefícios para toda a sociedade”. Mas o setor não concorda com o quadro atual de permitir a importação de bens de capital que gozam de financiamentos favorecidos no país de origem, isenção de tributos federais como o IPI e o imposto de importação, além de poderem recolher o ICMS em prazo muito dilatado. “Está havendo um protecionismo ao contrário no Brasil”, criticou. “Dessa forma, é mais vantajoso importar bombas, válvulas e outros equipamentos do que comprá-los no País.”

    Na avaliação de Chiarelli, as bombas brasileiras são mundialmente competitivas, tanto técnica, quanto comercialmente. A própria KSB local já exporta perto de 12% de seu faturamento total, com meta de chegar a 20% nos próximos anos. E as bombas apresentam índices de nacionalização de 95%, inclusive nos fundidos, com unidade própria para isso em Americana-SP. “Faltam algumas peças, como rolamentos, resinas e ligas especiais, que precisam ser importadas”, explicou.

    Química e Derivados: Bombas: Beneduzzi - rotor redesenhado abre nichos para a helicoidal.

    Beneduzzi – rotor redesenhado abre nichos para a helicoidal

    A competitividade do produto nacional também é atestada pela Netzsch do Brasil, para quem as exportações representam perto de 30% do faturamento total, expresso em reais.

    “Temos preços muito bons, principalmente com o dólar caro em relação ao real, e bombas com qualidade igual à das produzidas na Alemanha”, confirmou Silvio Beneduzzi Filho, gerente-geral da unidade de negócios de bombas. “Já somos a maior filial da Netzsch fora da Alemanha.”

    Especializada no tipo Nemo (bomba com rotor helicoidal e estator de borracha), a Netzsch colhe os frutos do longo trabalho realizado junto à Petrobrás para desenvolver equipamentos adequados à produção de petróleo, setor que responde por 25% a 30% das vendas da companhia no Brasil. “A Petrobrás é, hoje, o maior cliente individual da Netzsch em todo o mundo”, disse Beneduzzi. Ele explicou que a companhia alemã era pouco afeita à produção de petróleo. Foi a aproximação da filial brasileira com a estatal, a partir de 1978, que incentivou a desenvolver essa aplicação, tornando-se centro de competência mundial do grupo na atividade.

    De modo a aproveitar melhor as sinergias entre as filiais e outras unidades de negócios, a companhia criou, em agosto de 2000, a Netzsch Oilfield Products, com sede na Alemanha, presidida pelo próprio Beneduzzi. “Vendemos bombas e acessórios, muitos dos quais fabricados no Brasil, para vários países, em uma faixa ampla de temperatura, desde os 45ºC em Omã, até os -45ºC na Rússia”, comentou.

    O ano de 2002 ficará marcado pela expectativa criada em torno das eleições brasileiras e das flutuações cambiais. Segundo Beneduzzi, até maio as vendas ao mercado interno apresentaram boa evolução, seguidas de um período de estagnação. “Parece que os compradores ainda querem ver como vai ser o novo governo para deslanchar os projetos de investimento”, comentou. A estratégia da filial brasileira foi reforçar as exportações, favorecida pela desvalorização do real. “Isso foi uma vantagem relativa, pois alguns dos componentes, como os rolamentos, são importados e outros, como o aço inoxidável, têm preços dolarizados, embora sejam fabricados no Brasil”, explicou.

    Dessa forma, os resultados da Netzsch precisam ser avaliados de duas formas diferentes. “Do ponto de vista local, o resultado é bom, pois ampliamos o faturamento em reais”, disse. “Mas, para a matriz, que recebe os números em dólares ou euros, o resultado ficou abaixo do esperado, embora o volume produzido seja considerável.”


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